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Nacional
Quinta, 18 de abril de 2019, 19h23

Testemunhas reconhecem homem suspeito de construir prédios que caíram na Muzema


 

José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, é suspeito de ser proprietário dos prédios que desabaram na Muzema — Foto: Divulgação  

Duas testemunhas reconheceram José Bezerra de Lira, conhecido como Zé do Rolo, como o construtor dos prédios que desabaram na Muzema. A informação foi obtida com exclusividade pela TV Globo.

Na manhã desta quinta-feira (18), o corpo de uma mulher foi encontrado nos escombros. Com isso, chegou a 20 o número de mortos. Três pessoas seguem desaparecidas Uma força-tarefa da Polícia Civil foi montada para investigar o caso.

Zé do Rolo é assim chamado por atuar em pequenos negócios imobiliários na comunidade. Além das investigações da polícia, há outros indícios de que ele seja proprietário dos imóveis: o depoimentos de moradores e a apreensão de documentos e mídia na comunidade, como informou o RJ2 na quarta-feira (17).

A equipe de reportagem ouviu dez moradores da Muzema. Pedindo anonimato por medo de represálias, todos afirmaram que Zé do Rolo é o proprietário dos prédios.

José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, é suspeito de ser proprietário dos prédios que desabaram na Muzema — Foto: Divulgação José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, é suspeito de ser proprietário dos prédios que desabaram na Muzema — Foto: Divulgação
José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, é suspeito de ser proprietário dos prédios que desabaram na Muzema — Foto: Divulgação

Outro indício é a operação Intocáveis, realizada em janeiro deste ano pelo Ministério Público estadual do Rio de Janeiro. Documentos e mídias apreendidas na ocasião apontam Zé do Rolo como principal suspeito de ser o dono dos prédios que caíram.

O suspeito não foi encontrado pela equipe de reportagem para falar sobre o caso. Sexta-feira (16), dia da tragédia, foi o último dia em que ele usou o aplicativo de mensagens do telefone celular.


Corretores
Outros dois nomes de corretores estão na mira das investigações para serem ouvidos. Nos anúncios encontrados em um dos apartamentos que desabou, estão os telefones de Jucileia Santos e Renato Ribeiro. Ambos foram procurados, mas não atenderam os telefonemas.

Imagem de um dos prédios que desabou em oferta distribuída na comunidade da Muzema — Foto: Reprodução Imagem de um dos prédios que desabou em oferta distribuída na comunidade da Muzema — Foto: Reprodução
Imagem de um dos prédios que desabou em oferta distribuída na comunidade da Muzema — Foto: Reprodução

A reportagem esteve em dois endereços ligados a Renato, na Zona Oeste, mas ninguém foi encontrado. Já foi definido que 16 prédios serão implodidos pela prefeitura após as buscas serem encerradas.

Na quarta-feira, a TV Globo mostrou que um terreno no nome de José Abrahão foi multado 11 vezes. Quando os condomínios estavam sendo erguidos, José Abrahão já estava morto.

Documentos obtidos em cartórios mostram que, em 2002, um terreno, no mesmo endereço do condomínio, foi herdado pelos filhos de dele, Antônio Henrique Abrahão e Maria José Abrahão Aminger. Em 2009, este imóvel foi penhorado por uma dívida de IPTU com a Prefeitura do Rio.

Em depoimento à Polícia Civil, o presidente da Associação de Moradores da Muzema, Marcelo Diniz Anastácio, afirmou que a partir de 2011, construtores começaram a oferecer apartamentos aos donos de terrenos da comunidade, em troca da permissão para erguer prédios. Ele contou ainda que ninguém possui RGI, o Registro Geral de Imóveis, no local, pois todos os lotes são fruto de posse.


Marcelo disse ainda que não conhece os construtores dos prédios que desabaram e que não sabe nada sobre a ação de milicianos na comunidade. Ele afirmou ainda desconhecer milicianos de Rio das Pedras denunciados e presos na operação Intocáveis, que ocorreu em janeiro deste ano.

Meninos enterrados

Foram enterrados no início da tarde desta quinta mais duas vítimas do desabamento. Os irmãos Isac Fabrício Paes Leme, de 9 anos, e Pedro Lucas Paes Leme, de 7 anos, foram sepultados lado a lado, no mesmo horário, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio.

Entre as homenagens no velório, amigos vestiam uma camiseta com uma foto da família reunida.

 

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A mãe deles, Paloma, de 44 anos, e o irmão Rafael, 4 anos, seguem internados no Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul. O pai Raimundo Nonato do Nascimento, também morreu no desabamento, mas o enterro ainda não foi realizado. 

 


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