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Nacional
Sábado, 04 de maio de 2019, 12h49

Sem veículos no Minhocão, São Paulo quer reduzir poluição sonora


Poluição sonora no Minhocão pode ser reduzida para elevar qualidade de vida em São Paulo (Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil) 

A ausência de veículos no Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, na região central de São Paulo, poderia reduzir pela metade a percepção de ruído para moradores locais, de acordo com levantamento da Associação Brasileira Para a Qualidade Acústica (ProAcústica), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU).

O estudo, que abrange o trecho do Minhocão entre a Praça Roosevelt e o Largo do Arouche, estimou uma redução de até 10 dB (decibéis) em alguns imóveis que têm a fachada para o elevado.

O Elevado Costa e Silva, terá seu nome oficialmente substituído por Minhocão ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Poluição sonora no Minhocão pode ser reduzida para elevar qualidade de vida em São Paulo (Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Segundo a ProAcústica, em termos de sensação para o ser humano, 10 dB a menos equivalem a reduzir pela metade a percepção do volume sonoro.

Com o viaduto em operação, os níveis sonoros nos edifícios ficaram entre 69 e 76 dB, enquanto que interditado para tráfego de veículos, apenas com o fluxo existente na rua Amaral Gurgel – que fica embaixo do Minhocão –, o nível sonoro caiu valores entre 59 e 70 dB.

A associação ressalta que os resultados finais em relação à redução dos níveis sonoros dependerão das estratégias de redução do ruído adotadas.

“A OMS [Organização Mundial da Saúde] tem um nível recomendável. O ruído de trânsito global pode chegar até 55 dB. Para a saúde, o que mais conta é a constância, é o incômodo permanente que vai dia a dia prejudicando e você só percebe ao longo do tempo o quanto isso pode te prejudicar, causando insônia, stress, incômodo. Pode até causa doenças, como potencializar infartos, e isso já é comprovado pela OMS, há vários estudos internacionais que comprovam isso”, disse Priscila Wunderlich, gerente técnica da ProAcústica.

Existem técnicas que podem ajudar a reduzir os ruídos nas residências. Algumas possibilidades seriam a inserção de materiais fonoabsorventes sob o Minhocão, a inserção de túneis acústicos, mudança do asfalto da via e proibição de buzinas no local.

Janela acústica pode ser uma boa solução
“Nas residências, a janela acústica pode ser uma boa solução. As cidades devem partir para políticas públicas. O primeiro passo é identificar as avenidas e locais da cidade mais ruidosos e, a partir daí, fazer planos de ação”, disse Priscila.

“Por exemplo, asfalto é um determinante, dependendo da qualidade do asfalto pode influenciar bastante no ruído; diminuir a velocidade das ruas é um possível mitigador; outro fator é partir para frota de veículos elétricos, os ônibus elétricos reduziriam bastante [o barulho]”, acrescentou.

A estimativa de ruídos no Minhocão faz parte do Mapa de Ruído Urbano da Operação Urbana Centro, lançado no dia 24 de abril deste ano, no Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído (INAD 2019).

O mapa abrange, no geral, uma área de 6,6 quilômetros quadrados (km2), incluindo o centro velho, o novo e regiões históricas da região central da cidade de São Paulo.

Com esse mapa, foi possível constatar os pontos mais ruidosos. A partir do diagnóstico, a prefeitura paulistana pode elaborar políticas de redução de ruídos. O Minhocão, a avenida 23 de Maio e a avenida 9 de Julho foram alguns dos pontos mais ruidosos identificados no mapa. 

ABr


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