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Variedades
Quinta, 09 de novembro de 2017, 07h56

Livros apoiados pela Fapesp são vencedores do prêmio Jabuti


A biografia política de Caio Prado Júnior, o jovem e a internet e monstros no cinema e na literatura são temas de obras premiadas. Pesquisadores que receberam apoio durante a carreira acadêmica também foram laureados

Uma biografia política de Caio Prado Júnior, um livro sobre o que os monstros do cinema mostram a respeito dos sintomas contemporâneos e outro sobre a relação dos jovens com a internet, todos apoiados pela Fapesp na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações , foram laureados na 59ª edição do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação do mercado editorial brasileiro.

O livro O jovem e a internet: laços e embaraços no mundo virtual, de Claudia Prioste, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado pela Edusp, foi o segundo colocado na categoria Psicologia, Psicanálise e Comportamento.

Em seu trabalho de doutorado, Prioste entrevistou adolescentes de escolas públicas e particulares sobre hábitos na internet. A autora analisou os impactos da internet – redes sociais, games on-line, vídeos do YouTube e sites de pornografia – na formação da subjetividade dos adolescentes.

“É preciso uma atenção maior dos pais e dos educadores, pois há um forte impacto da internet na formação de fantasias, na tolerância a frustrações e na capacidade de o adolescente avaliar a vida. Vejo que é preciso ensinar, por exemplo, a como pesquisar conteúdo confiável ou não. É o que chamamos de educação para as mídias. É preciso também uma educação consistente. É possível fazer um bom uso da internet, mas é preciso primeiro ter uma visão crítica sobre essas manipulações psicológicas que existem na internet por parte das empresas de entretenimento”, disse Prioste à Agência Fapesp.

No livro, há exemplos de bom uso da internet na adolescência, mas a autora considera que ficam à margem as discussões sobre o fato de os jogos serem construídos para induzir vícios, sobre empresas que lucram com esses vícios. Para ela, é preciso levantar questões importantes como “Por que jogar?”, “Os jogos são criados para viciar?”, “Quem ganha com isso?”. “Fiz uma análise não só dos adolescentes, mas também das empresas que atuam na internet, de como elas fazem para viciar os jovens”, disse.

Caio Prado Júnior: uma biografia política, de Luiz Bernardo Pericás, que ficou em primeiro lugar na categoria Biografia, conta a trajetória militante muitas vezes omitida nos estudos sobre o historiador, intelectual e político, que ressaltam apenas sua fecunda atividade intelectual.

“O livro é fruto de uma pesquisa de seis anos, em arquivos públicos e privados. Recolhi depoimentos de mais de 70 pessoas e tive acesso a uma documentação vastíssima. Caio Prado Júnior era meu tio-bisavô e isso me ajudou a pesquisar nos arquivos de familiares, que fizeram a gentileza de abrir suas casas para que eu pudesse consultar documentos que não estão em nenhum outro lugar. Encontrei muito material inédito na casa de parentes meus: cartas, fotos, periódicos, documentos da polícia política etc.”, disse Pericás, professor de História Contemporânea da USP.

Resultado em parte de uma pesquisa de pós-doutorado apoiada pela Fapesp, o livro também contou com Auxílio à Publicação.

“A obra de Caio Prado Júnior em geral é estudada como um subsídio para a compreensão da história do Brasil. Não se buscou, contudo, entender o próprio Caio, e por que ele escreveu o que escreveu. Muitas vezes apresentam o marxismo de Caio Prado Júnior como algo apendicular, como se este fosse um mero acessório metodológico. O fato é que Caio era um comunista, um militante ativo e disciplinado do PCB por vários anos e com grande envolvimento nos debates e discussões teóricas e políticas que ocorriam no ‘mundo do socialismo’. Muitas pessoas que leram o meu livro comentaram que eu lhes havia mostrado um Caio que elas não conheciam, muito diferente do que imaginavam”, disse Pericás.

Crise da condição humana

Todos os Monstros da Terra – Bestiários do Cinema e da Literatura, de Adriano Messias, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, publicado pela Editora da PUC-SP, ficou em terceiro lugar na categoria Comunicação.

“Recebi três vezes apoio da Fapesp até então: uma bolsa de doutorado, quando pude estudar o tema e escrever a tese em que se baseia o livro premiado, depois o apoio à publicação e, agora, uma bolsa de pós-doutorado”, disse Messias.

Messias analisou mais de 20 filmes – dentre eles Guerra dos Mundos, O Chamado, Avatar, Deixa ela entrar, O Caçador de Trolls e O Hospedeiro.

“Queria saber o que os monstros dos filmes do século 21 têm a ver com a cultura e seus sintomas. Nas produções, nota-se, por exemplo, uma repetição de zumbis, ciborgues, alienígenas, vampiros, monstros gigantes. De que forma eles aparecem no cinema e o que dizem sobre nós, neste momento de virada ontológica? É evidente que os monstros de hoje refletem a própria crise da condição humana, a derrocada do Humanismo. É muito diferente do que era retratado nos monstros do século 19, por exemplo, alimentados tantas vezes pela literatura”, disse.

O Jabuti foi instituído em 1959 e é entregue anualmente pela Câmara Brasileira do Livro. Este ano, outros autores que de alguma forma ao longo da carreira acadêmica receberam apoio da Fapesp se consagraram com o primeiro lugar do prêmio. É o caso de Mário Luiz Frungillo, vencedor da categoria Tradução; Miriam Debieux Rosa (Psicologia, Psicanálise e Comportamento); Marilena Chaui (Ciências Humanas); Plinio Martins Filho, na categoria (Comunicação) e Henrique Eisi Toma (Engenharias, Tecnologias e Informática).

A lista com todos os vencedores está disponível em www.premiojabuti.com.br.  

Agência Fapesp


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