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Geral
Quinta, 20 de abril de 2017, 17h03

Especialista analisa o fenômeno BALEIA AZUL, o jogo mortal que invade o Brasil


Um dos assuntos que mais tem gerado preocupação no Brasil e no mundo é o jogo virtual da Baleia Azul. O passatempo, disputado pelas redes sociais, propõe ao jogador 50 desafios macabros que vão desde a automutilação até o suicídio. O game funciona como uma espécie de "siga o mestre" - quem dita as regras e propõe os desafios é um mentor, o qual envia aos participantes mensagens com instruções do que fazer e solicita fotos como prova do cumprimento das tarefas.

Os jogadores geralmente são crianças e adolescentes, que, além de estarem mais suscetíveis a influências de terceiros, passam mais tempo em redes sociais. Tudo começa de maneira "leve" - no início, são delegadas aos jogadores tarefas como assistir a filmes de terror, ouvir músicas psicodélicas e desenhar uma baleia azul em um papel. Com o passar dos dias, os adolescentes chegam a ser desafiados a se pendurarem em lugares altos e se automutilarem, ou até tirarem a própria vida.

Ao que tudo indica o jogo Baleia Azul teve início na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos cumpriu a última tarefa e pulou do alto de um edifício. Dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Os episódios fizeram as autoridades do país começarem uma investigação que ligou os incidentes a um grupo que participava de um desafio com 50 missões.

A preocupação com o jogo aumentou no ano passado, quando diversas fontes divulgaram, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades virtuais identificadas como "grupos da morte". Diversos países, como a Inglaterra, França e Romênia têm enviado alertas aos pais depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços e sinais de mutilação.

Filósofo, Teólogo e Escritor Padre Beto fez uma análise da realidade envolvendo o jogo

Para padre Beto, Filósofo e Teólogo a explicação para situações como estas tem como pano de fundo a falta de perspectiva, objetivo e de luta por causas maiores, padre Beto acredita que as gerações anteriores arriscavam sua vida por causas sociais, a competitividade exacerbada, o descrédito em instituições como a família e escola que outrora davam segurança e estabilidade, gerações não foram formadas para pensar um projeto de sociedade e acabam vivendo sensações. “Não acredito que as pessoas estão inseguras, mas as pessoas que buscam experiências como essas mostram claramente que estão em busca de algo que as preencham, mas acabam não encontrando respostas e acabam entrando em experiências radicais, a falta de instituições que de fato estejam comprometidas com projetos de vida e que deem aos jovens a possibilidade de sonhar e acreditar que a vida é muito mais do que sobreviver”. No caso uma realidade muito mais ampla estaria relacionada à prática do jogo, padre Beto acredita que a Religião seria nesse contexto responsável por trazer uma utopia (concepção cristã, já e ainda não) aliada a esperança e a crença no “Bem Maior” para o homem como ao Reino de Deus, ou seja, o já e ainda não, a concepção dá ao homem a possibilidade de viver já na terra a dimensão do Paraíso, Reino de Deus, que não deve estar relacionado apenas ao pós morte. Os jovens encontram experiências fortes também através da religião, não há o que acreditar, não há metas maiores a serem alcançadas.

Lidar com o fracasso, perdas e desilusões, chegamos a um vazio, embora diante de tantos desafios e obstáculos a serem superados, o problema segundo padre Beto estaria relacionado à globalização, a ideia de uma sociedade de mercado faz com que as pessoas acabem se tornando “produtos” como se fossem selecionadas em prateleiras de supermercados, a desfragmentação do homem e do mundo a sua volta trariam esse sentimento de angústia e solidão, combustível para busca de situações limites, aventuras, sensações prazerosas. A busca por uma realização de vida no pós morte também estaria demonstrada em atitudes como a do jovem desaparecido no Acre, Bruno Silva Borges, de 24 anos, desapareceu no dia 27 de março.

O criador desse jogo teria percebido o vazio existencial presente na sociedade e canalizou o jogo para situações contrárias ao desejo humano como o sofrimento trazendo a tona de maneira explicita saídas para problemas como a falta de sentido diante de perguntas como “Quem sou eu?” “O que faço nesse mundo?” “O que é a Morte?”.
 


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