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Geral
Quarta, 17 de maio de 2017, 14h26

'Bienal da ecologia' destaca debate sobre desequilíbrios socioambientais


Foto por: Chico Valdiner
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Convulsão política, desequilíbrios econômicos e sociais e temas ligados ao meio ambiente, como o aquecimento global. Estes e outros assuntos que tratam da incerteza sobre o futuro do Brasil – e do mundo - foram discutidos na abertura da programação da ‘primeira bienal da ecologia’, a 32ª Bienal de São Paulo – Itinerâncias: Cuiabá, realizada excepcionalmente nesta terça-feira (16.05), no auditório da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Formulado para o público cuiabano, com palestras e rodas de conversas, o evento reuniu a cocuradora Júlia Rebouças, a militante indígena e pesquisadora bolsista no Laboratório de Imagem e Educação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Naine Terena; e a professora do programa de pós-graduação Estudos de Cultura Contemporânea da UFMT, Ludmila Brandão. O professor, poeta e escritor da UFMT, Aclyse de Mattos, e artistas que integram a Bienal debateram o desenvolvimento de um estado sustentável, diversificado e inclusivo, e o papel da arte na transformação da engrenagem social.

De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT), o trabalho é desenvolvido a partir da experiência nos Dias de Estudo (outra iniciativa central do projeto, que se baseia na realização de uma programação pública), para que os envolvidos possam discutir os percursos curatoriais e artísticos que levaram as participantes à 32ª Bienal. Intitulada Incerteza Viva (Live Uncertainty), a 32ª Bienal tem como eixo central a noção de incerteza, a fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua, e sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas.

Na introdução ao tema ambiental da bienal, Júlia Rebouças destacou o desastre ocorrido em Mariana (MG), em 2015, com o rompimento de uma barragem de rejeitos de lama que inundou o distrito de Bento Rodrigues. Falou também sobre a importância de discutir as ‘incertezas’ verificadas em outros campos da atuação humana, como o político e o social, como forma de conviver com o desconhecido. “É essencial que se desvincule a incerteza do medo”.

Rebouças referiu-se também à necessidade da sociedade se mobilizar para debater questões como o enfrentamento do preconceito de gênero e da violência contra a mulher. “Estamos percorrendo regiões distantes dos centros mercadológicos da arte, como Cuiabá, para discutir estes assuntos, que também consideramos emergenciais”.

Se aprofundando no tema da Bienal, a curadora apontou a dificuldade – sempre presente - em explicar o conceito de escolha do ‘nome de batismo’ do evento, que é responsável por apontar o espírito que guiará a alma da exposição. “Incerteza Viva provoca o cidadão para que ele reflita sobre o processo pelo qual passamos agora. Fracassamos como sociedade? O modelo econômico que se apresenta, do capitalismo, serve a todos? Precisamos pensar um novo modelo de ocupação do mundo, e vemos na arte uma força transformadora da vida, que pode contribuir para um espaço inclusivo”.

A equipe curatorial, formada por Jochen Volz, curador alemão à frente da atual Bienal de São Paulo e um dos diretores do Inhotim, pela brasileira Júlia Rebouças, pela sul-africana Gabi Ngcobo, pelo dinamarquês Lars Bang Larsen, e pela mexicana Sofía Olascoaga, escolheu quatro localidades: Santiago do Chile; Acra, em Gana; Amazônia Peruana; e Cuiabá, em Mato Grosso, como representativas de questões a serem tratadas na mostra.

Júlia Rebouças explicou que o encontro público no Chile, muitas vezes identificado como "o fim do mundo", despertou reflexões sobre cosmologias e sobre inícios e encerramentos. A a escolha de Acra se deu pelo fato de Gana ter sido um país pioneiro na busca pela independência. "Foi um importante ponto de retorno dos escravos", explicou a cocuradora. A Amazônia Peruana, salientou, representa a reflexão sobre o patrimônio da floresta - e é também uma forma de expandir para fora do "senso comum" brasileiro sobre a região amazônica. Cuiabá, enfim, "centro geodésico da América do Sul" no coração do cerrado do Brasil, torna-se um território emblemático para se falar de bioma e de conflitos (entre eles, indígenas).

Assim, a incerteza, mais uma condição emocional que tudo, é acolhida pela arte contemporânea, e questões como ecologia e extinção são exemplificadas como pontos de convergência das discussões promovidas nos Dias de Estudo. Em entrevista à imprensa, Volz disse que a mostra brasileira pode ser definida como um "ponto de vista" sobre o momento atual - e ele usou uma frase do escritor inglês Adam Thirlwell para explicar o conceito da 32.ª Bienal de São Paulo, Incerteza Viva: "Um dos prazeres da arte é ser mais exata em relação ao tempo do que o próprio relógio".

A militante indígena e pesquisadora bolsista no Laboratório de Imagem e Educação da Unemat, Naine Terena, e a professora do programa de pós-graduação Estudos de Cultura Contemporânea da UFMT, Ludmila Brandão, retomaram os debates iniciados em 2016, onde se discutiu Cuiabá e o patrimônio natural e cultural como realidade ou iminente ameaça para o cerrado e os povos indígenas. Na oportunidade, objetivavam pensar sobre o que é possível e preciso para criar outros mundos e futuros, com vistas a dar continuidade ao debate sobre questões socioambientais, lançando ideias e proposições para as próximas gerações.

Cuiabá

A 32ª Bienal de São Paulo enxerga Cuiabá como um local estratégico para sediar a série de encontros performativos sobre extinção, pois está localizada na região que engloba o cerrado e as águas, além da monocultura de soja, os solos esgotados, grandes fazendas de pastos bovinos, espécies desaparecidas, índios sempre sob ameaça de genocídio, conhecimentos esquecidos e povos ribeirinhos.

Bienal

Além da exposição, uma programação pública inspirada nas atividades que acompanharam a 32ª Bienal em São Paulo foi formulada trazendo performances, apresentações e conversas com artistas e curadores para o público de Mato Grosso. As inscrições para esta programação já estão abertas e as vagas são limitadas.

O evento renova a parceria institucional entre a Fundação Bienal de São Paulo e a Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT). Em 2015, por ocasião das itinerâncias da 31ª Bienal, o Palácio da Instrução foi revitalizado para sediar a mostra, que apresentou 17 projetos artísticos, oito encontros com educadores da rede pública de ensino de Cuiabá e Várzea Grande, e reuniu um total de 8.900 visitantes.

Programação

Nesta quarta (17.05), das 19h às 21h, no auditório do Palácio da Instrução, a artista Ana Mazzei discute com o público o tema “Pesquisa e Processo Criativo”. Ela vai apresentar sua produção, pesquisa e modos de atuação, criando um contexto para discutir a obra Espetáculo (2016), que integra a 32ª Bienal. São oferecidas 40 vagas.

De 30 de maio a 02 de junho, sempre das 19h às 21h, no Centro Cultural da UFMT, ocorre a Semana de Encontros, com mediação do artista Bené Fonteles e convidados. São oferecidas 200 vagas para cada evento. A semana será aberta no dia 30, às 19h, com a palestra Ocataperaterreiro, de Bené Fonteles.

No dia 31, ocorre “Arte aqui é mato: Poéticas e querelas da arte em Mato Grosso”, encontro com o artista Gervane de Paula e a crítica de arte Aline Figueiredo. No dia 1 de junho é a vez de Narrativas pela fluência das águas: artistas e viajantes em Mato Grosso, encontro com a historiadora Maria de Fátima Gomes Costa e o historiador Serafim Bertoloto.

No dia 2 de junho, é a vez do encontro indígena “Ser e não ser - a terra devastada: questões indígenas e ambientais em Mato Grosso”, no auditório do Museu Rondon, na UFMT, com a indígena e comunicóloga Naine Terena e outras lideranças indígenas do estado, o historiador e indigenista Elias Bigio, e o ambientalista Sérgio Guimarães. Para este evento, há 100 vagas disponíveis.

No dia 30 de junho, ocorre debate sobre o tema “Pesquisa e Processo Criativo”, com Dalton Paula, no auditório do Palácio da Instrução e oferta de 40 vagas. O artista apresenta sua produção, pesquisa e modos de atuação, criando um contexto para discutir a série Rota do Tabaco (2016), que integra a 32ª Bienal.

O recorte de obras pensado para a Capital mato-grossense terá trabalhos de Ana Mazzei (Brasil), Bárbara Wagner (Brasil), Carolina Caycedo (Colômbia), Charlotte Johannesson (Suécia), Dalton Paula (Brasil), Ebony G. Patterson (Jamaica), Felipe Mujica (Chile), Francis Alÿs (Bélgica), Gilvan Samico (Brasil), Gu¨nes¸ Terkol (Turquia), Jonathas de Andrade (Brasil), Mmakgabo Helen Sebidi (África do Sul), Pierre Huyghe (França), Rachel Rose (Estados Unidos), Vídeo nas Aldeias (Brasil), Wilma Martins (Brasil) e Wlademir Dias-Pino (Brasil).

Serviço

O que - 32ª Bienal - Itinerâncias: Cuiabá

Quando - 16 de maio a 09 de julho

Local - Palácio da Instrução. Rua Antônio Maria, 251 - Praça da República, Centro Norte - Cuiabá-MT

Horário – Terça a sexta-feira, das 8h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h

Mais informações - (65) 3613-0240 / 32bienalmt@cultura.mt.gov.br

Entrada Gratuita  


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