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Domingo, 19 de novembro de 2017, 18h47

Cientista do Museu Goeldi participa da construção do mapa mundial de répteis


Um time de 39 cientistas produziu o mapa mundial dos répteis, com mais de 10 mil espécies de serpentes, lagartos e quelônios. Os dados completam o "atlas da vida", uma síntese global da distribuição dos vertebrados terrestres do planeta. O mapa revelou padrões inesperados e regiões de alta biodiversidade, negligenciadas anteriormente como zonas de alta prioridade para conservação. Elas incluem, por exemplo, as estepes asiáticas, os desertos do centro da Austrália, o sul dos Andes e a Caatinga brasileira.

"Entreguei ao projeto meus mapas de distribuição de répteis da Amazônia e das Guianas, resultado de 40 anos de trabalho na área”, revela o herpetólogo e pesquisador Marinus Hoogmoed, do Museu Paraense Emílio Goeldi. “A região amazônica é uma área com alta diversidade para todos os grupos de répteis estudados: lagartos, serpentes, jacarés e tartarugas. Concluímos que há uma discrepância entre áreas protegidas e áreas com alta diversidade de espécies de lagartos. Com os novos dados, será possível, no futuro, indicar mais áreas protegidas, levando em conta a alta diversidade de lagartos em certas áreas."

Hoogmoed participou do estudo junto com cientistas de mais de 30 universidades e institutos de pesquisa do mundo. O resultado foi publicado na revista Nature Ecology & Evolution. “Mapear as distribuições de todos os répteis era considerado uma tarefa muito difícil. Mas, graças a um time de especialistas em lagartos e serpentes de algumas das regiões menos conhecidas do mundo, nós conseguimos concluí-la e, tomara, contribuir para a conservação desses vertebrados frequentemente pouco notados, que sofrem com a perseguição e o preconceito”, afirma o pesquisador Shai Meiri, professor da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que idealizou esse projeto há mais de dez anos.

Entre esses especialistas em lagartos e serpentes, está o pesquisador Uri Roll, da Universidade Ben Gurion do Negev, também em Israel. “Lagartos, em especial, tendem a ter distribuições inusitadas e frequentemente gostam de lugares quentes e secos. Assim, muitas das novas áreas prioritárias para conservação identificadas estão em áreas secas e desertos. Essas tendem a não ser prioridade para aves ou mamíferos. Com isso, não poderíamos tê-las previsto de antemão.”

Atlas da vida

O mapa dos répteis completa o "atlas da vida", síntese global das mais de 31 mil espécies, incluindo cerca de cinco mil mamíferos, seis mil anfíbios e dez mil aves. Desde 2006, já havia mapas que mostravam os habitats de quase todos os anfíbios, aves e mamíferos. No entanto, as espécies de répteis eram pouco conhecidas, lacuna preenchida agora.

“Graças a ferramentas como o atlas da vida, cientistas podem, pela primeira vez, ter uma visão global da diversidade terrestre no planeta, o que auxilia na tomada de decisões sobre como usar os fundos para a conservação. Provavelmente, nós estamos, de fato, melhor equipados e estamos tornando os resultados disponíveis a todos”, ressalta o biólogo Richard Grenyer, da Universidade de Oxford.

Lista vermelha

Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) está classificando as espécies registradas no mapa em uma Lista Vermelha, que mede o risco de extinção das espécies em categorias que variam de “criticamente ameaçada” a “menos preocupante”. Essa iniciativa reunirá dados importantes para a melhor compreensão da biodiversidade e também para embasar medidas voltadas para a preservação.

 


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