» mais
Comentar           Imprimir
Geral
Domingo, 10 de março de 2019, 15h31

Mulheres são apenas 18,6% dos profissionais registrados no Crea-MT


Embora a conscientização certamente esteja crescendo, ainda há um longo caminho a percorrer. Engenheiras de longa carreira e profissionais recém-formadas deixam seus depoimentos no Dia Internacional da Mulher.

Os empregos no setor da Construção Civil e nas áreas tecnológicas de uma maneira geral ainda são vistos por muitos como opções não tradicionais para as mulheres. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), menos de 30% dos registros nos conselhos regionais são femininos. E, provavelmente, boa parte dessas engenheiras não está nas obras. Prevalece a imagem estereotipada de homens em botas lamacentas e capacetes nos canteiros de obra. Estima-se que apenas 13% dos profissionais de Engenharia em atuação no Brasil sejam do sexo feminino.

Em Mato Grosso, esses números não são diferentes. Dos 22.074 profissionais registrados, 81,4% (17.965) são homens e apenas 18,6% (4.109) são mulheres. Muitas explicações podem ser oferecidas para essa discrepância, incluindo a falta de orientação/incentivo para as mulheres e as demandas femininas em manter um equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. Camila Costa, arquiteta recém formada, acredita que mesmo "com perfil multitarefas, as mulheres veem se destacando cada vez mais nas engenharias. Na área de construção civil, principalmente. Vejo que a escolha pela profissão é vocacional porém a permanência no canteiro de obras é mais pela persistência de vencer as dificuldades e os preconceitos".

Já a engenheira sanitarista Suzan Lannes, com 30 anos de carreira profissional avalia que essa diferença de números entre homens e mulheres no mercado de trabalho na área tecnológica deve ser reduzida com o passar dos anos. "Quando fiz faculdade eram apenas duas garotas em sala de aula. Hoje o número de alunas cursando engenharia sanitária é maior que o número de homens, por exemplo. Não sei se essa situação se repete em todas as engenharias. Porém acredito que é só questão de tempo para igualarmos esses números", avaliou.

Embora a conscientização sobre o problema certamente esteja crescendo, é claro que ainda há um longo caminho a percorrer. "Há um aumento discreto da presença feminina na Engenharia, o que demonstra a quebra de barreiras e a busca por cada vez mais igualdade nesse universo predominantemente masculino", confirma a conselheira Célia Regina Mazzar Cunha. Segundo ela, há 30 anos quando se formou a média de alunos em sala de aula eram de 30 homens para três mulheres e atualmente essa diferença já diminuiu. "Na minha opinião a tendência é o número de mulheres aumentar cada vez mais em todos os segmentos que antes eram dominados pelos homens pois as mulheres estudam mais, se preparavam mais. Porém quanto à competência os dois possuem", afirmou.

A questão da igualdade de gênero no campo das profissões tecnológicas não são exclusivas do número de trabalhadores, mas também se estende aos níveis de remuneração. Recentemente, a Lendlease, uma multinacional australiana de gerenciamento de projetos e construção, revelou que suas colaboradoras femininas eram pagas até um terço a menos do que seus colegas do sexo masculino. Desde que identificou isso, a empresa introduziu uma série de medidas para corrigir as diferenças de gênero e remuneração, como a licença parental compartilhada, por exemplo (Sue James, na conferência Ecobuild 2018, Reino Unido).

Ações como essa são cada vez mais frequentes em países desenvolvidos e estão sendo imprescindíveis para encorajar o diálogo em torno da diferença de gênero e, o mais importante, para conscientizar sobre a importância da questão.

Há quem encare a 'mulher na engenharia' de igual para igual porém a coloque com mais afazeres do que os homens. "Na minha opinião, estamos inseridas nas competências técnicas de igual para igual. Inclusive na questão salarial. A desigualdade está nas competências emocionais e sociais, ainda presente no jeito em que somos tratadas. Pois sempre vamos escolher não sair para o happy hour depois do trabalho em detrimento dos filhos, dos afazeres da casa, marido e família. E, muitas decisões políticas acabam ocorrendo em mesas de bar ou em almoços e jantares de negócio e isso é incompatível com a gestão familiar", avalia a segunda vice-presidente do Crea-MT, Marciane Prevedello Curvo.

CAMPANHA – O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou uma campanha nacional de valorização às profissionais do Sistema com o título "Inovar é com as Mulheres", contendo posts e vídeo para redes sociais. Acompanhando o movimento o Crea-MT publicou em seu facebook posts de conselheiras, profissionais e funcionárias que fazem a diferença na engenharia em Mato Grosso. Acesse e confira a campanha. (https://www.facebook.com/creamtoficial/)

 


Comentar           Imprimir


Busca



Enquete

Em quem você votaria hoje para prefeito de Cuiabá?

Pedro Taques
Blairo Maggi
  Resultado
Facebook Twitter Google+ RSS
Logo_azado

Plantão News.com.br - 2009 Todos os Direitos Reservados

email:redacao@plantaonews.com.br / Fone: (65) 98431-3114