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Segunda, 29 de abril de 2019, 19h56

Exposição na ALMT mostra mães com seus filhos com microcefalia


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Começou na manhã de hoje (29) e prossegue até esta terça-feira (30), a exposição “A Vida com Microcefalia”, do fotógrafo Bruno Sampaio e que evidencia a rotina das mães que tem filhos com essa patologia. São 31 mães que compõem o grupo “Unidas pelo amor” todas com filhos com microcefalia. A mostra resultou de um trabalho de duas semanas em que o fotógrafo percorreu 400 quilômetros de estrada e fez cerca de quatro mil imagens das quais 33 foram selecionadas e estão expostas no saguão da Assembleia Legislativa. O trabalho é voluntário e está aberto a exposições itinerantes.

Entre as fotografias, você encontra Fernanda Pereira da Silva com seu filho Murilo Silva de 2 anos e 8 meses. Ela conta que ficou grávida em novembro de 2015. Aos cinco meses de gestação fez ultrassonografia morfológica e teve o diagnóstico que toda mãe espera: seu filho está muito bem. Mas aos sete meses, veio um novo diagnóstico, em um novo exame: você teve zika e seu filho tem microcefalia. “Fiquei mal por uma semana. Não queria falar com ninguém, não atendia ao telefone. Depois disso contei para minha mãe e minha sogra e disse que podia falar para toda família, mas eu não queria que falassem comigo sobre isso. Fiquei assim alguns dias, depois aceitei, me resolvi sobre a patologia do Murilo e nunca mais sofri”, disse.

Sobre a ideia da exposição, Fernanda disse que surgiu da necessidade de chamar a atenção para a realidade de cerca de 350 mães com filhos com essa patologia em nosso estado. “Não tenho número exato de crianças. Nossa associação é de 31 mães, mas sei que são cerca de 350 crianças com essa patologia em Mato Grosso e uma ausência de assistência do Estado. Nossos filhos precisam de fisioterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, atividades lúdicas para estimulação auditiva e visual, nefrologistas e oftalmologistas permanentemente, sem dispensar pediatras, neurologistas e gastroenterologista e o Estado não oferta o atendimento necessário”, revelou a mãe.

O fotógrafo que é do ramo de festas, disse que tinha em mente fazer um projeto diferente, que evidenciasse pessoas invisíveis à sociedade ou por uma causa e quando foi procurado por uma tia de um menino com microcefalia entendeu que essa era a resposta aos seus anseios. “Entendi na hora é era esse o projeto, então aceitei a proposta, parei tudo que estava fazendo por duas semanas e mergulhei neste universo”, disse.

O trabalho é voluntário, mas Bruno diz que ganhou algo muito maior que dinheiro: “quando cheguei à primeira casa que fotografei não tinha noção do que ia encontrar, então vi dificuldades, mas mais que isso, vi amor e superação. Eu tenho uma vida que julgava que não era boa e agora tenho gratidão pela vida e pelos meus pais. Sei que eles me deram tudo que podiam, o melhor deles, ganhei transformação. Hoje sou um ser humano mais grato”, revelou.

A microcefalia dessas crianças que compõem a mostra veio após as mães grávidas contraírem o vírus zika. Em suas redes sociais as mães desabafam: “o que para alguns é apenas um mosquito de listras brancas, que chega com uma leve ameaça no fim da tarde, para tantas outras famílias significou mais que uma picada e um caroço avermelhado. Mudou planos, sonhos e vida. O descaso de uma sociedade em cuidar de um simples vaso de planta com água parada, jogado no quintal, interferiu na vida saudável de uma criança que hoje tem dificuldades cognitivas severas. Aquela piscina descuidada e destampada privou alguém de dar seus primeiros passos e dizer suas primeiras palavras. Os pneus velhos, jogados na rua, acumulando água, determinou horas incansáveis de hospital, remédios e fisioterapia de milhares de pequenos seres humanos. Água parada prolifera, além da dengue, a zika e a microcefalia. Água parada determina destinos e muda drasticamente a vida de famílias inteiras”.

Serviço:

O que: Exposição fotográfica “ A vida com a microcefalia” do fotógrafo Bruno Sampaio

Quem: Grupo de mães “Unidas pelo o amor”

Onde e Quando: Assembleia Legislativa, dias 29 e 30/04/2019

Quanto: Grátis

A mostra é voluntária e está aberto a exposições itinerantes. Quem tiver interesse deve falar com Bruno pelo telefone (65) 9.8130.5070. 


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