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Justiça e Direito
Sexta, 07 de abril de 2017, 16h33

Cuiabá de outrora pelo olhar dos magistrados de MT


Cadeiras na calçada, boas conversas entre vizinhos, quintais arborizados, pepitas de ouro aflorando no solo em períodos de chuva, paqueras na praça, a feira principal na Avenida Generoso Ponce e a faculdade de Direito da UFMT no centro. Essa é a Cuiabá das lembranças dos desembargadores cuiabanos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que nasceram, cresceram e construíram suas carreiras na cidade que comemora 298 anos, neste sábado (8 de abril).

O desembargador Márcio Vidal, 59 anos, cresceu em uma casa na Avenida São Sebastião e se recorda dos suculentos cajus que sua mãe colhia no quintal para fazer doces, sucos, caldas e até vinho. “Todo ano em época de caju ela fazia esses doces maravilhosos que eram admirados não só pelos familiares, como também os amigos e outras pessoas tantas que puderam ter a felicidade de provar esse doce tão saboroso. Acho que o caju e a manga são lembranças importantes para qualquer cuiabano da sua infância e adolescência”.

A culinária cuiabana também está enraizada na vida da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, 55 anos, que nasceu na Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, nº 600, nos braços da parteira Lucinda. Helena cresceu no bairro Popular, onde o senhor Bernardo passava com a carroça vendendo peixes frescos – quase vivos – e banana para a farofa. “Eu amo peixe. Como peixe diariamente. Eu como a ventrecha de pacu, gosto do pacu assado, piavuçu, peraputanga, matrinchã, acompanhados sempre da farofa de banana e um arrozinho”, afirma a magistrada.

A magistrada Helena Maria se recorda de uma Cuiabá tranquila, onde era possível brincar na rua até tarde da noite, dormia-se com as janelas abertas para amenizar o calor, com muitos amigos cantando e tocando violão em frente a sua casa. “Era uma vida gostosa e tranquila de se viver. Cuiabá era uma cidade de interior. Era um lugar seguro, um protegia o outro, ajudava o outro, tínhamos o costume de acolher as pessoas em casa”.

A ‘Cuiabá de Outrora’, conforme escreveu Nilo Póvoas, pai da desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas, 60 anos, era um lugar onde ela pegava pepitas de ouro no chão quando chovia na Rua Floriano Peixoto, brincava de subir em árvores, fazer casinha de boneca, cozinhar quitutes em fogãozinho de tijolos e pulava o muro dos vizinhos ao longo da Avenida Getúlio Vargas. “Brincávamos nos quintais cuiabanos que tinham aquelas frondosas mangueiras. Era uma meninice muito diferente de hoje, com whatsapp e internet. Os pais não precisavam ter cuidados especiais com as crianças, não se tinha notícias de crimes bárbaros como hoje. O progresso trouxe um preço que poderia ter sido mais barato se houvesse comprometimento”, defende a magistrada.

Nas memórias da desembargadora cuiabana Nilza Maria Pôssas de Carvalho, 60 anos, os momentos de lazer com os pais e os cinco irmãos nas festas de santo, nos cinemas e no Rio Cuiabá são as que vêm com mais saudade.

“A religiosidade estava em primeiro lugar na sociedade. Nós íamos sempre à Festa de São Benedito, do Divino e na procissão do Bom Jesus de Cuiabá. O Cine Tropical era maravilhoso, na entrada do cinema tinha música ao vivo, as cortinas eram de veludo, bem luxuoso, era a coisa mais linda o cinema. Eu me lembro também de quando criança tomar banho no Rio Cuiabá. A gente nadava ali, era um rio sem poluição. Hoje até peixe eu tenho medo de comprar”, lamenta.

O desembargador Orlando de Almeida Perri, 59 anos, costumava pescar com seu pai, conhecido como “Rei dos Dourados”, nos fins de tarde, seja na beira do Rio Cuiabá, na região conhecida como ‘saladeiro’, ou no Córrego da Prainha.

“Eu pescava lambari na Prainha usando aquela semente de são caetano. Havia abundância de peixes em Cuiabá. Muitas pessoas hoje nunca ouviram falar do saladeiro, mas era um abatedouro onde se dava muito peixe, onde hoje é onde é a Sadia. Minha casa era uma mina de ouro que tinha um muro construído pelos escravos. Interessante que conforme o muro foi caindo com o tempo, eu achei moedas do tempo do império enterradas embaixo do muro”, rememora o magistrado. 


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