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Justiça e Direito
Quinta, 18 de outubro de 2018, 18h55

Kay Pranis leva sua experiência para workshop


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“Temos que nos ver como parte de uma teia. É nela que vivemos, numa interconexão com os outros. Tudo o que fizermos vai afetar essa teia, a todos, pois nunca estamos sós”. Com esse pensamento de coletividade, de olhar o outro e da importância dos reflexos das atitudes que cada um pratica que a norte-americana Kay Pranis palestrou para mais de 100 pessoas na manhã desta quinta-feira (18 de outubro). Ela é a convidada para ministrar os dois dias do workshop Aprofundamento e Supervisão de Práticas da Justiça Restaurativa, realizado pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que ocorre até amanhã (19), na Escola dos Servidores do Poder Judiciário.

Há 20 anos, Kay Pranis tem realizado trabalhos com processos circulares, um dos métodos da Justiça Restaurativa, nos mais variados locais e em Cuiabá veio compartilhar da sua experiência, como ela mesma disse, suas perspectivas formadas ao longo de tudo o que já vivenciou. “O meu trabalho é ajudar a lembrar quem somos como seres humanos, nosso direito ao nascer, de sermos seres humanos e termos bons relacionamentos. Meu papel não é ensinar, mas criar espaços para que as pessoas se reconectem com sua própria sabedoria e coletividade”.

Na avaliação da palestrante, para se medir os resultados dos círculos e a justiça restaurativa é preciso observar se houve melhoria nos relacionamentos sociais porque a partir daí os conflitos ou questões não resolvidas ficam mais fáceis de resolver.

Em Mato Grosso, o trabalho desenvolvido pelo Poder Judiciário quanto à disseminação da pacificação social tem gerado bons resultados. Sobre isso, Kay Pranis diz que é exatamente isso o que se busca: que menos casos sejam judicializados, “que as coisas sejam resolvidas entre as partes e o mais importante de tudo é que no final as comunidades se sintam mais fortes porque elas puderam resolver seus conflitos. E tem um outro resultado que é muito importante que as pessoas que estão usando isso dentro do sistema de justiça estão trabalhando com muito mais satisfação, se sentindo melhores”.

A presidente do NugJur, desembargadora Clarice Claudino da Silva falou do privilégio de o Tribunal de Justiça trazer uma das maiores autoridades no assunto de Justiça Restaurativa no mundo, em especial para mostrar o que é uma pessoa que vivencia essa prática. “Kay Pranis é a personificação da Justiça Restaurativa, é um exemplo vivo, que para nós é muito importante nesse momento em que estamos com grandes projetos de expansão, de divulgação das práticas restaurativas e também num momento em que a humanidade precisa tanto de boas práticas pacificadoras”.

A desembargadora falou do brilho nos olhos dos presentes, em busca de novas experiências e disse ser muito mais que teoria, que o propósito do workshop é que os participantes experimentem na pele o que é a prática dos círculos, da justiça restaurativa e sua essência. “Estamos muito gratos pela Administração do Tribunal, que sensibilizou-se com a nossa proposição e nos permitiu dar esse presente no mês do servidor e de fim de ano para a comunidade toda, que vai ser multiplicador dessa prática porque uma pessoa que pratica os círculos ela contamina todo o seu ambiente. É uma mudança mental muito profunda. É uma mudança de comportamento permeável no seu meio. A pessoa se torna um vetor dessa transformação e é isso o que nós pretendemos”.

O juiz que coordena o NugJur, Túlio Duailibi disse que em termos práticos de gestão, o que se espera com o workshop é que se tenha início da difusão da justiça restaurativa. O magistrado agradeceu a generosidade de Kay Pranis pela disponibilidade de dividir seus conhecimentos para Mato Grosso, num evento em que participam as mais diversas profissões. “Buscamos a consolidação da politica, da prática restaurativa. A partir de hoje a gente está disseminando, plantando uma semente, que serão os frutos que vamos colher. Esse evento é um marco importantíssimo para a construção da política da cultura da paz”.

Para o juiz Hildebrando da Costa Marques, coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec) este é um grande evento e que mostra a expansão, tanto do Núcleo quanto do NugJur, os quais a desembargadora Clarice está à frente. “São atividades complementares e que necessitam uma da outra. É um grande evento onde teremos a oportunidade de trabalhar um tema muito importante como é a justiça restaurativa”.

Todos os presentes participaram de dinâmica em grupo, em círculos. Antes, porém, Kay Pranis deixou uma pergunta: “Mais do que vivenciar, é preciso colocar em prática o que se fala. Mas como colocar em prática o que a gente prega?”.

O evento – Destinado a público diverso, estavam presentes magistrados, servidores do Poder Judiciário, da Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Ministério Público, psicólogos, assistentes sociais que atuam de forma direta ou indireta na efetividade das decisões judicias.
 


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