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Justiça e Direito
Sexta, 01 de março de 2019, 19h51

Voluntários formam corrente do bem e levam esperança durante Ribeirinho Cidadão


Quem vê os inúmeros atendimentos oferecidos às comunidades mais afastadas da região pantaneira pode não saber das dificuldades que a equipe do projeto Ribeirinho Cidadão passa para chegar aos locais de mais difícil acesso. Em meio à chuva, estradas de terra, ora com muita poeira, ora com barro, está a comitiva de voluntários, todos num só objetivo: levar dignidade e esperança às pessoas que esperam o ano todo por essa assistência.

O Ribeirinho Cidadão é movido por um espírito de muito trabalho e solidariedade, e um batalhão de voluntários doa todos os anos parte do seu tempo para levar saúde, cidadania e transformar vidas de pessoas que vivem em localidades distantes do Pantanal de Mato Grosso.

Os parceiros formam juntos a maior corrente do bem, um trabalho que faz a diferença. E entre eles está o chefe do cadastro da gerência executiva do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Cuiabá, Thompson Queiroz de Campos. Essa é a quarta participação no projeto, com a missão de reconhecer direitos previdenciários, seja do trabalhador rural ou urbano.

“Para mim, participar do projeto é uma dádiva. Só tenho a agradecer a todos os organizadores. Poder contribuir, cumprir com a minha missão como servidor, mas, principalmente, como ser humano, como cidadão, e estar próximo dos pescadores, levando cidadania, prestando orientações, podendo conceder benefícios previdenciários, é muito gratificante”.

Participando pela primeira vez, a coordenadora do Ribeirinho Cidadão pelo município de Santo Antônio de Leverger, Laura Moraes, abriu o coração para falar dessa experiência. “Estou adorando. Isso é doação, amor ao próximo. Atender as pessoas que precisam, meu corpo chega a arrepiar. É muito gratificante para mim. São experiências incríveis para o resto da vida como pessoa. Depois dessa experiência vou lembrar que às vezes a gente reclama tanto de pouca coisa e vê a realidade de quem realmente necessita e que a gente está bem e não sofre nada. Sair da zona de conforto é uma lição de vida para aprendizado daqui pra frente”.

Presente no Ribeirinho Cidadão desde a primeira edição, o tabelião notário do Cartório do Segundo Ofício de Santo Antônio de Leverger, Felix Alvarez Paulino, lembrou que, quando a ação começou, realizavam cerca de três casamentos. Hoje a procura é muito maior, sem falar nas outras grandes demandas que chegam ao cartório. “Começamos com três casamentos e foi se avolumando, ampliando a rede de atendidos. É importante essa regularização dos relacionamentos, porque traz segurança para as famílias num caso de óbito, por exemplo. Assim como o registro de crianças para normalizar a situação delas nas escolas. São serviços importantes para toda a população. Fazemos isso com a maior boa vontade possível”, falou.

Também unidos nesse propósito de levar atendimentos aos ribeirinhos, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) ofereceu serviços, como segunda via de certidões, fotos, plastificação de documentos e emissão de carteira de trabalho. No Ribeirinho, a coordenadora da equipe, Paola Oliveira, ressaltou a parceira entre o Executivo, Judiciário e Defensoria Pública, importante para a população carente. “É um trabalho importante porque essa população tem difícil acesso à cidade e a esses órgãos que emitem documentos. A parceria é muito importante porque leva esse trabalho para a população tão carente. Saio dessa experiência cansada, mas bastante realizada. A gente fez um trabalho ótimo”.

Enquanto ocorrem os atendimentos, nos bastidores, uma equipe trabalha para preparar toda a logística, alimentação e acomodação dos participantes. À frente dessa equipe está a coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (Creas) de Santo Antônio de Leverger, Carla Ito, que já participou de três edições do Ribeirinho Cidadão. “Para mim, é um privilégio fazer parte dessa equipe, ajudar o próximo e poder fazer o bem para nossos irmãos. No Ribeirinho, a gente consegue entender a dificuldade que as pessoas passam. É um aprendizado para a vida toda. Acho que esse projeto deveria ocorrer mais vezes no ano, porque ajuda muita gente”.

Outro grande parceiro foi a Defesa Civil do Estado, que atuou na Agrovila das Palmeiras, desenvolvendo trabalho de organização do fluxo de pessoas, mobilização nas filas, logística para ajudar os voluntários na arrumação das salas e triagem para que o evento fosse organizado, de forma que cada pessoa soubesse onde seria atendida naquilo que tivesse necessidade, explicou a gerente de mobilização de pessoas do órgão, Maria Miqueline. “É muito importante sermos parceiros nesse projeto porque a gente vê a necessidade das pessoas que estão em regiões mais afastadas. Para nós do Estado, é muito importante dar o suporte naquilo que têm necessidade”, disse.

Na linha de frente, o coordenador do Ribeirinho Cidadão, juiz José Antonio Bezerra Filho, ressaltou que seria impossível fazer um projeto como esse sem os parceiros e voluntários. “As demandas são as mais variadas e sem eles o Ribeirinho não existiria. A satisfação de cada um em ter feito a diferença na vida das pessoas que mais precisam já dignifica a ação”, observou.

Além dos parceiros, o Ribeirinho Cidadão é feito de amizades, aquelas que já existiam e também as que são feitas ao longo da ação. É esse o espírito que move um projeto como esse, o de amizade, amor ao próximo e dedicação. “Quando a gente busca o bem, leva o bem e propicia o bem, começamos a refletir após o Ribeirinho. A gente sempre aprende algo, você volta uma pessoa diferente, com mais propensão em fazer e não em reclamar”, finalizou o juiz.

Na etapa terrestre, cerca de 75 pessoas se uniram nesse propósito social. Foram 17 caminhonetes, além dois caminhões com mantimentos e produtos para as doações.

O Ribeirinho Cidadão é uma ação do Poder Judiciário de Mato Grosso e Defensoria Pública para levar cidadania e serviços essenciais a populações ribeirinhas. O projeto foi lançado em março de 2006 e atende comunidades isoladas de Santo Antônio de Leverger, Poconé, Barão de Melgaço e Juscimeira.


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