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Educação
Sexta, 15 de fevereiro de 2019, 13h47

Filhos de catadores de recicláveis superam atribulações e são aprovados em universidades


Filha de catadores de recicláveis, a estudante Milene Alves de Souza Almeida só pensou em um objetivo na vida: ter uma profissão que pudesse dar melhores condições para ela e para a sua família. Atualmente, aos 17 anos, a adolescente tem o sonho de ser médica e acaba de ser aprovada em medicina em uma Universidade Federal. Os detalhes dessa história você conhece no programa Trilhas da Educação, produzido e transmitido pela Rádio MEC, cuja edição desta semana vai ao ar nesta sexta-feira, 15.

Antes de ingressar na faculdade e dar importante passo para realizar seu sonho, Milene passou por uma vida atribulada. Ela chegou com os pais para morar em Goiânia ainda muito pequena e foi no depósito de recicláveis da família que ela cresceu. Os livros que ela tanto amava, no entanto, não saíam do seu lado. Isso porque aquela garotinha sabia, desde cedo, que os estudos eram o único caminho para ter um futuro melhor. O planejamento foi precoce, mesmo, e ainda o é. Tanto que Milene, que ainda nem começou a cursar medicina, já sabe que quer se especializar em neurocirurgia.

”Foi um sonho que eu fui construindo ao longo do tempo. Criança muda de profissão toda hora, mas quando você vai amadurecendo aquela cabeça de adolescente, vai vendo como são as coisas”, conta a jovem. “Você vai se interessando em ajudar as pessoas, que no caso eu escolhi essa profissão não só pela condição financeira... É uma profissão em que, não vamos negar, se ganha bem, mas também tenho o intuito de salvar as pessoas, ajudar as pessoas na maneira que eu puder na minha profissão.”

O esforço e a dedicação de Milene foram reconhecidos desde cedo e a construção do futuro da menina contou com a ajuda de uma professora. Percebendo o empenho da adolescente, a docente conseguiu para a jovem uma bolsa numa escola particular, onde concluiu o ensino médio. “A tia do colégio até me expulsava às vezes da biblioteca porque eu ficava lá, depois do horário das aulas, estudando. Foi bem difícil porque eu pegava quatro ônibus para ir e para voltar todos os dias”, relata.

Milene passou em medicina na Universidade Federal de Araguaína, no norte do Tocantins, e vai ter de se mudar para lá, pelo menos durante os próximos seis anos. Para isso, terá a ajuda de amigos da família que moram na cidade.

Exemplo – Milena foi obstinada e contou com a ajuda de uma professora, mas há outra personagem fundamental nessa história: a mãe, dona Maria Aparecida, de 40 anos. Mesmo trabalhando de sol a sol no depósito de reciclagem, a maior preocupação da catadora de papeis foi manter os filhos na escola.

“Eu sempre lutei pra eles estudar. Porque através dos estudos é que a vida muda. A pessoa sem estudo é como um cego no escuro. Eu sempre batalhei. Material era muito difícil. Aí eu falava pra eles, ‘meus filhos, não preocupem não que Deus proverá’.”

Os ensinamentos de Maria Aparecida foram seguidos por outro filho, Mikael, 19. O irmão do meio de Milene quer ser engenheiro de mecatrônica e montar a própria empresa. E não para por aí. O mais velho, Moisés, 21, que sempre estudou em escola pública, fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, com a nota, conseguiu ingressar na faculdade de medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele já está no quarto período e credita o esforço aos conselhos da mãe.

“Foi ela (Maria Aparecida) que possibilitou eu chegar lá, né? Ajudando, trabalhando... A gente cobrava da gente mesmo, porque víamos nossa mãe se esforçando todo dia, trabalhando de manhã, tarde e, às vezes, à noite para sustentar a gente”, lembra Moisés.

Por mais que enfrentasse adversidades, Maria Aparecida fazia questão de mostrar aos filhos o lado bom da vida. “Sempre passei positividade pra eles, sempre ensinei pra eles nunca reclamar de nada, ensinei pra eles que tudo é possível ao que crê”, ensina. “É um orgulho muito grande porque em meio às lutas, em meio às barreiras, às adversidades, nós nunca baixamos a cabeça. Eu sempre lutei (e soube) que eles iam conseguir, que nós íamos vencer, que através deles seriam beneficiadas muitas pessoas da sociedade. Essa é a minha meta.”

Depois de lutar de sol a sol para criar os filhos, Maria Aparecida agora luta contra um câncer. Mesmo assim está feliz por saber que “seus tesouros”, como costuma dizer, estão por perto para dar apoio. “Eu sempre pedi pra Deus o melhor pra eles, porque em meio a tanto sofrimento, tantas adversidades, tantas humilhações, a gente sempre pede a Deus que os filhos venham colher bons frutos. Essa benção não é só pra meus filhos, é pra toda sociedade... Através deles, muitas famílias vão ter esse privilégio de participar dessa vitória.”


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