Investigação federal reforça denúncias já apresentadas sobre ligação entre Capital Consig, Cartos e Banco Master; partes contestam

publicidade

Atualizada em 29-05-2026 para nota da Cartos
Atualizada em 22-06-2026 para nota da Capital Consig

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal – e denunciadas em matéria do Uol – confirmam a engrenagem fraudulenta que atinge servidores estaduais de Mato Grosso.

O esquema financeiro revelado nacionalmente por reportagem do portal UOL, que flagrou em interceptações da Polícia Federal o envolvimento direto da empresa Capital Consig, validou publicamente o que os sindicatos de Mato Grosso já haviam denunciado à Justiça. Muito antes do caso ganhar repercussão no país, as entidades que representam os servidores estaduais tinham mapeado as fraudes sistêmicas e a ligação entre a Capital Consig e a fintech Cartos.

Todo o esquema foi detalhado em uma Ação Civil Pública (um processo coletivo) que garantiu, na Justiça estadual, a retenção do dinheiro das empresas e a paralisação dos descontos ilegais nas folhas de pagamento das vítimas. O fato novo que coloca as operações de Mato Grosso no centro do escândalo é o aparecimento direto da Capital Consig nos diálogos dos criminosos interceptados pela PF e divulgados pelo UOL.

Na apuração federal, um operador do esquema orienta um funcionário da Cartos sobre quais CPFs de servidores deveriam ser separados na fraude. Na gravação transcrita pela polícia a ordem é explícita: “Consegue excluir aqueles da Cartos e da Capital Consig? Acho que ficam 116, né?”.

Para a equipe jurídica do escritório AFG & Taques, que defende a Federação dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) e mais seis sindicatos, entre eles, Sinpaig, Sindes e Sintep-MT, esse áudio é a prova que confirma o que o processo coletivo estadual já denunciava: a Capital Consig e a Cartos operam de forma interligada.

Relatórios da Força-Tarefa Estadual de Apuração de Práticas Abusivas em Operações de Crédito Consignado (instituído pelo Decreto Estadual nº 1.454/2025) constataram, em 2025, que entre 50% a 54,3% dos contratos analisados que seriam da Capital Consig, mas a Cartos aparecia como a verdadeira credora.

Diante das investigações, o corpo jurídico dos sindicatos protocolou uma manifestação complementar na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá. O objetivo é exigir o compartilhamento imediato das provas do Inquérito Policial (IPL nº 2025.0078640-SR/PF/MT) para os autos estaduais, demonstrando ao juízo local que o caso de Mato Grosso integra uma engrenagem criminosa muito maior.

A revelação federal também enterra a estratégia dos bancos e empresas rés de tentar suspender a ação em Mato Grosso. As defesas vinham usando como desculpa o Tema 1.414 do Superior Tribunal de Justiça, que trata de falhas comuns de direito do consumidor. No entanto, a equipe do escritório AFG & Taques esclarece que as interceptações da PF corroboram a denúncia de fraude sistêmica e ocultação de carteiras de crédito, o que inviabiliza qualquer paralisação do processo.

Leia Também:  Durante o Abril Azul, shopping de Cuiabá terá ações de conscientização sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Para os advogados Pedro Taques e Murilo Gonçalves, que lideram a atuação no caso, a manutenção da ação coletiva é urgente para garantir a proteção das vítimas.

“Não estamos discutindo um probleminha de contrato, estamos lidando com um caso de polícia. É o crime organizado operando de forma articulada diretamente no contracheque do servidor público de Mato Grosso. As gravações da Polícia Federal provam exatamente o que já vínhamos denunciando, tornando impensável qualquer tentativa de suspender o processo para favorecer as empresas. O salário do trabalhador precisa ser protegido e a verdade finalmente está vindo à tona”, afirmam os advogados (Por: Assessoria AFG & Taques)

O outro lado:

Confira nota enviada ao PlantãoNews

Cartos Sociedade refuta relação societária, operacional, contratual ou financeira com o Banco Master ou com a Capital Consig

A Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. vem a público esclarecer que não tem qualquer relação societária, operacional, contratual ou financeira com o Banco Master ou com a Capital Consig, rechaçando de forma veemente tentativas de associação indevida entre as empresas.

A instituição manifesta preocupação com a divulgação de informações distorcidas e conclusões precipitadas contidas na matéria intitulada “Investigação federal reforça denúncias sobre ligação entre Capital Consig, Cartos e Banco Master”, publicada em 27 de maio de 2026, especialmente porque o conteúdo busca construir uma narrativa de associação criminosa sem apresentar qualquer prova concreta de participação da Cartos em atos ilícitos.

A empresa esclarece que jamais integrou qualquer “engrenagem criminosa”, tampouco participou de fraudes envolvendo servidores públicos ou operações irregulares de crédito consignado. A simples menção ao nome da companhia em diálogos interceptados, de forma isolada e descontextualizada, não comprova prática ilícita, vínculo operacional ou participação em qualquer esquema investigado.

A Cartos reafirma que atua de forma independente, observando rigorosamente todas as normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil, pela legislação vigente e pelos protocolos de compliance, governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro e controles internos exigidos ao setor financeiro.

A companhia também esclarece que todas as suas operações são regularmente registradas, auditáveis e realizadas dentro da legalidade, inexistindo qualquer ocultação de carteiras de crédito, manipulação contratual ou prática voltada à lesão de consumidores ou servidores públicos.

Leia Também:  Flávia Emanuelle assume a pasta da Educação no governo Otaviano Pivetta

A Cartos permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia que os fatos serão devidamente apurados dentro da legalidade e da técnica jurídica, sem exploração política ou midiática.

Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

28 de maio de 2026

Capital Consig afirma que não é investigada no caso Banco Master e tampouco figura como parte da operação – Confira nota abaixo:
Nota de Esclarecimento

A Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A. esclarece que a matéria intitulada “Investigação federal reforça denúncias já apresentadas sobre ligação entre
Capital Consig, Cartos e Banco Master; Cartos nega”, publicada em 27/05/2026, apresenta narrativa imprecisa e descontextualizada, capaz de induzir o leitor à
equivocada conclusão de que haveria relação da Capital Consig com os fatos investigados no denominado “caso Banco Master”.

A empresa não foi previamente consultada pelo veículo de comunicação antes da publicação da matéria, circunstância que suprimiu o contraditório e impediu a adequada apresentação de esclarecimentos essenciais sobre os fatos mencionados.
A Capital Consig esclarece objetivamente que: 
(i) não foi procurada pelo veículo de comunicação nem pelo jornalista responsável pela matéria mencionada.
(ii) não é investigada no caso Banco Master e tampouco figura como parte da operação referente ao Banco Master.
(iii) a citação à Capital Consig na matéria mencionada pelo veículo ocorreu exclusivamente para esclarecer e reforça que a empresa não possui
qualquer ligação com os investigados mencionados na operação do Banco Master.
(iv) não tem e nunca teve qualquer relação de qualquer natureza com o Banco Master.

A Capital Consig reafirma que todas as suas atividades são desenvolvidas em estrita observância à legislação aplicável e às normas regulatórias do Banco Central,
mantendo elevado padrão de governança, conformidade e regularidade operacional. A divulgação de informações descontextualizadas, sem contraditório e sem adequada diligência jornalística, causa danos à reputação da empresa e compromete seu direito constitucional à honra e à imagem.

Diante das imprecisões verificadas, a Capital Consig exerce seu direito de resposta para restabelecer a verdade dos fatos e reafirmar seu compromisso com a transparência, a legalidade e o respeito às instituições. A empresa permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais sempre que devidamente consultada.

 

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade