Oficina da PNAB fortalece gestão de projetos culturais em aldeia indígena de Mato Grosso  

publicidade

Capacitação realizada na Aldeia Barranco Vermelho reuniu representantes de oito povos indígenas

A Aldeia Barranco Vermelho, localizada em território Rikbaktsa, recebeu no último dia 4 de julho uma oficina de execução e prestação de contas de projetos culturais voltada aos projetos contemplados pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Ciclo 1 | Edição Povos Indígenas. A capacitação reuniu representantes de oito povos originários de Mato Grosso e teve como foco fortalecer a gestão dos recursos destinados ao fomento cultural.

Promovida pelo Mutirum Instituto em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), a oficina integra o ciclo de capacitações da PNAB-MT, iniciativa que busca orientar agentes culturais sobre a execução dos projetos aprovados, a correta aplicação dos recursos e os procedimentos de prestação de contas.

A iniciativa reforça o compromisso de tornar as políticas públicas de cultura mais acessíveis aos povos indígenas, contribuindo para a valorização de seus saberes, tradições e expressões culturais e garantindo que os recursos da Política Nacional Aldir Blanc sejam executados de forma eficiente e transparente.

Durante o encontro, participantes dos povos Apiaká, Arara, Cinta Larga, Kayabi, Manoki, Munduruku, Myky e Rikbaktsa receberam orientações práticas sobre organização documental, elaboração de relatórios, utilização dos recursos públicos e demais exigências previstas nos editais de fomento. O evento também abriu espaço para o esclarecimento de dúvidas e a troca de experiências entre os participantes.

Para o consultor das oficinas da PNAB, Vicente de Albuquerque, a experiência na aldeia evidenciou a riqueza do intercâmbio entre os participantes e a importância de aproximar as políticas públicas dos territórios indígenas.

“A experiência da oficina foi extremamente enriquecedora. Mais do que compartilhar informações sobre a PNAB, tivemos a oportunidade de ouvir diferentes perspectivas sobre cultura, identidade e território. O diálogo mostrou que existe uma produção cultural potente, que muitas vezes não acessa os mecanismos de fomento apenas por falta de informação técnica ou de acompanhamento adequado”, afirma.

Leia Também:  Corpo de Bombeiros realiza Congresso Internacional de Gestão de Incêndios Florestais a partir de segunda-feira (16)

Segundo Vicente, levar as oficinas diretamente às comunidades indígenas representa um passo importante para democratizar o acesso às políticas culturais.

“Levar as oficinas da PNAB para as comunidades indígenas vai muito além de apresentar um edital. É reconhecer que esses povos têm direito de acessar a política pública de cultura respeitando suas formas de organização, seus tempos e seus modos próprios de produzir conhecimento. Quando a informação chega ao território, ela deixa de ser um privilégio de quem está nos centros urbanos e passa a ser um instrumento de autonomia para quem historicamente enfrentou maiores barreiras de acesso”, destaca.

A oficina contou ainda com a participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Para o coordenador regional da instituição, Marcelo Munduruku, iniciativas como essa atendem a uma demanda concreta das comunidades indígenas por qualificação para elaborar, executar e prestar contas de projetos em seus territórios.

Segundo ele, fortalecer as associações indígenas significa ampliar sua capacidade de desenvolver ações estratégicas voltadas ao próprio território e consolidar sua autonomia na gestão de recursos públicos.

“A importância da gente participar dessa oficina se dá pela necessidade que as comunidades têm de elaborar, executar e gerir projetos por meio de suas associações. Essas instituições têm um papel fundamental para fortalecer a organização indígena e promover ações estratégicas dentro dos territórios”, explica.

Marcelo também ressaltou que a Funai atua como parceira das comunidades, oferecendo apoio institucional, político, jurídico e, sempre que possível, logístico para fortalecer essas iniciativas.

Leia Também:  Estácio Fapan promove debate sobre o papel do enfermeiro gestor na segurança do paciente

“Estamos preocupados com a autonomia das comunidades para gerir e executar projetos de pequeno, médio e grande porte. A Funai busca estar sempre presente, apoiando dentro das possibilidades. Vejo essa iniciativa como muito importante e acredito que este seja apenas o começo de um trabalho conjunto entre a Funai e as comunidades”, afirma.

A ação faz parte de uma série de oficinas realizadas em diferentes regiões do estado. Em edições anteriores neste ano, as capacitações passaram por Cuiabá, Barra do Garças, Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde, Juína e Cáceres, ampliando o acesso à informação e contribuindo para que agentes culturais tenham mais segurança na execução de seus projetos.

Vicente também ressaltou que iniciativas como essa fortalecem a participação dos povos indígenas na construção das políticas públicas de cultura.

“Ficou evidente que iniciativas como essa fortalecem a participação social, ampliam o alcance das políticas públicas e contribuem para que os recursos da PNAB cheguem, de fato, a quem também faz cultura no Brasil profundo”, ressalta.

Segundo o consultor Mario Olímpio, a experiência na aldeia também foi marcada pela troca de conhecimentos e pela construção de novas possibilidades de parceria.

“A oficina e a nossa presença em território indígena foram uma grata experiência de troca de conhecimento. Tivemos a oportunidade de levar algum conhecimento e também adquirir outros. É uma comunidade, um povo muito sábio, com saberes ancestrais. O mais importante é que saímos de lá com muitas possibilidades de parcerias, tanto com organizações da sociedade civil quanto no âmbito governamental. Foi uma oficina muito produtiva, como tantas outras das quais participamos”, finaliza.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade