Presidente Lula sanciona lei que amplia a licença paternidade para 20 dias e cria o salário-paternidade

publicidade

A partir de janeiro de 2027, passa a vigorar no Brasil a lei que amplia a licença-paternidade e institui o salário-paternidade no âmbito da Previdência Social. A implementação será escalonada: 10 dias a partir de 2027 (atualmente são 5 dias), 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029.  

A nova legislação foi sancionada nesta terça-feira (31) pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva e é considerada um marco na consolidação de políticas públicas, ao promover a corresponsabilidade no cuidado com a criança e reforçar a necessidade de avançar na equidade de gênero no Brasil. 

“A mulher já conquistou o mercado de trabalho, mas o homem ainda não conquistou a cozinha. Essa lei vai ensinar os homens a aprender a dar banho em criança, acordar de noite para cuidar da criança quando chora. Ele vai ter que aprender a trocar fralda. Então é uma lei que eu sanciono com muito prazer”, declarou o presidente Lula durante a assinatura.

O direito à licença-paternidade está garantido no artigo 7º, inciso XIX, da Constituição Federal de 1988 e reforça princípios como a proteção à família, à criança e à igualdade entre homens e mulheres.

Presente no ato da sanção presidencial, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, comemorou a sanção presidencial. “Estou muito feliz. O presidente Lula, sem nenhuma dúvida, junto com outros ministérios, concordou e assinou, sancionando essa lei. Viva o direito das mulheres e dos homens, e sempre na defesa das crianças e adolescentes”, disse a ministra.

Leia Também:  Ministra das Mulheres cumpre agenda em São Paulo neste sábado (28)

Ela sublinhou que “os pais terão 20 dias para poder cuidar, para poder ser parceiros, para poder proteger as crianças. Isso é uma política de cuidado da primeira infância, das famílias”, afirmou. 

Segundo Márcia Lopes, a sanção do presidente Lula e a aprovação da lei no Congresso Nacional foram passos importantes para o  Brasil avançar na equidade de gênero, já que a lei tramitava há 38 anos no Parlamento. E representa também um marco para a defesa das crianças, que poderão contar 

Adoção e guarda judicial

A nova legislação assegura ainda estabilidade no emprego durante o período da licença e após o retorno ao trabalho, além de ampliar o direito para casos de adoção e guarda judicial. Também contempla regras específicas, como a possibilidade de fracionamento da licença e a vedação do benefício em situações de violência doméstica ou abandono.

A licença-paternidade vale para nascimento ou guarda judicial de criança ou adolescente e inclui trabalhadores formais e contribuintes do INSS (inclusive autônomos e MEIs).

Em casos específicos, como a necessidade de cuidar de filhos com deficiência, a lei aumenta a licença-paternidade em 1/3 do tempo. Os pais também podem fracionar a licença.

Outra especificidade da lei para aumentar a proteção das mulheres é que, em caso de violência doméstica ou abandono do lar, o direito à licença-paternidade pode ser suspenso. 

Redução das desigualdades 

Consultado durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional, o Ministério das Mulheres manifestou-se favoravelmente à aprovação. Em parecer técnico, a pasta destacou que a medida representa um avanço estruturante ao reconhecer a responsabilidade compartilhada entre homens e mulheres no trabalho de cuidado.

Leia Também:  Caravana Federativa no Maranhão reúne mais de oito mil participantes e destaca investimentos do Governo do Brasil

A ampliação da licença-paternidade contribui para reduzir desigualdades de gênero, ao redistribuir o trabalho doméstico e de cuidados, historicamente sob a responsabilidade das mulheres.  

O parecer técnico da pasta argumentou que a  presença paterna nos primeiros dias de vida da criança fortalece vínculos afetivos e favorece o desenvolvimento infantil, além de alinhar o Brasil a recomendações internacionais sobre igualdade de gênero e licenças parentais. 

Impactos positivos na vida da mulher 

Outro ponto positivo é que a lei impacta também na autonomia econômica feminina, ao mitigar os efeitos da “penalização da maternidade no mercado de trabalho” — fenômeno em que mulheres, ao terem filhos, passam a sofrer impactos negativos na carreira, como salários menores, menos oportunidades de promoção, maior risco de demissão, interrupções na trajetória profissional. 

“Isso acontece porque, historicamente, o cuidado com os filhos recai quase totalmente sobre as mães. E quando a licença-paternidade é ampliada, parte dessa responsabilidade passa a ser compartilhada com os pais”, argumenta a ministra das Mulheres. 

Ela acrescenta que, além de reduzir a sobrecarga exclusiva sobre as mulheres, a licença-paternidade diminui o preconceito de empregadores que veem mulheres como “menos disponíveis”, por conta da responsabilidade dos cuidados com os filhos.  

 

Fonte: Ministério das Mulheres

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade