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Variedades
Domingo, 14 de maio de 2017, 12h59

Delegada, escrivã e investigadora falam sobre a rotina de serem mães e policiais


Policiais e mães. Não importa qual o cargo que ocupem, elas conciliam a dureza do trabalho policial com a responsabilidade de serem mães e educadoras. Assim é a rotina de muitas mães policiais, sejam civis, militares ou guardas municipais. Quando chegam em casa, encontram o olhar doce dos filhos e, naquele momento, esquecem as dificuldade da profissão.

As histórias de uma delegada, uma escrivã e uma investigadora da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT) representam a rotina de tantas outras mulheres que harmonizam a atividade profissional com a vida de mãe.

Ser mais suave

Se ser mãe é padecer no paraíso, imagina para quem é delegada de polícia e convive diariamente com o drama, a violência e a criminalidade cometidas contra famílias inteiras. “Ter filho torna a gente muito melhor. Sinto que tinha outra personalidade antes deles nascerem. Você se suaviza e passa a ter medo de tudo, em razão deles”, conta a delegada regional de Nova Mutum, Alessandrah Marquez Alecrim.

Mãe de Marcelo Alecrim Ferronato, de 13 anos, e Mariana Alecrim Ferronato, de oito anos, a delegada iniciou sua carreira em 2003, na cidade de Cáceres, onde nasceu o primeiro filho, logo nos primeiros anos de ingresso na Polícia Judiciária Civil.

“A gente, que trabalha no interior, está sempre de sobreaviso. A rotina é extremamente cansativa, ainda mais no Cisc, que tinha 53 servidores. Eu chegava em casa com a cabeça 'quente' e tinha duas pessoas para dar atenção”, lembra.

Delegada novata, no começo de carreira, ela conta que foi mais difícil com o primeiro filho, Marcelo, até que aos 11 meses de idade do menino, conseguiu uma secretária que mora com a família até hoje. “Antes da Natalina chegar, eu não conseguia trabalhar direito, tinha duas babás, uma para o dia e outra para a noite (...). Houve vezes que eu os levei dormindo no carro, resolvia o que tinha para fazer na Delegacia e voltava”, recorda.

Vencendo obstáculos

Quando ingressou na Polícia Civil, em 2011, a escrivã Indianara Betoldo Vestana Ribeiro já era mãe dos gêmeos Otávio e Nicole, atualmente com sete anos. Na época, o marido de Indianara também passou para o cargo de escrivão de polícia. Enquanto ele se dedicava aos estudos na Academia de Polícia (Acadepol), ela, mesmo participando de todas as atividades preparatórias da academia, tinha que encontrar disposição para se dedicar às crianças quando chegava em casa.

As boas notas na Acadepol eram necessárias para que a família ficasse na Capital, uma vez que Nicole teve sequelas de uma paralisia cerebral após o nascimento. Por esse motivo, mesmo tendo um desenvolvimento normal, a criança possui dificuldades motoras no lado esquerdo do corpo, que necessitam de tratamento.

Nicole faz fisioterapia desde o quatro meses de idade, alongamento e outros tratamentos não disponíveis no interior do estado, como aplicação de terma, e de botox de seis em seis meses.

Mesmo com toda a dedicação do casal, a primeira lotação dos escrivães foi em Primavera do Leste. Indiara tinha que vir para Cuiabá de 15 em 15 dias para realizar o tratamento da filha e durante esse período, o marido cobria os plantões dela na delegacia. “A maior dificuldade é que eu não tinha só uma criança, mas duas para cuidar, uma vez que Otávio também tinha as necessidades dele”, explica.

A escrivã chegou a pedir licença médica para tratamento de saúde da filha, mas ficar fora da atividade profissional não era sua vontade. “Eu queria muito trabalhar, gosto de estar ativa, e tentei conciliar as duas funções, mas eu não conseguia”, destaca.

A situação mudou quando o casal conseguiu a transferência para a Capital. Hoje, Indianara concilia o trabalho de escrivã com as atividades dos filhos. Além de frequentar a escola convencional, Nicole faz outros tratamentos com fonoaudióloga, psicóloga, terapia ocupacional, natação e ballet, além das atividades de Otávio, que atualmente está na aula de judô.

“Mesmo contando com a ajuda de uma funcionária que acompanha minha filha nas atividades, sou eu quem busco e levo para tudo, por isso, preciso contar com a compreensão dos meus colegas e superiores nas unidades em que trabalho, mas nunca deixei de cumprir minhas responsabilidades”, destacou a escrivã, que ainda encontra tempo para fazer atividades físicas e aulas de dança com a filha.

Grande família

Mãe do Vitor Hugo, de 18 anos, Gabriel, de 14 anos, e da Maíra, de sete anos, a investigadora, Marlúcia Moreira Neves, realizou o sonho de ser mãe de quatro filhos com o nascimento do caçula Davi Lucas, há pouco mais de um mês.

A policial afirma que, para algumas pessoas, ver uma mulher e profissional com três filhos engravidar do quarto, chega a ser chocante. Mas esse sempre foi seu desejo. “Seria ótimo se eu tivesse tido duas gravidezes gemelares, uma vez que passo muito mal durante esse período, mas não tive essa sorte. Meus filhos, de forma planejada, vieram em tempos diferentes com uma distância bem grande de idade entre eles”.

Para Marlúcia, conciliar a vida de policial com a de mãe não é tão diferente quanto em qualquer outra área profissional, porém, uma das grandes dificuldades é lidar com a “paranoia” causada pelos fatos vivenciados na vida policial, tanto relacionados à violência contra a criança como também a questão de infrações cometidas por menores.

“Sendo mãe e policial, acho que o senso de responsabilidade fica maior, a observação se o filho está fazendo algo errado é intensificada, gerando um excesso de zelo e de 'investigação' dentro da própria casa”, ressalta.

Mesmo com todas as dificuldades para criar e educar crianças nos dias atuais, a investigadora acredita que a educação dos filhos é uma prioridades.

“Ter filho é uma dádiva de Deus e não uma questão financeira. A primeira coisa em minha vida sempre foi cuidar dos meus filhos, participar da vida deles da melhor maneira possível. Para mim e para o meu marido, isso é prazeroso e não oneroso ou um sacrifício, pelo contrário, a minha diversão é estar com a minha família”, garante.

 


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