2° Fórum Nacional de Gestores discute como recursos da Política Aldir Blanc vão fortalecer a cultura comunitária

Foto: Danilo Zeppelin

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O fortalecimento da cultura feita nos territórios e comunidades de todo o Brasil ganhou o centro dos debates na 6ª Teia Nacional, que acontece em Aracruz (ES). Durante o 2º Fórum Nacional de Gestores Cultura Viva, participantes discutiram como os recursos da Política Nacional Aldir Blanc podem ser aplicados de forma mais simples e direta, garantindo que o dinheiro chegue de fato a quem faz cultura na ponta por meio de uma gestão compartilhada entre governo e sociedade.

Na abertura dos debates, o assessor-chefe de Cultura e Sociedade da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, Thiago Sales, destacou o caráter formativo do Fórum e a importância do espaço como ambiente de construção coletiva. “Este encontro foi estruturado para ampliar o acesso às informações sobre a Cultura Viva e possibilitar a elaboração de encaminhamentos concretos, como uma carta de proposições pactuada entre gestores e sociedade civil”, afirmou.

Ao tratar do contexto nacional das políticas culturais, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura, Cassius Rosa, destacou o caráter estruturante da Política Aldir Blanc como marco de uma nova fase do financiamento cultural no país. “Pela primeira vez, o Brasil conta com um fluxo contínuo de recursos para estados e municípios, fortalecendo o pacto federativo e descentralizando a execução das políticas culturais”.
Também ressaltou que a destinação de recursos para a Política Nacional de Cultura Viva representa um avanço estratégico, garantindo orçamento permanente para ações de base comunitária e ampliando o alcance da política nos territórios.

O diretor da Política Nacional de Cultura Viva do MinC, João Pontes, reforçou o caráter coletivo das conquistas recentes. Ele destacou que a vinculação de recursos da Aldir Blanc à Cultura Viva representa uma decisão estratégica para consolidar a política nos territórios. “Estamos falando de uma política que cresce em rede e que precisa ser fortalecida com qualidade, garantindo parâmetros e integração com outras políticas públicas”, pontuou.

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Qualificação da execução

A coordenadora-geral de Instrumentos Técnicos e Jurídicos do Ministério da Cultura, Laís Valente, apresentou os principais instrumentos de execução da política, destacando a adesão quase total dos entes federados. Ela ressaltou que a política alcançou níveis inéditos de participação no país. “Nenhuma outra política federativa com adesão voluntária conseguiu atingir esse nível de capilaridade”, afirmou, ao mencionar a adesão de praticamente todos os estados e municípios.

Laís também destacou os avanços na criação de ferramentas de monitoramento, transparência e no marco regulatório do fomento cultural, fundamentais para garantir segurança jurídica e qualificar a aplicação dos recursos.

Garantia de direitos e desafios dos municípios

A centralidade das ações afirmativas na política cultural e as realidades territoriais também estiveram entre os assuntos da mesa.

“Estamos diante da maior implementação de ações afirmativas já realizada em políticas culturais no Brasil, com incidência direta nos estados e municípios”, destacou a chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério da Cultura, Mariana Braga.

Ela enfatizou ainda que as cotas são apenas um dos instrumentos e que é fundamental pensar as ações afirmativas de forma ampliada, considerando as realidades territoriais e a diversidade cultural brasileira.

Já o presidente da Rede Nacional de Gestores Municipais de Cultura e secretário de Cultura de Valença (BA), David Terra, trouxe a perspectiva dos pequenos municípios e destacou os desafios enfrentados na execução das políticas culturais.

Ele ressaltou a importância do fortalecimento do pacto federativo e da ampliação do acesso e dos recursos. “A gente precisa pensar uma política que alcance de forma justa os municípios, respeitando suas realidades, potencializando o que já existe nos territórios, pois o crescimento da política precisa vir acompanhado de investimentos proporcionais”, afirmou.

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Participação social

Representando a sociedade civil, a integrante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, Célia do Pim, destacou a trajetória da Cultura Viva e a importância da construção em rede.

Ela chamou atenção para os desafios da atual etapa da política. “A gente precisa garantir que essa expansão aconteça com qualidade e que a Cultura Viva continue sendo uma política de articulação, participação e transformação nos territórios”, afirmou.

A plateia participou ativamente do debate, trazendo dúvidas, experiências e contribuições a partir das realidades locais.

Entre as falas, o secretário municipal de Cultura de Rio Verde (GO), Isaac Pires, destacou a transformação promovida pelas políticas culturais desde a Lei Aldir Blanc. “Quando eu vejo chegar a quase 100% de adesão dos municípios, isso mostra uma mudança cultural no reconhecimento da importância da cultura no país”, afirmou.

Ele também defendeu o fortalecimento institucional da cultura nos municípios. “É urgente criar secretarias de cultura nas cidades do interior. Quando a cultura fica subordinada a outras áreas, ela se enfraquece politicamente”, ressaltou.

As intervenções da plateia contribuíram para esclarecer dúvidas, compartilhar experiências e construir propostas concretas, que irão subsidiar a elaboração da Carta do 2º Fórum Nacional de Gestores e Gestoras da Cultura Viva.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Fonte: Ministério da Cultura

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