O Globo
No centro de uma investigação que liga o Primeiro Comando da Capital (PCC) à Faria Lima, os empresários Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, estão negociando um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A informação, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi confirmada pelo Globo.
Foragidos da Justiça, os dois foram alvos da maior operação contra o crime organizado no país, a Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025. Eles são apontados como elementos centrais do esquema que permitiu ao PCC se infiltrar no setor de combustíveis e chegar ao coração financeiro do país. Cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, segundo as investigações.
Em nota, o chefe do MP paulista, o procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirma que o objetivo da delação é “impessoal”.
“Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis. Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, diz o texto.
Nos bastidores, a informação é de que ambos teriam informações suficientes para implicar políticos em crime e colocá-los na mira dos investigadores.
Caso isso ocorra, é da Procuradoria-Geral da República (PGR) a competência constitucional e legal para investigar e processar criminalmente políticos com foro privilegiado no Brasil, como deputados federais, senadores, ministros de Estado e o Presidente da República
Procurado, o advogado Celso Vilardi, que faz a defesa de Silva, não respondeu sobre o acordo de delação premiada. O espaço permanece aberto. Já a defesa de Mourad não foi localizada.
Atuação no esquema
Mourad é ligado ao grupo Aster/Copape, e foi descrito como o “epicentro das operações”. As investigações apontam que ele chefiava a organização que utilizava empresas do setor para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Ele teria formado uma rede criminosa com parentes, sócios e profissionais cooptados.
Já Silva seria co-líder da organização. Segundo as investigações, ficava responsável por gerir as empresas Copape e Aster, pelas quais o grupo cometia as fraudes fiscais e viabilizava a lavagem de dinheiro.
A primeira fase da Operação Carbono cumpriu mandados de busca e apreensão para cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
























