Indígenas da região Sul discutem Marco Legal de Proteção dos Conhecimentos Tradicionais e Populares

Foto: Comitê de Cultura do Rio Grande do Sul

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O avanço na proteção dos conhecimentos e expressões culturais dos povos indígenas é cada vez mais urgente. Debates sobre esse tema irão acontecer em todo o Brasil, dentro dos seminários para consulta sobre Marco Legal de Proteção de Conhecimentos Tradicionais, Expressões Culturais Tradicionais e Expressões da Cultura Popular. 

Esta quarta-feira (18),  foi a vez das lideranças indígenas da região Sul debaterem a minuta da proposta. O encontro foi realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS). Na pauta, temas como a necessidade de consentimento para uso dos saberes tradicionais, a proteção ao secreto e sagrado, um modelo de repartição de benefícios e um cadastro para registro dos conhecimentos e expressões.

Circularam pelo evento cerca de 150 pessoas. Estiveram presentes na mesa de abertura o secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura (MInc), Marcos Alves de Souza; representando a mInistra dos Povos Indígenas, Edilson Baniwa, diretor do Departamento de Línguas e Memórias Indígenas do (MPI); a diretora do Museu dos Povos Indígenas, Juliana Tupinambá; a diretora do Departamento da Igualdade Étinico Racial da Secretaria de Justiça Cidadania e Direitos Humanos do Estado do RS, Sanny Figueiredo; representando a secretaria de Educação do RS, Isael da Silva Pinheiro, do Departamento de Educação Escolar Indígena; representando a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), o professor Rafael Milheira e o coordenador do Conselho Estadual dos Povos Indígenas do RS, Luis Salvador.

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Entre os participantes, nomes como Maria Inês, coordenadora regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Passo Fundo (RS). Para ela, a proteção aos conhecimentos dos povos indígenas é urgente, uma vez que a burocracia afasta os povos indígenas da máquina pública. “A construção coletiva é extremamente necessária para uma legislação que atenda de fato e de direito as necessidades dos povos indígenas. Ainda há muito desconhecimento e desinformação, somos prejudicados e nem sabemos. A partir do momento que passamos a conhecer os nossos direitos, podemos também lutar por eles”, afirma.

A programação contou com falas institucionais, exposição da proposta de construção participativa do marco regulatório. No início da tarde, Susana Kaingang relatou a experiência da consulta realizada para produção da Série Luz, da Netflix, destacando a importância da proteção prevista na minuta e dos benefícios para os povos. Em seguida, as lideranças indígenas foram divididas em quatro grupos para conversar sobre a proposta.  

Para Edilson Baniwa,  atualmente há muitos desafios no reconhecimento e na proteção aos direitos autorais dos povos indígenas, que podem ser superados com a adoção de uma legislação específica – especialmente por ela estar sendo construída em conjunto com os povos interessados. 

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Para ele, o Marco Legal é mais do que uma mera legislação: é algo capaz de transformar realidades. “Acredito muito que quando essa minuta se tornar uma regulação, possa ajudar a trazer mais autoestima para os povos indígenas. Estamos construindo a vida das nossas expressões e conhecimentos culturais. É um instrumento de vida material e espiritual”, garante.

Texto: Comitê de Cultura no Rio Grande do Sul

Fonte: Ministério da Cultura

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