Parabéns, Cuiabá! Menos infelicidade!

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Jairo Pitolé Sant’Ana

Normalmente, quando alguém aniversaria, o costume nos manda desejar “Parabéns!”, “Muitas felicidades!”. Porém, infelizmente, no caso de Cuiabá, hoje completando 307 anos de fundação, o desejo mais correto é “Menos infelicidade!”. Caso alguém, talvez algum habitante da bolha da irrealidade, pergunte o porquê, a resposta é simples: a cidade está sem governança, entregue à própria sorte. A bem da verdade, desde que aqui cheguei, há 43 anos, com raras exceções, nunca foi bem cuidada.

Já pensou, solidário leitor, numa urbe cortada por 28 córregos, e dois rios para onde afluem, piscosos e de águas límpidas? Seria o máximo, né? Haveria sempre um à disposição para se refrescar, tentar pescar uma piraputanga ou um curimbatá, entre inúmeros outros, para garantir a proteína do dia a dia ou simplesmente admirar, pois, sem risco de errar, seria uma de suas maravilhas. Pois é! Assim poderia ser Cuiabá, caso seu crescimento fosse administrado de forma menos predatória. Como não foi, a conta está sendo paga. A água que equilibrava a umidade do ar, amenizando as altas temperaturas e protegendo pulmões infantis e idosos, foi substituída pelo esgoto, a maioria a céu aberto.

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Tal como os córregos, o centro histórico, embora tombado em 1993 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), abandonado, se esvai. Quando passamos pelas ruas Voluntários da Pátria e Campo Grande, dá dó de ver aqueles prédios escorados para serem mantidos de pé. Alguns já desabaram, como a Casa de Bem Bem, na rua Barão de Melgaço, em 2019, ou um outro casarão no entorno da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, em 2022. E no mês passado, os desabamentos “parciais” da Gráfica Pêpe e do Museu de Imagem e do Som (MISC). Ah! Os pedestres que se cuidem, pois não tem muito para onde correr, pois os passeios são mínimos. Aliás, Cuiabá, cuja população dobrou a cada década entre os anos 1960/90, não cresceu pensando nos pedestres, apenas nos veículos.

Um parêntesis: O descaso com o pedestre é tamanho, que há anos a passarela da avenida Fernando Correa, após a ponte do Coxipó no sentido bairro, precisa de reparos. A administração anterior fez um serviço bem mequetrefe, mas durou um pouco. Atualmente, é um perigo iminente, mas a inércia dos responsáveis é total. Um descaso. Voltando aos veículos. Pensaram neles, mas a manutenção dos logradouros por onde trafegam é basicamente inexistente. Os buracos proliferam e o mato avança sobre o asfalto, transformando uma simples ida ao trabalho, ao mercado ou ao cinema em corrida de obstáculo. A vitória é chegar ao destino sem um pneu furado, uma roda empenada ou uma suspensão danificada. Ô sina!

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Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista em Cuiabá MT

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