Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania realiza oficinas de comunicação popular a indígenas LGBTQIA+ no Mato Grosso do Sul

(Foto: Daniela Pinheiro/MDHC)

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O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, a 1ª Oficina de Comunicação Popular com a Juventude Indígena Guarani-Kaiowá no município de Douradina (MS). A ação promoveu o fortalecimento da auto-organização, o enfrentamento às violências e a capacitação técnica em torno das principais ferramentas de tecnologia da informação a jovens indígenas LGBTQIA+ da etnia Guarani-Kaiowá.

Imagem feita pela participante da oficina Renata Paschoal (Foto: Renata Paschoal)
Imagem feita pela participante da oficina Renata Paschoal (Foto: Renata Paschoal)

As atividades, possibilitadas pela articulação da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (SLGBTQIA+) com instituições parceiras, compuseram o Programa Nacional de Enfrentamento à Violência e Promoção dos Direitos Humanos das Pessoas LGBTQIA+ nos Territórios do Campo, das Águas e das Florestas (Bem Viver+), instituído por meio da Portaria Interministerial nº 1, de 3 de dezembro de 2024, resultado da parceria entre o MDHC, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR).

A programação também buscou socializar a cultura, os saberes e fortalecer os laços entre os jovens da etnia que, de acordo com o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui uma população de mais de 50 mil indígenas em todo o país.

Atividades

(Foto: Daniela Pinheiro/MDHC)
(Foto: Daniela Pinheiro/MDHC)

Durante a quinta-feira (30), foi realizada a abertura dos trabalhos, com a Secretaria de Cidadania de Douradina; a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); a Retomada Aty Jovem (RAJ); e a Juventude Indígena da Diversidade Guarani-Kaiowá (JUIND). Também foi realizada uma roda de conversa, onde foram debatidos os desafios e perspectivas da comunicação popular na luta dos povos indígenas e o papel das redes sociais nesse processo.

Na sexta-feira (1), representantes do MDHC e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram oficinas para a produção de produtos comunicacionais. Dentre os formatos, foram abordados conceitos relacionados ao design; audiovisual; fotografia; conteúdos em áudio; além de um aprofundamento nos formatos digitais, que têm ganhado cada vez mais espaço e influência na vida das pessoas em todo o mundo.

O ativista e mestre em Geografia pela UFGD, Germano Kaiowá, destacou que a falta de conhecimento técnico para a produção de conteúdos é uma das maiores dificuldades que o seu povo possui, e que a programação colaborou para avançar sobre esse obstáculo. “Para além da escassez de tecnologia para amplificar a nossa voz, temos dificuldades em entender como elas funcionam. As oficinas nos ajudaram nesse sentido. Vi muitos jovens demonstrando interesse em aprender e fazer com que nossos processos de comunicação dentro de nossas reservas e aldeias sejam facilitados, e expandir nossa luta e conhecimentos para além de nossas fronteiras”, declarou.

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Daniela Pinheiro, videomaker do MDHC, comentou que os conhecimentos compartilhados com a juventude Guarani-Kaiowá fortalecem a sua autonomia para que sejam protagonistas e possam contar suas próprias histórias a partir do seu olhar, vivência e da própria relação com o território. “Trabalhamos não apenas com o registro, mas também com o saber ancestral transmitido entre gerações pela palavra, os ritos e o próprio corpo”.

Imagem feita pelo participante da oficina Niki Keven (Foto: Niki Keven)
Imagem feita pelo participante da oficina Niki Keven (Foto: Niki Keven)

À noite, os envolvidos dialogaram pela construção da Rede de Autoproteção, Cuidado e Fortalecimento do Bem Viver Guarani-Kaiowá, a Nhangareko, que na língua local significa “nosso modo de vida”, uma expressão que traduz a união entre os povos em torno da causa.

Durante o sábado (2), a RAJ, uma iniciativa com o propósito de mobilizar jovens indígenas pela luta por seus direitos, territórios, saúde e educação; e a JUIND, voltada à defesa dos direitos da juventude indígena LGBTQIA+, foram temas das atividades. Na ocasião, foram discutidos métodos de organização da comunicação e meios de potencializá-la com foco no fortalecimento desses movimentos.

O domingo (3), quarto e último dia de encontro, foi destinado à troca de ideias para o planejamento e realização do 11º Encontro da Retomada Aty Jovem que deve ocorrer no segundo semestre de 2026.

Impactos

(Foto: Alessandro Mariano/SLGBTQIA+/MDHC)
(Foto: Alessandro Mariano/SLGBTQIA+/MDHC)

Como resultado do encontro, os jovens Guarani-Kaiowá aplicaram o aprendizado produzindo conteúdos em diversos formatos que contam sobre a história de seu povo e a rotina na aldeia, desmistificando preconceitos. Com isso, o que se espera é que esses conhecimentos sejam utilizados para o enfrentamento à discriminação e à desinformação.

O chefe de gabinete da SLGBTQIA+, Wesley Lima, destacou a oficina como ferramenta importante para a promoção dos direitos básicos à população indígena do Mato Grosso do Sul. Para ele, “trabalhar a comunicação é uma forma de entender a memória como elemento estratégico, já que ela documenta a existência e fatos.”

Wesley ainda destaca que a 1ª Oficina de Comunicação Popular com a Juventude Indígena Guarani-Kaiowá é uma forma de registrar e amplificar a luta dos povos indígenas, fazendo com que eles sejam cada vez mais inseridos em políticas públicas de segurança, saúde, educação e outros aspectos que compõem os direitos humanos.

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Reconhecimento, respeito e valorização da cultura

O Programa Bem Viver+ tem como um dos pilares estruturantes a valorização e autodeterminação dos povos tradicionais. Isso significa que todas as atividades realizadas buscam fortalecer elementos da cultura e que compõem a identidade das pessoas atendidas. Ao longo das atividades, o povo Guarani-Kaiowá manifestou suas tradições celebrando cantos e rezas, algumas, das várias, manifestações de sua cultura.

Imagem feita pela participante da oficina Cleidemara Vilhalva (Foto: Cleidemara Vilhalva)
Imagem feita pela participante da oficina Cleidemara Vilhalva (Foto: Cleidemara Vilhalva)

Wesley avaliou que a atuação do Estado deve compreender a multiplicidade de seu povo, o que promove aproximação e o engajamento dos indivíduos em torno de soluções efetivas para problemas que constituem suas realidades. “A partir das nossas ações nos territórios, o nosso objetivo é fortalecer esses povos para que seu canto, sua reza e suas manifestações artísticas sejam elementos constitutivos do enfrentamento da violência e da promoção da cidadania”, completou.

Bem Viver+

O Bem Viver+ tem como principal objetivo enfrentar a violência e promover os direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ que vivem em contextos rurais e tradicionais, especialmente nos territórios do campo, das águas e das florestas. Inspirado pelo conceito ancestral e contemporâneo de “Bem Viver”, o programa se referencia em um modelo de vida baseado nas relações de solidariedade e harmonia entre os seres humanos, em toda a sua diversidade, e o meio ambiente.

A política faz parte da Estratégia Nacional de Enfrentamento à Violência contra Pessoas LGBTQIA+, instituída pela Portaria MDHC nº 756, de 5 de dezembro de 2023, que busca combater a LGBTQIAfobia, promover a inclusão social e garantir o pleno exercício da cidadania para a população LGBTQIA+ dos mais diferentes territórios, com um foco especial, no caso do Bem Viver+, em camponeses, povos indígenas, quilombolas, pescadores, caiçaras e outros grupos vulnerabilizados que habitam essas regiões.

O Bem Viver+ valoriza a diversidade cultural e étnica, promove o respeito aos direitos humanos e busca a construção de territórios livres de preconceitos e violências, nos quais as pessoas LGBTQIA+ possam viver com dignidade.

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Texto: R.B.

Edição: F.T.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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