Fernanda Lima de Araujo não fala de números quando descreve as mudanças recentes no serviço público. Ela fala de vivências em seu dia a dia. De voltar para casa com menos preocupação, de perceber o próprio trabalho sendo reconhecido, de sentir que, aos poucos, algo está mudando. “Essas mudanças não mexeram só com benefícios. Elas mudaram a forma como a gente se vê e como o serviço público é visto lá fora”, resume a servidora do Arquivo Nacional.
A percepção dela ecoa uma transformação que não acontece de um dia para o outro, mas que vai se construindo no cotidiano. No valor que passa a cobrir melhor a alimentação do mês, no apoio que chega quando se tem um filho pequeno, ou na segurança de conseguir cuidar da própria saúde sem comprometer o orçamento. São mudanças que redesenham a experiência de quem está na linha de frente das políticas públicas.
É nesse contexto que se insere a terceira matéria da série especial em celebração ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, em que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) apresenta como a ampliação de benefícios vem impactando, na prática, a vida de servidoras e servidores do Executivo federal. Um movimento que dialoga com a agenda mais ampla de Transformação do Estado, que olha para as pessoas como parte central da capacidade do Estado de entregar melhores serviços.
Um dos exemplos mais visíveis dessa mudança está no auxílio-alimentação. O valor, que era de R$ 458 em 2022, chega agora a R$ 1.192, aumento acumulado de 160%, recuperando perdas e se aproximando da realidade do custo de vida.
O mesmo movimento alcança outros aspectos da vida cotidiana. A assistência pré-escolar de R$ 526,34 ajuda a equilibrar trabalho e cuidado, especialmente para quem precisa conciliar carreira e maternidade. Já a assistência à saúde suplementar, que pode chegar até a R$ 464,89 a depender da faixa etária e salarial, amplia o acesso a cuidados médicos para cerca de 865 mil pessoas, entre servidores ativos, aposentados, pensionistas e dependentes.
Há também mudanças que corrigem distorções históricas. A indenização de transporte, por exemplo, ficou mais de duas décadas sem atualização. Agora, com o teto elevado de R$ 17 para R$ 82,36, passa a refletir de forma mais realista os custos enfrentados por quem precisa se deslocar para atividades externas.
Por trás dessas medidas, existe um processo que também foi reconstruído: o diálogo. A retomada da Mesa Nacional de Negociação Permanente, em 2023, reabriu um canal institucional para tratar de remuneração, condições de trabalho e valorização. Não se trata apenas de negociar números, mas de reorganizar a forma como as decisões são construídas: com escuta, mediação e previsibilidade.
Essas mudanças começam a produzir um efeito que vai além do contracheque. Elas contribuem para reposicionar o serviço público como um espaço de trabalho mais sustentável, mais equilibrado e mais conectado com as necessidades reais de quem o sustenta todos os dias. Com isso, o impacto não fica dentro dos órgãos: ele chega também na qualidade do serviço entregue à sociedade.
Dignidade, perspectiva e reconhecimento
No Rio de Janeiro, Antônio Carlos Ferreira Vianna, enfermeiro do Hospital Federal da Lagoa, conta que as novas condições trouxeram mais do que uma melhoria na renda mensal. “A principal mudança é a motivação dos servidores ao percebermos que a direção governamental passou a ser a de valorização”.
Em Brasília, Alexandre Marcus Paiva da Silva, servidor do MGI, resume sua trajetória com uma palavra: alívio. Hoje, ele vê nas melhorias recentes — como a reestruturação de carreiras, a ampliação de auxílios e o reajuste salarial — um novo cenário. “Depois de anos de ajustes financeiros, sinto que agora poderemos respirar, termos um fôlego, poder planejar voos mais altos, tanto no sentido pessoal como profissional”.
Um trabalho mais humano e inclusivo
A construção de ambientes de trabalho mais humanos e inclusivos tem sido uma das frentes centrais da agenda conduzida pelo MGI. Para a ministra Esther Dweck, a valorização no serviço público passa, necessariamente, pela criação de condições concretas para que as pessoas possam exercer seu trabalho com dignidade, segurança e autonomia. “Estamos falando de garantir condições reais para que servidoras e empregadas públicas possam seguir suas vidas com autonomia, segurança e liberdade para fazer escolhas. Cada política de proteção representa um avanço concreto na construção de um Estado que cuida de quem cuida da sociedade”, afirma a ministra.
É a partir dessa diretriz que iniciativas voltadas ao bem-estar e à equidade vêm sendo estruturadas. Um exemplo está na implantação de salas de amamentação nos prédios da Esplanada dos Ministérios. Os espaços oferecem estrutura adequada para amamentação e armazenamento de leite durante a jornada de trabalho, contribuindo para a conciliação entre vida profissional e maternidade. Atualmente, as salas já estão em funcionamento nos blocos C e K e, ainda em 2026, a iniciativa será ampliada para o Bloco P e para o edifício dos Blocos Regionais. Ao todo, serão quatro salas, atendendo dez órgãos.
O mesmo olhar orienta medidas voltadas à proteção de pessoas servidoras em situação de vulnerabilidade. A Portaria Conjunta do MGI e do Ministério das Mulheres nº 88, de 2025, garante que servidoras — e servidores em relações homoafetivas — em situação de violência doméstica e familiar possam solicitar remoção, redistribuição ou mudança de lotação, permitindo o afastamento de ambientes de risco e a preservação de sua integridade física e emocional.
De forma complementar, a Instrução Normativa Conjunta nº 137, publicada em abril deste ano, atualiza o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) e autoriza a adoção do teletrabalho nesses casos, após a mudança de lotação. A medida assegura que a pessoa possa manter suas atividades profissionais em condições seguras, sem interrupções abruptas em sua trajetória.
As iniciativas se conectam a um esforço mais amplo de articulação institucional, alinhado ao Plano Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, instituído em 2024, e ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro deste ano, em uma atuação coordenada entre os três Poderes, voltada à prevenção da violência e à promoção de ambientes mais seguros em todo o país.
Especial
Esta matéria integra o especial do MGI em celebração ao Dia do Trabalhador, comemorado em 1º de maio. Ao longo da série, as reportagens mostram como um conjunto amplo de medidas vem redesenhando a rotina de quem atua no serviço público federal.
Mais do que apresentar ações isoladas, o especial revela um movimento estruturado de transformação que conecta valorização, recomposição da força de trabalho, modernização das carreiras e melhoria das condições de trabalho. São mudanças que partem das pessoas e se refletem na capacidade do Estado de entregar serviços mais eficientes, inclusivos e alinhados às necessidades da população.
As histórias mostram que transformar o Estado passa, necessariamente, por valorizar pessoas, porque é nelas que a política pública ganha forma, chega à população e faz diferença de verdade.
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Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos






















