Comunidades indígenas reforçam papel da preservação da água no Projeto Lagoa Mirim

Projeto Lagoa Mirim fortalece participação indígena na preservação das águas (Foto: Rodrigo Hanna/MIDR)

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Brasília (DF) – Trazer o protagonismo da água e ressaltar seu papel como fonte de vida, identidade e futuro é o foco das ações do Projeto Lagoa Mirim, iniciativa da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Localizada na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, a Lagoa Mirim é uma das maiores lagoas da América do Sul e integra um importante sistema hídrico compartilhado entre os dois países. O projeto busca promover a gestão integrada e sustentável dessas águas.

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Marcos e Gildo destacam importância da preservação da água

Para comunidades indígenas do Sul do país, o projeto representa mais do que planejamento técnico: é a oportunidade de garantir que seus modos de vida sejam respeitados e preservados. O cacique Kaingang Marcos Salvador, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, destaca que pensar no cuidado com a água é pensar no futuro coletivo. “A água para nós, indígenas, é importante porque a gente tem que pensar no futuro. No futuro das nossas crianças, no futuro do ser humano”, afirma. Segundo ele, a presença indígena nos debates é fundamental justamente pelo papel histórico dessas comunidades na preservação ambiental. “É importante a gente como indígena estar representado aqui, porque somos nós que fazemos esse tipo de preservação”, reforça. 

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Marcos também chama atenção para os impactos das mudanças climáticas, já percebidos no cotidiano das aldeias. “Nós indígenas já estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas. Estamos vendo o impacto que está causando no meio ambiente”, relata. Para ele, o Projeto Lagoa Mirim surge como uma ação necessária e urgente. “A gente tem que fazer uma ação agora, porque no futuro a gente não sabe como vai ser”, completa. 

“A água é tudo pra nós” 

Essa mesma conexão com a água está presente na trajetória de Gildo Gomes da Silva, cacique da aldeia Tekoá Pararoqué, no município de Rio Grande. Para ele, o projeto é importante porque a lagoa é de extrema importância para a segurança alimentar das comunidades. “É através da lagoa que a gente consegue usar a água para que nossos alimentos sejam saudáveis, para regar e para viver”, afirma o também estudante de Direito da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). 

De acordo com Gildo, a água é um elemento central da cultura indígena. “A água é tudo para nós. É através dela que a gente faz nossas comidas, bebe água e mantém a nossa vida, desde que seja limpa, potável e saudável”, ressalta. O indígena também vê no projeto um espaço essencial para aprendizado e troca de saberes. “Estou disposto a ouvir, entender a importância da bacia hídrica e somar nessa luta”, diz. 

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O cacique reforça ainda que o conhecimento indígena pode contribuir de forma significativa para a gestão sustentável da água. “A gente tenta cuidar da água da forma mais natural possível, não jogar lixo, não poluir, porque a gente pesca ali. A gente preserva o que é mais importante na nossa vida, que é a água”, relata. 

Ao promover espaços participativos e incluir as vozes das comunidades tradicionais, o Projeto Lagoa Mirim reafirma que a segurança hídrica passa, necessariamente, pelo respeito às culturas, aos territórios e aos saberes ancestrais. Para Marcos e Gildo, participar dessas discussões é garantir que a preservação da água caminhe junto com a preservação da vida.

 


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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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