Brasília (DF) – Trazer o protagonismo da água e ressaltar seu papel como fonte de vida, identidade e futuro é o foco das ações do Projeto Lagoa Mirim, iniciativa da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Localizada na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, a Lagoa Mirim é uma das maiores lagoas da América do Sul e integra um importante sistema hídrico compartilhado entre os dois países. O projeto busca promover a gestão integrada e sustentável dessas águas.
Para comunidades indígenas do Sul do país, o projeto representa mais do que planejamento técnico: é a oportunidade de garantir que seus modos de vida sejam respeitados e preservados. O cacique Kaingang Marcos Salvador, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, destaca que pensar no cuidado com a água é pensar no futuro coletivo. “A água para nós, indígenas, é importante porque a gente tem que pensar no futuro. No futuro das nossas crianças, no futuro do ser humano”, afirma. Segundo ele, a presença indígena nos debates é fundamental justamente pelo papel histórico dessas comunidades na preservação ambiental. “É importante a gente como indígena estar representado aqui, porque somos nós que fazemos esse tipo de preservação”, reforça.
Marcos também chama atenção para os impactos das mudanças climáticas, já percebidos no cotidiano das aldeias. “Nós indígenas já estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas. Estamos vendo o impacto que está causando no meio ambiente”, relata. Para ele, o Projeto Lagoa Mirim surge como uma ação necessária e urgente. “A gente tem que fazer uma ação agora, porque no futuro a gente não sabe como vai ser”, completa.
“A água é tudo pra nós”
Essa mesma conexão com a água está presente na trajetória de Gildo Gomes da Silva, cacique da aldeia Tekoá Pararoqué, no município de Rio Grande. Para ele, o projeto é importante porque a lagoa é de extrema importância para a segurança alimentar das comunidades. “É através da lagoa que a gente consegue usar a água para que nossos alimentos sejam saudáveis, para regar e para viver”, afirma o também estudante de Direito da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
De acordo com Gildo, a água é um elemento central da cultura indígena. “A água é tudo para nós. É através dela que a gente faz nossas comidas, bebe água e mantém a nossa vida, desde que seja limpa, potável e saudável”, ressalta. O indígena também vê no projeto um espaço essencial para aprendizado e troca de saberes. “Estou disposto a ouvir, entender a importância da bacia hídrica e somar nessa luta”, diz.
O cacique reforça ainda que o conhecimento indígena pode contribuir de forma significativa para a gestão sustentável da água. “A gente tenta cuidar da água da forma mais natural possível, não jogar lixo, não poluir, porque a gente pesca ali. A gente preserva o que é mais importante na nossa vida, que é a água”, relata.
Ao promover espaços participativos e incluir as vozes das comunidades tradicionais, o Projeto Lagoa Mirim reafirma que a segurança hídrica passa, necessariamente, pelo respeito às culturas, aos territórios e aos saberes ancestrais. Para Marcos e Gildo, participar dessas discussões é garantir que a preservação da água caminhe junto com a preservação da vida.
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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

























