A ministra da Cultura, Margareth Menezes, se reuniu nesta sexta-feira (8), em Brasília, com representantes de blocos afro para discutir a valorização do trabalho realizado pelos grupos para além do Carnaval. Durante o encontro, foram destacadas as ações culturais, educativas e sociais desenvolvidas ao longo de todo o ano nos territórios onde atuam, com impacto na valorização da cultura negra, na promoção do desenvolvimento humano e social, na redução da violência e na movimentação da economia criativa.
A reunião também debateu oportunidades de apoio contínuo às atividades desenvolvidas pelos grupos, por meio da Lei Rouanet, de estatais e de outras formas de financiamento e articulação institucional. Segundo o Ministério da Cultura, a proposta é ampliar as conexões entre os blocos afro e as políticas públicas voltadas à cultura, diversidade e economia criativa.
Durante a conversa, os representantes dos blocos destacaram que os grupos mantêm projetos sociais, oficinas de música e dança, formação artística, ações educativas e atividades voltadas à juventude negra em comunidades periféricas. As lideranças também defenderam maior acesso aos mecanismos de financiamento cultural e ao investimento privado.
Segundo a ministra Margareth Menezes, a construção de articulações coletivas pode fortalecer o acesso dos grupos às políticas culturais e ampliar as possibilidades de atuação institucional. “A partir do momento em que se cria uma articulação como essa, começa-se também a construir ações conjuntas e acessar outros espaços”, afirmou a ministra.
Para a ministra, os blocos afro representam uma potência cultural e econômica capaz de transformar realidades sociais.“Quando você apoia uma ação dessas, ela alcança milhões de pessoas. Muitas vezes, através de um garoto que aprende a tocar um tambor, ele sai da violência, encontra outra perspectiva de vida. Eu também fui salva pela arte”, declarou.
Conforme ressaltou Margareth Menezes, o fortalecimento das manifestações culturais negras também está ligado ao crescimento da economia criativa e à ampliação da presença internacional da cultura brasileira. “O que os grupos fazem é economia criativa. Cada ativo cultural desses representa geração de emprego e renda”, afirmou.
Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge, os blocos afro exercem papel fundamental na promoção cultural e na geração de oportunidades dentro das comunidades. “Estamos falando de grupos que movimentam comunidades inteiras, geram oportunidades e ajudam a divulgar a identidade cultural do Brasil dentro e fora do país”, disse.
De acordo com João Jorge, ampliar o apoio institucional aos grupos também significa fortalecer a presença da cultura brasileira em circuitos internacionais. “A presença do Brasil em festivais, feiras e eventos internacionais é fundamental para divulgar nossa cultura”, afirmou.
Representando o Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, afirmou que o encontro simboliza uma retomada do diálogo institucional com os blocos afro. “Muita gente conhece os blocos apenas como carnavalescos, mas o trabalho vai muito além do Carnaval”, disse.
Ao falar sobre a trajetória da capoeira e das manifestações afro-brasileiras, Tonho Matéria destacou o papel histórico desses movimentos na resistência cultural e na luta por reconhecimento.
“A capoeira esteve presente em todas essas lutas enquanto instrumento de resistência. Durante muito tempo, os blocos afro de matrizes africanas e indígenas não estavam contemplados nas políticas e documentações culturais”, afirmou.
A reunião faz parte de uma agenda de escuta e articulação com organizações culturais negras para ampliar conexões entre os grupos e as políticas públicas voltadas à cultura, diversidade e economia criativa.
Ao encerrar o encontro, a ministra Margareth Menezes afirmou que o papel do MinC é fortalecer pontes entre os fazedores de cultura, as políticas públicas e as oportunidades de circulação e investimento.
“Quem faz cultura é o povo. O Ministério cria possibilidades. E é isso que estamos fazendo aqui: ouvindo, construindo pontes e buscando caminhos para ampliar essa visibilidade e fortalecer essas iniciativas”, concluiu a ministra.
Fonte: Ministério da Cultura
























