Ministra Janine Mello prestigia pré-estreia de documentário sobre João Cândido e destaca importância da reparação histórica

(Foto: Raul Lansky/MDHC)

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A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, participou nesta quinta-feira (14) de sessão pública especial de pré-exibição do documentário “João Cândido, um herói sem máscara”, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) pela Assessoria de Defesa da Democracia, Memória e Verdade (ADMV), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O evento teve o objetivo de homenagear e promover reparação simbólica à figura histórica de João Cândido Felisberto.

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

Conhecido como “Almirante Negro”, João Cândido nasceu em 24 de junho de 1880, filho de ex-escravizados. Aos 14 anos, ingressou na Marinha de Guerra do Brasil, onde se destacou como líder da Revolta da Chibata, em 1910, movimento de marinheiros contra maus-tratos e castigos físicos aplicados, principalmente, a homens negros. Ele era admirado por seus companheiros e elogiado por oficiais por seu bom comportamento e habilidades, especialmente como timoneiro.

Em 1909, foi enviado ao Reino Unido para aprender sobre novas embarcações, onde tomou conhecimento do fim dos castigos corporais na Marinha Britânica e do motim do Encouraçado Potemkin. Após a Revolta da Chibata, foi preso e, embora tenha sido absolvido, foi dispensado da Marinha. Mais tarde, viveu de trabalhos informais e da venda de peixes. João Cândido faleceu em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos, de câncer no intestino.

Para a ministra Janine Mello, “mais de duas décadas após a abolição, marinheiros ainda eram submetidos a castigos físicos, violência e humilhação. E é nesse contexto que a trajetória de João Cândido ganha um significado tão profundo. Mais do que um líder da Revolta da Chibata, ele foi uma pessoa que ousou afirmar que nenhum projeto de país poderia existir às custas de tentativas de desumanização de pessoas negras e trabalhadoras”.

Desde 2024, o Ministério tem desenvolvido iniciativas concretas para visibilizar o passado como parte fundamental da construção de justiça, reparação e consciência democrática. Entre essas iniciativas, destacam-se os projetos de sinalização e reconhecimento de lugares de memória dos africanos escravizados no Brasil, coordenados pela Coordenação-Geral de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas (CGMET), vinculada à ADMV.

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Atualmente, o mapeamento dos locais de sinalização e reconhecimento de lugares de memória dos africanos escravizados no Brasil está disponível no site do Ministério e no Observatório dos Direitos Humanos, permitindo a localização desses pontos em todo o país. O projeto já identificou cerca de 100 lugares, mas o objetivo é expandir esse mapeamento, reconhecendo que existem muitos outros locais a serem incluídos para efetivamente valorizar a história e a memória negra do Brasil.

Além do levantamento, o Ministério planeja instalar placas em todos esses lugares. A intenção, segundo a titular do MDHC, é que, ao caminhar pelas ruas, as pessoas possam identificar e compreender a relação desses locais com a história do país e, especificamente, com a história negra.

“A gente sabe que são muito mais lugares do que esses que a gente precisa identificar para reconhecer efetivamente a história e a memória negra do país, mas a gente também quer fazer um avanço concreto, efetivamente materializável, que é a instalação de placas em todos esses lugares. Então, quando cada um de nós estiver andando na rua, vai conseguir passar por um lugar e saber o que aconteceu ali e como aquele espaço se relaciona com a história do nosso país e com a história negra do nosso país”, destacou Janine.

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

De acordo com Caroline Reis, secretária-executiva do MDHC, ainda hoje a luta pelos direitos da população negra no Brasil persiste. Para ela, como líder político e por sua experiência na Inglaterra, João percebeu as desigualdades e a violência contra marinheiros negros no Brasil: “João Cândido não representa apenas resistência política, mas a defesa radical da dignidade humana. Por isso, contar a história de João Cândido é um dever do Estado brasileiro e de toda a sociedade. Resgatar a sua memória é um ato de justiça histórica e também uma necessidade para que possamos reconstruir, ou construir, um futuro baseado na igualdade, na dignidade e nos direitos humanos. Por isso, reafirmamos aqui que a memória importa, a cultura importa, os processos de reparação importam”.

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Adalberto Cândido, conhecido como Candinho, filho de João Cândido, esteve presente no Museu de Arte Moderna e demonstrou gratidão pela oportunidade de falar sobre a história de seu pai. Ele enfatizou a importância de manter viva essa história para as próximas gerações: “É muito gratificante para a família. É uma história que não pode ser esquecida. É uma história verdadeira que aconteceu no Brasil, na época da escravidão. Meu pai foi filho de escravizados e, aos 14 anos, entrou para a Marinha de Guerra, em Porto Alegre. Após um ano, foi transferido para o Rio de Janeiro. Mas, chegando aqui, viu que essa vida não havia acabado. Ela continuava na Marinha de Guerra. Ele foi escolhido pelos seus companheiros para ser o líder do movimento”, rememorou.

Álvaro Pereira do Nascimento, professor de História da UFRRJ, finalizou destacando a necessidade de reparação financeira para a família de João Cândido: “Isso é muito duro, porque a família precisa. Estamos aqui com o filho de João Cândido e também com a neta de João Cândido”.

A programação especial continua na sexta-feira (15) com uma sessão pública educativa de pré-exibição do documentário “João Cândido, um herói sem máscara”, voltada para escolas públicas. Com contextualização pedagógica e mediação da CGMET e da UFRRJ, a exibição do documentário acontecerá das 13h10 às 14h52, seguida de um encerramento pedagógico.

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Texto: R.M.

Edição: G.O.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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