As atividades autogestionadas marcaram, nesta terça-feira (19), o primeiro dia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz, no Espírito Santo. Ao longo da programação, delegações territoriais e redes temáticas de diferentes regiões do país se reuniram para trocar experiências, alinhar propostas e fortalecer pautas construídas a partir dos territórios.
Os encontros evidenciaram uma das principais características da Política Nacional de Cultura Viva: o protagonismo da sociedade civil na construção das políticas públicas de cultura. Organizadas pelas próprias redes de forma autônoma, as atividades reuniram representantes de Pontos de Cultura, coletivos, gestores públicos, movimentos culturais, juventudes, mulheres, povos indígenas, grupos urbanos e demais fazedores de cultura – ocupando salas, pavilhões e áreas verdes do Sesc Praia Formosa.
Entre as delegações presentes que realizaram reunião autogestionada no dia inaugural do evento, a Bahia chegou à Teia com uma agenda construída a partir de processos territoriais e temáticos realizados no estado. Juliana Vitorino, coordenadora de Pontos de Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia, destacou que os 30 membros da delegação baiana vieram mobilizados em torno de propostas para o fortalecimento da Cultura Viva nos próximos anos.
“A gente está vivendo um processo de retomada das políticas culturais da Cultura Viva, mas precisa pensar mais para frente, na sustentabilidade dos Pontos de Cultura”, afirmou Juliana.
Segundo ela, a Bahia levou ao encontro propostas debatidas previamente na Teia estadual, além de uma delegação formada por redes temáticas e representantes de diferentes territórios.
Para Juliana, discutir Cultura Viva na Bahia é falar de territorialização e da necessidade de incluir os territórios de fora da capital nos debates nacionais. “A Bahia vem forte, com 20 redes temáticas dentro do estado, fazendo um debate não só do recurso, mas também da política estadual de Cultura Viva”, destacou.
Representantes da Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop se articularam nos espaços autogestionados para debater pautas de gênero, enfrentamento à violência contra as mulheres e representatividade dentro do movimento. Yala Souza, de Sergipe, avalia que a Teia representa uma oportunidade de reencontro entre mulheres de diferentes estados e regiões.
“A gente está aqui como representantes da Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop, que há anos tem uma luta contra a violência de gênero dentro desse movimento, buscando também representatividade”, afirmou Yala.
Uma das principais pautas apresentadas pelo grupo é a construção da Casa das Mulheres do Hip-Hop, demanda que vem sendo debatida pela rede há anos. “Esse é um momento oportuno. Nada melhor do que discutir isso aqui, levar para os nossos GTs, para o GT de gênero e para o GT do movimento Hip-Hop”, afirmou.
A delegação do Distrito Federal também participou das atividades autogestionadas com foco na articulação entre pautas locais e nacionais. Representantes da rede Cultura Viva do DF destacaram a importância de alinhar as propostas construídas no território com os debates nacionais da Teia.
“É importante que a gente consiga tratar dos nossos assuntos locais, assim como conhecer outras pessoas do Brasil e fazer outras articulações”, disse Josânia Castro, do Espaço Cultural Cia Cidade dos Bonecos.
Entre as prioridades apontadas pela delegação do DF estão a presença da Cultura Viva no Plano Nacional de Cultura, os critérios relacionados aos mestres da cultura e a distribuição dos recursos públicos para estados e municípios. Para Leda Carneiro, do Espaço Cultural Bagagem Cia de Bonecos, é fundamental garantir que os recursos cheguem de forma efetiva aos territórios.
“A nossa prioridade hoje é o Plano Nacional de Cultura, porque o movimento da Cultura Viva não pode estar fora do Plano Nacional de Cultura”, afirmou Leda.
Ao reunir delegações territoriais, redes temáticas e movimentos culturais, o primeiro dia desta 6ª edição mostrou que os espaços autogestionados cumprem papel estratégico na construção coletiva da Cultura Viva. Mais do que atividades paralelas, esses encontros funcionam como espaços de escuta, formação, pactuação política e formulação de propostas.
“Tem que ter atividades autogestionadas, porque a Rede Cultura Viva, a rede nacional e as redes estaduais, são autônomas. E a importância é porque são também espaços pedagógicos, tanto para o gestor quanto para a sociedade civil”, afirmou Juliana Vitorino.
Com programação até o dia 24 de maio, a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura segue reunindo representantes de todo o país em debates, fóruns, plenárias, vivências, apresentações culturais e atividades formativas. Em Aracruz, os encontros autogestionados deram o tom do início da programação: uma Teia construída a partir das vozes, demandas e experiências dos territórios.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura


























