Dois anos após a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, a internet deixou como legado o reconhecimento de que a conectividade é uma infraestrutura essencial em momentos de crise. Em entrevista ao Ministério das Comunicações, o presidente da InternetSul, Fábio Badra, relembrou o papel decisivo da comunicação durante as enchentes que atingiram o estado.
“Comunicação significava coordenação de resgate, acesso à informação e esperança. Percebemos, na prática, que manter uma rede funcionando significava salvar vidas”, afirmou.
Desde o início das enchentes, o Ministério das Comunicações coordenou uma série de ações emergenciais. Uma delas foi a criação de uma linha de crédito, por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para apoiar a reconstrução das redes de telecomunicações afetadas.
“O Fust teve um papel decisivo naquele momento. Muitos provedores regionais sofreram perdas enormes de infraestrutura, rompimento de fibras, destruição de equipamentos e queda brusca de receita. Em vários casos, sem acesso rápido ao crédito, essas empresas simplesmente não teriam conseguido continuar operando”, relembra o presidente da InternetSul.
A iniciativa garantiu R$ 322 milhões em crédito emergencial, beneficiando 85 pequenos provedores de internet em 350 municípios. Com a medida, mais de 790 mil acessos à internet foram restabelecidos, serviço essencial para a retomada da vida e da economia local.
“Quando falamos dos provedores regionais, estamos falando da conectividade de centenas de cidades do interior do Rio Grande do Sul. Em muitos municípios, são eles que sustentam toda a comunicação local”, reforçou Fábio Badra.
Conectividade é infraestrutura essencial

- Arquivo MCom
O Ministério das Comunicações também atuou junto às empresas de telefonia móvel para habilitar roaming gratuito e pacotes de internet sem custo para a população atingida. A medida permitiu que clientes utilizassem redes de outras operadoras gratuitamente, além da disponibilização de pacotes de dados entre 5 GB e 10 GB para usuários pré-pagos na região.
Durante as enchentes, a internet deixou de ser apenas um serviço para se tornar uma necessidade básica.
“Em muitos lugares, era a única ligação que as pessoas ainda tinham com o mundo. Isso deixou um legado importante: a compreensão definitiva de que conectividade é infraestrutura essencial, não apenas para a economia e o desenvolvimento, mas para a proteção da vida das pessoas”, destacou Badra.
A conectividade permitiu que alertas, orientações, pedidos de socorro, campanhas de doação e informações sobre rotas seguras circulassem em tempo real.
“A internet teve um papel silencioso, mas fundamental em toda a resposta emergencial no Rio Grande do Sul”, afirmou.
A atuação do Ministério das Comunicações ajudou a garantir segurança para que os provedores conseguissem reconstruir suas estruturas e manter os serviços funcionando em um dos momentos mais difíceis da história do estado.
Responsabilidade social
Em meio às perdas causadas pelas enchentes, Badra também destacou o senso de responsabilidade e solidariedade das equipes do setor.
“Nós vimos provedores trabalhando literalmente dentro da água, carregando equipamentos no braço, improvisando rotas e reconstruindo enlaces em tempo recorde. Tudo isso porque existia a consciência de que deixar uma cidade sem comunicação agravaria ainda mais a tragédia.”
Segundo ele, os provedores regionais tiveram papel protagonista na resposta à crise, pela proximidade com as comunidades e rapidez na atuação.
“Enquanto muita gente ainda tentava entender a dimensão da tragédia, já havia equipes nas ruas tentando restabelecer enlaces, ativar rotas alternativas e recuperar estruturas. Houve uma união muito forte entre empresas concorrentes, associações, fabricantes, operadoras e órgãos públicos”, ressaltou.
Lição para o futuro
Ao falar sobre o futuro, Fábio Badra afirmou que o Rio Grande do Sul está hoje mais preparado e estruturado para enfrentar eventos climáticos extremos, embora os desafios permaneçam.
“Hoje existe uma compreensão muito maior de que as telecomunicações precisam estar inseridas nas estratégias nacionais de resposta a desastres. Ainda há desafios, porque os eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes e exigem vigilância constante. Porém, o setor está mais integrado, mais profissionalizado e muito mais preparado para reagir rapidamente”, concluiu.
Texto: ASCOM | Ministério das Comunicações • Mais informações: [email protected] | (61) 2027.6086 ou (61) 2027.6628
Fonte: Ministério das Comunicações
























