Como fortalecer economias criativas que nascem dos territórios, dos saberes populares e das redes comunitárias sem descaracterizar suas dinâmicas próprias? A pergunta guiou a mesa “Economia criativa de base comunitária: cultura, território e desenvolvimento na Ibero-América”, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) na tarde deste terça-feira (27), no Rio2C 2026.
Realizado na Sala MinC Conecta, o encontro reuniu representantes do Brasil, Colômbia, Bolívia, República Dominicana e Honduras para discutir políticas públicas voltadas a iniciativas culturais de base territorial, com foco em financiamento, circulação, participação social e fortalecimento de comunidades tradicionais, povos indígenas, populações afrodescendentes e redes culturais locais.
A mediação foi conduzida pelo secretário-executivo adjunto do MinC, Cassius Rosa, que destacou a importância de ampliar a compreensão sobre economia criativa para além das grandes cadeias produtivas da cultura. “Quando falamos em economia criativa, muitas vezes pensamos nas grandes indústrias do audiovisual, da música ou dos games. Mas existe uma economia criativa igualmente potente, que nasce das comunidades, dos territórios e dos saberes compartilhados. É ali que cultura, pertencimento, geração de renda e desenvolvimento caminham juntos”.
Segundo Cassius, a economia da cultura e das indústrias criativas já representa 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e emprega cerca de 7,5 milhões de pessoas, mas parte significativa dessa produção permanece pouco visível nas estatísticas tradicionais. No Brasil, uma das expressões mais concretas dessa dinâmica está nos 16 mil Pontos de Cultura distribuídos por 2.257 municípios, que articulam práticas culturais locais, geração de renda e participação comunitária. “O desafio das políticas públicas é fortalecer essas experiências sem descaracterizá-las, respeitando as lógicas próprias dos territórios e garantindo acesso a financiamento, formação e circulação cultural”.
Territórios, redes locais e desenvolvimento
Ao longo da mesa, os participantes compartilharam experiências nacionais de fortalecimento da economia criativa de base comunitária, abordando instrumentos de financiamento, reconhecimento institucional e mecanismos de participação social.
O vice-ministro das Artes e da Economia Cultural e Criativa da Colômbia, Fabián Sánchez Molina, apresentou experiências colombianas voltadas à chamada economia popular da cultura, com políticas voltadas a coletivos culturais, circuitos comunitários e formas locais de produção criativa. A Colômbia é reconhecida regionalmente pelo fortalecimento de políticas para indústrias culturais e economias criativas articuladas ao território. “Boa parte da economia criativa nasce nos territórios e nas comunidades. O papel do Estado é criar condições para que essas experiências se fortaleçam sem perder sua identidade”.
Representando a Bolívia, o vice-ministro de Culturas e Folclore, Andrés Zaratti, trouxe reflexões sobre direitos culturais, participação cidadã e desenvolvimento territorial, com ênfase no papel das culturas populares e dos povos originários nas estratégias de desenvolvimento sustentável. “Tudo é questão de reforçar o pertencimento porque, no fim, fortalece vínculos comunitários e pode ser um eixo estruturante do desenvolvimento”.
Já a vice-ministra de Indústrias Culturais da República Dominicana, Alice Baroni Bethancourt, destacou a importância da profissionalização, da proteção de direitos e da sustentabilidade econômica para trabalhadores e agentes culturais locais, especialmente em territórios fora dos grandes centros urbanos. “A economia criativa comunitária significa garantir reconhecimento, proteção e sustentabilidade para quem produz cultura nos territórios”.
Cultura onde ela nasce
A mesa integrou a programação do Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura, atualmente presidido pelo Brasil, e reforçou um dos consensos centrais das discussões do MinC no Rio2C: o fortalecimento da economia criativa passa necessariamente pela valorização da diversidade cultural e pela construção de modelos de desenvolvimento conectados às realidades locais.
Fonte: Ministério da Cultura
























