Em uma noite marcada pela celebração da cultura brasileira, da diversidade e da resistência artística, o Circo Voador, na Lapa (RJ), recebeu nesta quinta-feira (28) a cerimônia de entrega da Medalha Tiradentes à ministra da Cultura, Margareth Menezes. A homenagem, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), integrou a programação que também celebrou o reconhecimento do espaço como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.
Promovido pela Comissão de Cultura da Alerj, o evento reuniu artistas, representantes da cultura popular, do samba, do hip hop, da música brasileira e de diferentes manifestações culturais em uma celebração marcada pela valorização da cultura como instrumento de transformação social, democracia e construção de futuro.
A homenagem reconheceu a trajetória artística e a atuação de Margareth Menezes em defesa da cultura, da democracia e das expressões culturais brasileiras. Primeira mulher negra a ocupar o cargo de ministra da Cultura, ela destacou, em seu discurso, o papel transformador da arte em sua própria trajetória e relembrou o início de sua relação com a música e o teatro ainda na juventude.
“Minha mãe arrancou as cordas do meu violão pra eu voltar a estudar”, contou, ao recordar o período em que precisou equilibrar os estudos e o interesse crescente pela arte. “Eu me recuperei, voltei, me formei em artes gráficas, mas na escola começou a ter aula de teatro também”, afirmou.
A titular da Cultura também relembrou a participação em projetos culturais, no coral da Congregação Mariana da Boa Viagem e em experiências artísticas que definiram os caminhos de sua formação. “Essas foram as oportunidades que apareceram na minha vida pra me dar caminho”, disse.
Ao abordar a construção de sua identidade artística, Margareth Menezes falou sobre o processo de amadurecimento na arte e na cultura, desde a produção de cartazes até a elaboração de projetos culturais e participação em festivais e premiações.
“Decidi entender, me entender como artista também, aos poucos. Entender a responsabilidade que a gente tem quando a gente sobe no palco, porque é uma missão também que a gente faz quando a gente sobe no palco”, completou.
A ministra também refletiu sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira como mulher negra artista. “Ser uma mulher negra, artista, nesse contexto, todo mundo já sabe qual é a luta do nosso povo pra chegar nos lugares. Eu nunca aceitei o não, porque no não a gente já estava”, declarou.
Durante o discurso, a titular do MinC enfatizou ainda o processo de reconstrução do Ministério da Cultura desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relembrando a retomada do diálogo com a sociedade e com o setor cultural.
“A primeira coisa que a gente fez foi abrir diálogo com a sociedade. O Ministério da Cultura precisa existir pra gente ouvir o que é que é necessário fazer pra que a gente tenha qualidade de vida”, explicou.
Ao defender a continuidade das políticas públicas culturais, a ministra ressaltou a importância da cultura para o fortalecimento da sociedade brasileira. “A cultura salva vidas, a cultura transforma realidades, a cultura fortalece o povo, a cultura é a estrutura da nossa soberania”, declarou.
A deputada estadual Verônica Lima, presidente da Comissão de Cultura da Alerj e responsável pela homenagem, salientou o simbolismo da cerimônia e a importância do reconhecimento ao Circo Voador.
“A cultura brasileira vive de resistência, memória e valorização do nosso povo. Hoje celebramos a entrega da Medalha Tiradentes à ministra da Cultura, Margareth Menezes, uma homenagem à sua trajetória artística, política e à defesa da cultura popular em todo o Brasil”, celebrou.
Ela também destacou o reconhecimento do Circo Voador como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. “É um dia de celebração, reconhecimento e reafirmação da cultura como instrumento de transformação social, democracia e construção de futuro”, completou.
O secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, frisou a força feminina presente na construção das políticas culturais e relembrou o papel da cultura durante os anos em que o setor enfrentou desmontes institucionais. “Me sinto muito privilegiado de estar compartilhando essa frente aqui com mulheres tão determinadas, fortes, poderosas e comprometidas com a cultura”, discursou. Ele também parabenizou a atuação da deputada Benedita da Silva e da Comissão de Cultura da Alerj durante o período em que o governo federal esteve “de costas pra cultura”, destacando a construção de políticas que mantiveram o setor mobilizado e resistente.
Já a deputada federal Benedita da Silva evidenciou a importância histórica da criação do Ministério da Cultura e da representatividade de Margareth Menezes à frente da pasta. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, também comemorou a homenagem e a ocupação do Circo Voador por artistas, agentes culturais e representantes do setor.
Referência histórica da cena cultural carioca e nacional desde 1982, o Circo Voador consolidou-se como um dos principais espaços da música brasileira, da cultura alternativa e dos movimentos artísticos do país, sendo responsável pela formação e projeção de diferentes gerações de artistas e manifestações culturais.
A programação contou com apresentações de Dudu Nobre, MC Marechal, Nissin, Edu Krieger, Natalia Voss, Auwerê, Sinfônica Ambulante, Maíra Freitas, Daíra, Júlia Vargas e Filhos de Gandhi, além da presença de artistas, agentes culturais e representantes de diferentes setores da cultura brasileira.
Fonte: Ministério da Cultura























