Água do Boqueirão vai para Oiticica? Entenda como funciona a transferência entre reservatórios da Paraíba

Transferência de água entre açudes da Paraíba garante abastecimento e irrigação (Foto: Divulgação/MIDR)

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Brasília (DF) – A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), autorizou a transferência de água do Açude Engenheiro Avidos, conhecido como Boqueirão, para o Açude São Gonçalo, ambos localizados na Paraíba. A operação integra as ações de gestão e regulação dos recursos hídricos na Bacia do Piancó-Piranhas-Açu e tem como objetivo manter o equilíbrio hídrico do sistema, garantindo o atendimento aos diversos usos da água na região.

A medida segue regras estabelecidas pela ANA e pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (AESA) e faz parte de um modelo de operação adotado desde 2018 para os dois reservatórios, que funcionam de forma integrada. A transferência ocorre de maneira planejada, com base em decisões construídas junto aos usuários da água, órgãos gestores e representantes da sociedade civil.

Segundo o superintendente adjunto de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da ANA, Patrick Thadeu Thomas, a transferência de volumes naturais ocorre exclusivamente entre os açudes Engenheiro Avidos e São Gonçalo, dentro do território paraibano, não havendo transferência desse volume para o Açude Oiticica, no Rio Grande do Norte.

Por que a água é transferida? 

Os açudes Engenheiro Avidos e São Gonçalo funcionam de forma integrada. Como o Engenheiro Avidos possui capacidade de armazenamento muito maior, ele pode auxiliar o São Gonçalo em períodos de redução dos níveis do reservatório menor. A transferência é realizada especialmente após o período chuvoso, quando se avalia a situação hídrica dos reservatórios e as necessidades dos usuários atendidos pelo sistema.

Segundo Thomas, trata-se de uma prática já consolidada na gestão das águas da região. “Essa transferência entre os açudes Engenheiro Avidos e São Gonçalo está prevista em uma regra estabelecida desde 2018 e vem sendo realizada há vários anos. Os dois reservatórios operam de forma integrada, e a medida busca manter o equilíbrio hídrico do sistema e garantir o atendimento aos usuários do sistema São Gonçalo”, explicou.

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Todos os anos, a ANA promove reuniões públicas de alocação de água com a participação de usuários, representantes de órgãos gestores e integrantes da sociedade civil. Nesses encontros são definidos os volumes que poderão ser utilizados e as regras de operação para o período seguinte. 

Na reunião realizada em junho do ano passado, em Cajazeiras (PB), foi aprovado o Termo de Alocação de Água 2025/2026 do sistema Engenheiro Avidos–São Gonçalo. O documento prevê a transferência de até 50 hectômetros cúbicos (hm³) de água do Engenheiro Avidos para o São Gonçalo ao longo do período de vigência da alocação. Na prática, isso equivale a cerca de 50 bilhões de litros de água que poderão ser transferidos gradualmente, conforme as necessidades operacionais do sistema. 

“A abertura do Engenheiro Avidos para transferência de água foi realizada a partir de uma solicitação da Comissão de Acompanhamento da Alocação de Água, formada pelos próprios usuários do sistema. O objetivo é preservar a segurança hídrica do São Gonçalo e assegurar a continuidade dos usos autorizados na região”, esclarece o superintendente da ANA. 

A água vai para o Rio Grande do Norte? 

Não. A água transferida nesta operação permanece dentro da Paraíba. 

O volume transferido do Engenheiro Avidos segue para o Açude São Gonçalo, que atende usos como abastecimento humano, irrigação e demais demandas locais previstas no Termo de Alocação de Água. De acordo com Patrick, não existe transferência dos volumes naturais do Açude Engenheiro Ávidos para o Açude Oiticica, localizado no Rio Grande do Norte. São sistemas distintos e as operações de transferência dos volumes naturais entre os dois açudes têm como finalidade exclusiva atender aos usuários vinculados ao sistema hídrico Engenheiro Avidos–São Gonçalo. 

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As águas liberadas pelo Açude São Gonçalo para o Rio Grande do Norte são provenientes do Açude Caiçara, que faz parte do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Essa operação é realizada de forma coordenada entre ANA e MIDR para que a transferência de águas do PISF para o RN não cause qualquer impacto no atendimento aos usuários paraibanos dos Açudes Engenheiro Avidos e São Gonçalo. 

Gestão participativa da água 

A definição das regras de operação dos reservatórios faz parte do processo de alocação negociada de água, instrumento adotado pela ANA para promover o uso equilibrado dos recursos hídricos em períodos de maior demanda. 

Por meio desse modelo, usuários, órgãos gestores, como o MIDR, e representantes da sociedade participam das decisões sobre a utilização da água disponível, contribuindo para aumentar a segurança hídrica e reduzir conflitos pelo uso dos recursos hídricos. 

No caso do sistema Engenheiro Avidos–São Gonçalo, a transferência de água é uma das medidas previstas para garantir que o reservatório São Gonçalo mantenha volumes adequados ao atendimento da população, da irrigação e dos demais usos autorizados ao longo do período de vigência da alocação.

 


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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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