O Plenário da Câmara dos Deputados foi palco, na manhã desta segunda-feira (22), de uma Sessão Solene em homenagem ao Dia Nacional do Cinema Brasileiro, celebrado em 19 de junho. Proposta pelos deputados federais Zé Silva e Laura Carneiro, a cerimônia destacou não apenas as grandes produções aclamadas internacionalmente, mas jogou luz sobre a força, a criatividade e a resiliência do cinema independente e amador produzido no interior do Brasil.
Representando a ministra Margareth Menezes e a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, a diretora de Preservação e Difusão Audiovisual marcou a presença do Ministério da Cultura (MinC) no evento, reforçando o compromisso do Governo do Brasil com a democratização do acesso às telas e o fomento à produção descentralizada.
A nacionalização do audiovisual brasileiro
Durante seu pronunciamento, Daniela Fernandes enfatizou que a missão central do MinC atual é garantir que a cultura alcance todos os cantos do país, ultrapassando os grandes eixos urbanos. Ela destacou ferramentas fundamentais para essa missão, como a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a retomada dos arranjos regionais pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e o recente lançamento da plataforma digital pública Tela Brasil.
“A ministra Margareth Menezes nos fala cotidianamente sobre a importância da nacionalização da cultura brasileira e do audiovisual em específico. Não é só sobre produzir, é sobre a gente conseguir fazer essas produções chegarem nos diferentes municípios desse país. Ter 5.500 municípios faz com que a gente tenha diferentes realidades, e considerar isso no fazer da política pública tem sido a nossa pauta”, afirmou Daniela Fernandes.
A diretora também ressaltou a emoção de iniciar a sessão assistindo a obras de cidades com menos de 20 mil habitantes, pontuando que o cinema possui dimensões simbólicas, cidadãs e econômicas que impactam diretamente a vida dos brasileiros.
Presenças na solenidade
O grande destaque da sessão foi a presença massiva de cineastas, atores e atrizes do interior de Minas Gerais, provando que a paixão pela sétima arte não encontra barreiras geográficas.
O cineasta Antônio Horácio Sales, de Montalvânia (MG), compartilhou a trajetória de seu filme Deixa Vir, baseado em uma lenda local sobre um cavalo de corrida, que ganhou vida através do projeto Revelando os Brasis — uma política pública histórica do MinC.
Já o cineasta amador Ademar Desanete, de Limeira do Oeste (MG), emocionou o plenário ao contar como escreve, produz e dirige longas-metragens em sua cidade desde a década de 1980, começando com câmeras Super 8 e envolvendo toda a comunidade rural na atuação.
“Nós somos amadores, uns caboclos da roça. O cinema nacional no ano passado quase ganhou o Oscar, isso é muito bom para nós. Mas tudo tem um comecinho. Eu exibi muitos filmes na tela do cinema antigo da cidade, a cabeça foi apaixonando e eu resolvi escrever. O mais difícil é dar vida aos personagens, mas a gente corre atrás”, relatou Ademar, que levou a Brasília o elenco de seu mais recente filme, Felicidade em Jogo.
A força desse cinema comunitário foi muito bem representada nas palavras da atriz amadora Silvana Campos, que integrou o elenco das produções de Limeira do Oeste:
“Gostei de ser atriz por um tempo. Cada dia que a gente encontrava para gravar era um dia muito divertido, de muitas alegrias com meus companheiros. Eu nunca tinha vindo a Brasília, agradeço a Deus por estarmos aqui hoje.”
Defesa do setor
A urgência de marcos regulatórios para proteger e impulsionar o setor também esteve em pauta. Paulo Schimit, vice-presidente do Conselho Superior de Cultura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), defendeu a regulação dos serviços de streaming como um motor de investimento: “A regulação não é um freio, é um acelerador. O Brasil precisa de uma vez por todas eleger o audiovisual como um setor estratégico para o seu desenvolvimento.”
Fonte: Ministério da Cultura
























