Lançamento do edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior – Edição 2026

Foto: Divulgação/FBN

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O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) anunciaram, nesta sexta-feira )(26), no Rio de Janeiro (RJ), o edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior – Edição 2026.

O processo estará disponível para submissões no mês de julho e a iniciativa é responsável por ampliar a presença de escritores brasileiros em diferentes idiomas e mercados editoriais. Para celebrar os 35 anos do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, a Fundação Biblioteca Nacional apresenta uma nova plataforma digital que moderniza e integra os procedimentos do Programa.

Em um ambiente totalmente digital, editoras internacionais podem se cadastrar, inscrever projetos, enviar a documentação necessária e acompanhar as etapas da seleção e habilitação.

A solenidade foi transmitida online e pode ser visitada aqui.

O presidente da FBN, Marco Lucchesi, celebrou a longevidade e as iniciativas de modernização do Programa: “ O Programa de Apoio à Tradução é uma janela profunda que a Biblioteca Nacional abre para compreender o lugar do Brasil no mundo enquanto potência cultural e literária promovendo autores e editoras numa curadoria eminentemente republicana para atender as demandas e o lugar da literatura brasileira além das fronteiras”.

O Secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (SEFLI) do MinC apresentou ao público os números dessa importante política, destacando idiomas diferentes, com as línguas asiáticas e africanas. Ressalte para um aumento da proporção de mulheres, pessoas negras e indígenas entre os autores e autoras apoiados, em relação ao total de bolsas, tendo relevo o chinês e línguas locais moçambicanas (sena, changana e macua).

Ao longo de 35 anos, o Programa já viabilizou quase 1.600 projetos em cerca de 70 países e em mais de 50 idiomas, incluindo inglês, italiano, francês, russo, espanhol, catalão, chinês, polonês, húngaro, ucraniano, eslovaco, estoniano, turco, búlgaro, grego, macedônio, sueco, dinamarquês e croata, entre outros.

Em 2025, a iniciativa recebeu quase 250 inscrições, com 133 projetos apoiados em 35 países e 27 idiomas.

Arte da tradução

“É preciso louvar o trabalho dos tradutores, porque cada qual forma uma ponte essencial para o diálogo que se abre em múltiplos quadrantes e horizontes. O tradutor é coautor desse processo, a figura invisível cuja visibilidade se dá pela sutileza a partir da qual se elaboram os textos que, no fundo, realizam o diálogo entre as nações, a diplomacia do livro e o soft power de que a cultura brasileira é protagonista, e a Biblioteca Nacional promove a intensidade, a diversidade e a riqueza cultural de que é feito o nosso país”, declarou o Presidente da FBN, Marco Lucchesi.

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“O ofício, a arte e o ofício do escritor e da escritora, ela se encontra como a arte e o ofício do tradutor também. Nessa metáfora da transposição, da interpretação, mas também da transcriação ou da criação, e aqui me vem o poema do Ferreira Goulart, traduzindo uma parte na outra parte. É uma questão de vida ou morte. Será arte? Será arte? Será arte? Sim, é arte. Traduzir a literatura brasileira também é uma expressão artística. Eu me lembrei aqui do Caetano Veloso, que a folha traga e traduz. Acho que é um exercício de quem faz tanto a criação como a tradução”, frisou o gestor do MinC, Fabiano Piúba.

“E traduzir é fazer uma travessia, levar algo de um lado da fronteira ao outro sem deixar-se perda, mas também sem a prevenção. Porque o que é vivo se transforma no encontro com o outro. É exatamente isso que este programa faz. E é um exemplo que, neste momento, dá tudo isso o seu sentido mais pleno. E 70 Anos depois de publicado, em 1976, o grande Sertão Veredas, um livro que muitos julgaram ser intraduzível, cada uma levou mais de uma década de trabalho e cada uma lutou para recriar o ritmo e os neologismos, preservando a alma do sertão. É a prova de que nenhuma travessia é impossível quando há cuidado, tempo e apoio, explicou o diplomata e Diretor do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do MRE, Marco Nakata.

“É um trabalho conjunto entre os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores (MRE), com execução da Fundação Biblioteca Nacional, fundamental para a internacionalização da literatura brasileira. O programa é fundamental para posicionar nossa literatura em novos mercados ao redor do mundo”, ressaltou o Diretor de livro, leitura, literatura e bibliotecas do MinC, Jéferson Assumção.

Mostrando, com alegria e orgulho, os diversos livros seus traduzidos em muitas línguas, o escritor Itamar Vieira celebra essa importante política pública e aponta os bonitos caminhos que sua narrativa já fez vereda muito afora. “E vejo, a cada dia, mais brasileiros com traduções e com obras muito interessantes. E só podemos celebrar, acho que a gente não pode parar por aqui. E a gente sempre tem que manter esse ativismo pela literatura brasileira, para conseguir cada vez mais recursos. Nossa literatura está entre as melhores, certamente, e se a gente encontra essa repercussão hoje lá fora, a gente deve agradecer esses programas que têm contribuído, colaborado”, apontou o escritor Itamar Vieira.

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“Quando você finalmente vê ali o livro publicado, e as vezes voltou a poder ir ao lançamento, aí é mágico. É um processo. É um processo meio poético. Mas ele é plenamente pago em alegria na realização do autor. Você poder ligar para o autor e dizer, estou confirmando sua ida para a Polônia. E é muito lindo”, frisou a agente literária Lúcia Riff,

Plataforma

“ Há 35 anos, o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior contribui para ampliar a circulação da literatura brasileira no mundo. Com anova plataforma, damos um passo importante na modernização desse trabalho, tornando o processo de inscrição mais simples, ágil e transparente para as editoras estrangeiras. Além de facilitar o acesso ao edital, a ferramenta reúne metadados que fortalecem a gestão das informações e ampliam o alcance internacional dos nossos autores

Uma política de internacionalização da literatura brasileira

Criado para divulgar o patrimônio literário nacional e ampliar a circulação de autores brasileiros no exterior, o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior é uma iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), com o apoio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli/MinC) e do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Instituído em 1991 pela Política de Internacionalização do Livro (Decisão Executiva nº 200, de 16 de setembro de 2011), o Programa oferece apoio financeiro para editoras estrangeiras interessadas em traduzir e publicar obras brasileiras.

Edital

O edital 2026 estará no ar no mês de julho com acesso disponível no site da FBN. Os projetos inscritos passam por análise da Comissão de Seleção e, posteriormente, as propostas classificadas seguem para a etapa de habilitação documental. Após a aprovação, as editoras firmam Termo de Compromisso (TC) com a Fundação Biblioteca Nacional e recebem o apoio financeiro em duas parcelas: a primeira após a assinatura do (TC) e a segunda após a comprovação da publicação e envio da obra traduzida, conforme as regras estabelecidas no edital.

Fonte: Ministério da Cultura

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