Curta de animação rondoniense obtém alcance internacional com seleção para mais de 100 festivais de cinema

Foto: Divulgação

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O cinema independente da Amazônia vem ganhando o mundo. Produzido com apoio da Lei Paulo Gustavo (LPG), o curta-metragem de animação Planeta Fome, do diretor Édier Wiliam, superou a marca de 100 seleções em festivais e mostras. O filme já circulou por mais de 20 países, entre eles México, Espanha, Índia, Marrocos e França, e recebeu prêmios como o de melhor curta-metragem de animação no Festival Internacional de Cine de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, e o de melhor filme de animação no Festiver, na Colômbia.

“Cada seleção significa que uma nova cidade, um novo país e um novo público tiveram contato com a história. Também é o reconhecimento do trabalho de uma equipe que realizou uma obra autoral em Porto Velho, distante dos grandes centros de produção audiovisual”, enfatiza o diretor e roteirista Édier William.

Para a secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, o êxito da produção evidencia a qualidade do cinema feito no Norte do país e, graças aos recursos da LPG,  leva a nossa diversidade cultural para fora do país.     

“O sucesso de Planeta Fome pelo mundo é a prova concreta de que o talento audiovisual está em todas as regiões do Brasil. Quando recursos de políticas públicas vitais, como a Lei Paulo Gustavo, chegam na ponta, eles financiam um filme e exportam a nossa diversidade cultural. É a descentralização do fomento se materializando em resultados extraordinários e mostrando que o cinema feito no Norte tem excelência para competir e encantar globalmente”, observa

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Planeta Fome é inspirado num episódio ocorrido durante a pandemia da Covid-19, quando famílias disputavam restos de ossos em filas de açougues. “Aquilo evidenciava uma realidade dura de um país que produz tanto alimento, mas que possui milhões de pessoas ainda convivendo com a fome”, comenta Édier.

As imagens impactaram o cineasta, que se inspirou nelas para criar a história do curta. “Imaginei uma distopia ambientada em 2125, em uma Porto Velho sem árvores, na qual a fome deixou de ser apenas uma consequência da desigualdade. O filme traz uma mulher negra e mãe solo e seu filho, de oito anos, enquanto tentam sobreviver e preservar a dignidade. O objetivo é provocar uma reflexão sobre a naturalização da fome, da pobreza e da desigualdade. Embora se passe no futuro, o filme fala de problemas presentes na nossa realidade”, conta.

O diretor acredita que um dos motivos do interesse pelo trabalho vem da combinação entre a universalidade do tema e a identidade da obra. “A fome, a desigualdade e a dificuldade de preservar a dignidade são questões compreendidas em qualquer parte do mundo, mas o filme apresenta esses temas a partir de um olhar brasileiro e amazônico. Outro elemento importante é o fato de não possuir diálogos. A narrativa é conduzida pelas imagens, pela animação, pela trilha e pelo desenho de som, o que permite que a obra atravesse barreiras linguísticas”, justifica.

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Segundo Édier, a boa acolhida mostra que o cinema produzido na Amazônia pode dialogar com o mundo sem renunciar a sua origem.

“A região ainda é frequentemente representada apenas por imagens da floresta ou por narrativas produzidas a partir de um olhar externo. Entretanto, nós também produzimos animação, ficção científica, distopias e histórias urbanas, políticas e contemporâneas. Espero que esse percurso ajude a abrir caminhos para outras obras”, salienta.

Trajetória

Atualmente, Planeta Fome segue viajando pelo Brasil e exterior. A produção participa de festivais e mostras até março de 2027. O próximo passo será disponibilizá-lo em plataformas de streaming.

Fomento

O filme foi contemplado em edital municipal da LPG da Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural). Selecionado na categoria de produção de curta-metragem, com duração de até 15 minutos, o projeto recebeu o valor de R$ 81.666,66.

Segundo o diretor, a Lei Paulo Gustavo foi vital para que o filme saísse do papel. “Animação é uma linguagem que exige tempo, estrutura e profissionais especializados em diferentes etapas. Sem esse investimento público, dificilmente conseguiríamos produzir o filme com a qualidade técnica e artística necessária. O recurso permitiu remunerar profissionais, movimentar a cadeia produtiva local e transformar uma inquietação social em uma obra que hoje representa Porto Velho e Rondônia em diferentes partes do mundo”, conclui.

Fonte: Ministério da Cultura

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