O Ministério da Cultura (MinC) participou de uma plenária promovida pela Comissão Especial de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sobre o Sistema Estadual de Cultura em Porto Alegre (RS). O evento realizado no dia 29 de junho ouviu a sociedade civil e reuniu agentes culturais, gestores públicos, representantes de Pontos e Pontões de Cultura, pesquisadores, artistas e integrantes de diferentes movimentos sociais.
“Estamos vivendo um momento histórico para a cultura brasileira, com a ampliação do investimento por meio da Lei Rouanet, da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc. Mas, para que esses recursos se transformem em políticas públicas permanentes, é fundamental fortalecer o Sistema Nacional de Cultura. É essa lógica sistêmica que vai permitir consolidar um verdadeiro SUS da Cultura e garantir que os municípios tenham estrutura para desenvolver políticas culturais de forma contínua”, afirmou o diretor do Sistema Nacional de Cultura do Ministério da Cultura (MinC), Junior Afro.
Estiveram presentes representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, povos de terreiro, blocos e escolas de carnaval, além de agentes territoriais de cultura, lideranças comunitárias e integrantes da rede Cultura Viva. O evento terminou com um cortejo até a frente do Palácio Piratini.
Debates
No dia 30 de junho, foi a vez de intelectuais, ativistas e agentes culturais discutirem temas como comunicação e cultura, a centralidade da cultura afro-brasileira na sociedade, a potência das periferias e o desenvolvimento social.
Realizado no Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, o encontro começou com apresentações culturais, como a do grupo Odomodê e a Família Afrosul, celebrando a identidade e o axé da cultura negra.
Além de Junior Afro, a abertura institucional contou a presença de Patrícia Affonso, coordenadora do Escritório Estadual do MinC no Rio Grande do Sul, Denise Flores do Comitê de Cultura no RS, Mari Martinez da Comissão Especial de Cultura da Assembleia Legislativa do RS, Denise Viana Pereira, Diretora do Centro Histórico Cultural Santa Casa, Virgínia Borges, da Comissão da Política Nacional Cultura Viva e Pedro Vasconcellos, Gestor e Produtor Cultural pela Fundação Delfim Mendes da Silveira da Ufpel.
O painel sobre comunicação e cultura discutiu a disputa de narrativas, o papel da mídia independente e a necessidade de uma política de Estado para a soberania digital e a regulamentação de plataformas internacionais.
No painel, os convidados Breno Altman, do Opera Mundi, Anapuáka Tupinambá, da Rádio Yandê e Paulo Zé Barcelos, representando a Mídia Ninja, abordaram como iniciativas disruptivas em comunicação surgiram a partir de momentos de pressão e de falta de visibilidade.
A jornalista Carol Anchieta abriu a mesa da tarde, sobre a resistência e o protagonismo negro no teatro e nas artes brasileiras. Ela compartilhou a trajetória profissional refletindo sobre a importância de não ser a primeira, nem a única, mulher negra a ocupar determinados espaços, mas de abrir caminhos para que mais pessoas negras possam estar onde desejam. “Quando falo em se sentir pertencente, eu falo em se sentir cidadã da cultura e da arte. Que sintam a arte como um direito e como uma necessidade”, pontuou.
Jessé Oliveira, ator, diretor e gestor cultural, refletiu sobre os lugares das pessoas negras na cultura. A multiartista e doutora em sociologia, Nina Fola, trouxe a importância do legado da ancestralidade negra na vida e na cultura do Brasil. Encerrando a mesa, o ator Hilton Cobra fez uma fala emocionante ao se lembrar da amiga e intelectual gaúcha Luiza Bairros. Em uma abordagem diferente, ele destacou também o financiamento no setor cultural por meio da PEC 421, cobrando a tramitação da proposta.
Potência da periferia
A terceira mesa do dia contou com as presenças de Renato Freitas, presidente da Comissão de Igualdade Racial AL-PR, do rapper GOG, de Pedro Garcia, do Pontão Kaingang e da PoetaDesperta. Pedro Garcia destacou a importância das parcerias e aprendizados entre os povos, como as que existem entre as comunidades negras e indígenas. GOG trouxe a importância do que chamou de “afrobetização”, de perceber a própria potência e ir além dos estereótipos.
Na mesa, o movimento Hip-Hop foi trazido como uma ferramenta fundamental de transformação social e política nas periferias, com destaque para a criação da Escola Nacional de Hip Hop e a importância de inserir essa cultura como pedagogia nas escolas.
Encerrando o evento, Olívio Dutra, ex-governador do RS, Tarson Nunez, economista, Rafa Rafuagi, do HUB Atividade, Helena Bonumá, representando a Economia Solidária e Mano Cascata abordaram a cultura como um ponto central para o desenvolvimento do país, defendendo a democracia participativa e a economia solidária como formas de superar contradições sociais.
Texto: Comitê de Cultura no Rio Grande do Sul
Fonte: Ministério da Cultura























