Zélia Amador de Deus: uma vida dedicada à educação, cultura e ciência

Foto: reprodução do site da Universidade Federal do Pará

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A Secretaria-Geral da Presidência da República manifesta pesar pelo falecimento de Zélia Amador de Deus, aos 74 anos, nesta terça-feira (8). Professora, pesquisadora, artista e militante, Zélia integrou o Conselho de Participação Social da Presidência da República em sua primeira e segunda composição, como representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN). Ao longo de sua trajetória, construiu uma atuação marcada pela educação, pela cultura e pela luta contra o racismo e pela igualdade de direitos.

Nascida no território quilombola de Mangueiras, no Marajó, no Pará, Zélia encontrou na educação e na cultura caminhos para transformar a própria realidade e contribuir para a transformação da sociedade. Em 1971, ingressou no curso de Letras da Universidade Federal do Pará (UFPA), instituição à qual dedicou mais de cinco décadas de sua vida. Foi professora, pesquisadora, artista e, entre 1993 e 1997, vice-reitora da Universidade.

Sua atuação ultrapassou os espaços acadêmicos. Zélia foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos e teve papel importante na defesa das ações afirmativas, dos direitos da população negra e quilombola e de uma universidade pública mais plural e inclusiva. Em 2001, integrou a representação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul.

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Na arte, especialmente no teatro, também encontrou uma forma de expressão e de diálogo com a sociedade. Participou da criação da Companhia de Teatro Cena Aberta e esteve envolvida em iniciativas culturais da UFPA, como o Auto do Círio, aproximando universidade, cultura popular e comunidade.

Ao longo de sua vida, Zélia ajudou a abrir caminhos para gerações de estudantes, pesquisadores, artistas e militantes. Sua atuação contribuiu para ampliar a presença da população negra na universidade, fortalecer a luta antirracista e dar visibilidade à cultura e à história afro-amazônica.

Poucos dias antes de sua partida, em agosto, Zélia participou do plantio de um baobá no campus da UFPA. A árvore, símbolo de ancestralidade, memória, resistência e continuidade, acabou se tornando também uma imagem de sua própria trajetória. Assim como o baobá, Zélia deixou raízes profundas e sementes para novas gerações.

Sua presença permanece na educação, na cultura, na ciência e na luta por uma sociedade mais justa e sem racismo. Permanece também nas pessoas que aprenderam com ela, nos espaços que ajudou a transformar e nos caminhos que abriu para quem veio depois.

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A Secretaria-Geral da Presidência da República se solidariza com familiares, amigos, estudantes, colegas, companheiros de militância, integrantes do Conselho de Participação Social, da CONEN e com todas as pessoas que tiveram suas vidas atravessadas pela presença e pelo trabalho de Zélia Amador de Deus.

Seu legado permanece vivo.

Fonte: Secretaria-Geral

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