O que aconteceu no Campi de Várzea Grande?

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Uma situação envolvendo o Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, instituição que atende 348 crianças oferecendo acompanhamento especializado por meio de uma equipe multiprofissional, colocou em risco o atendimento dos assistidos pela falta de recebimento de recursos financeiros.

O Centro de Acolhimento teve, inclusive, suspensão no atendimento das crianças o que fatalmente prejudicou a rotina de centenas de mães e, lógico, os assistidos.


Em informação divulgada na segunda-feira (14) a prefeitura “normalizou” o problema, dizendo apenas que “após um breve impasse relacionado à execução dos serviços contratados pelo Município. A situação foi solucionada de forma imediata pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), garantindo a continuidade do acompanhamento especializado dos estudantes atendidos pela unidade”.

Ao que parece, para a gestão do município de Várzea Grande (leia-se Flávia Moretti) a situação seria indiferente, assim como também não deixou claro para a comunidade atendida, qual o problema que ocorreu, e quem o provocou. O que deixa entender é que o repasse não foi enviado ao município, o que compromete a imagem do órgão que procede o repasse. E quem faz o repasse? O próprio município, governo do Estado ou governo federal? E é a pergunta que o cidadão faz e a dúvida que fica no ar.

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Diante do problema anunciado, a suspensão no atendimento na sexta-feira (11), o Tribunal de Contas de Mato Grosso agiu pontualmente para acolher a questão envolvendo as famílias. O presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, esteve na segunda-feira na instituição acompanhado de dois auditores (Denisvaldo Mendes Ramos e Sérgio Sales). Foi anunciado que o repasse de R$ 461,9 mil deve ocorrer até esta quarta-feira (16).

Conforme Sérgio Ricardo, o risco de interrupção do atendimento no Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, expõe um problema que ultrapassa a realidade da unidade: 90,3% das famílias de crianças autistas ouvidas em auditoria do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) relataram já ter enfrentado interrupção no tratamento, sendo que mais da metade percebeu regressão no desenvolvimento dos filhos nesses períodos.

“Apenas 15,9% das famílias ouvidas utilizam a rede pública especializada de reabilitação. Outras 40% recorrem a entidades filantrópicas e quase 30% dependem de planos privados. Várzea Grande concentrou 27 das 145 famílias ouvidas, atrás apenas de Cuiabá, com 57. No município, uma família relatou anos de fila e apenas uma consulta com neurologista e uma com psiquiatra antes de voltar a esperar”.

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Para a população, para as autoridades e legisladores, é necessária a transparência da falha cometida. Se do município (e qual o motivo) ou do órgão repassador. Dessa forma, caberá ao TCE, ou outro órgão (MPE, DP, TJ, conselhos) compor estatísticas, já que são 143 municípios em Mato Grosso e situações iguais podem estar ocorrendo…

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