Água será tema de destaque na COP30 com foco na adaptação às mudanças climáticas

Encontro definiu que a pauta hídrica terá espaço na COP30 (Foto: Yasmin Fonseca/MIDR)

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Brasília (DF) – A água será tratada como uma das prioridades da COP30, que será realizada em Belém do Pará, em novembro deste ano. A decisão foi discutida nesta sexta-feira (23), em reunião entre o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente e Presidente da COP30, e representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Ministério das Cidades (MCID).

O encontro definiu que a pauta hídrica terá um espaço na conferência, com a realização de eventos reforçando a liderança brasileira na gestão e segurança dos recursos hídricos como instrumentos essenciais de adaptação às mudanças climáticas. Entre os assuntos que podem integrar as discussões na conferência estão a governança da água, os impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos, o fortalecimento de programas como o Desenvolve Amazônia e as Rotas de Integração Nacional, além do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).

Para o ministro Waldez Góes, a valorização da água na COP30 é um reconhecimento do protagonismo brasileiro nessa agenda. “Em nome do presidente Lula e do Brasil, a agenda da água precisa ser uma prioridade. O Brasil é o país com o maior contingente de água doce do mundo e detentor de um dos maiores projetos de resiliência hídrica da América Latina, o PISF. Se nós não evidenciarmos isso na COP30, corremos o risco de ouvir apenas cobranças pelos desencontros, sem mostrar o compromisso histórico do Brasil com essa pauta”, destacou.

O embaixador André Aranha Corrêa do Lago detalhou a estrutura da conferência e confirmou que a água será um dos cinco grandes temas que terão pavilhões próprios na COP30, ao lado de energia, agricultura e cidades. “Vamos ter sete eventos por dia numa sala dedicada essencialmente a florestas, oceanos e água. A água terá um espaço imenso, sob a orientação do Brasil. Queremos apresentar nossas contribuições com o reconhecimento do papel que temos nessa pauta”, destacou o embaixador.

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Segundo Corrêa do Lago, os pavilhões funcionarão como grandes salas de conferência, com até 70 eventos cada ao longo dos dez dias da COP. “A ideia é que o mundo saia da COP30 conhecendo muito melhor o Brasil e suas experiências, que podem ser levadas para outros países. Será uma discussão da realidade e de como isso pode impactar positivamente outros países”, completou. 

Governança e cooperação como marcas brasileiras

A diretora-presidente da ANA, Veronica Sánchez da Cruz Rios, reforçou o protagonismo brasileiro na governança da água e a importância de apresentar essa experiência na COP30. “O Brasil é um exemplo mundial na gestão de águas transfronteiriças: não temos conflitos com nenhum país vizinho pelo uso da água. Somos frequentemente convidados a explicar como conseguimos esse modelo de cooperação, com exemplos bem-sucedidos junto ao Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Colômbia”, afirmou.

Veronica também destacou o papel do Observatório Regional da Amazônia, que monitora a bacia amazônica em tempo real, permitindo ações preventivas e cooperativas com os países vizinhos. “Quando pensamos em mudanças climáticas, todos os efeitos são sentidos pela água — seja pela seca, seja pela cheia. Temos estudos robustos mostrando os impactos nas diferentes regiões do Brasil e da América do Sul. Precisamos mostrar isso na COP30: nossas pesquisas, sistemas de monitoramento e ações concretas de adaptação”, acrescentou.

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Infraestrutura hídrica e participação social

O secretário nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Vieira, destacou a importância dos investimentos estruturantes liderados pelo MIDR. “O Projeto de Integração do São Francisco é um exemplo de grande obra realizada para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas não é um caso isolado. Temos diversos investimentos em infraestrutura hídrica no âmbito do Novo PAC, para garantir resiliência às regiões de maior escassez”, apontou.

Giuseppe também ressaltou o papel da sociedade civil na definição dessa agenda. “Foi uma provocação da sociedade civil organizada que pautou, no Fórum Brasil das Águas, a moção encaminhada ao ministro Waldez, defendendo que a água seja um tema prioritário na COP30. Essa participação social reforça a legitimidade do nosso pleito”, concluiu.

As discussões da reunião reforçam a centralidade da água na agenda climática brasileira e internacional. A COP30 será uma oportunidade histórica para o Brasil apresentar ao mundo sua experiência em governança hídrica, infraestrutura de adaptação e ações concretas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.


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