Brasil reforça liderança na governança da água durante cúpula internacional

Cúpula internacional reforça protagonismo do Brasil na gestão das águas (Foto: Sérgio Dutti/MIDR)

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Rio de Janeiro (RJ) – A gestão das águas e a segurança hídrica marcaram a agenda internacional desta quarta-feira (17), no Rio de Janeiro. A Cúpula Mundial de Bacias Hidrográficas, evento que integra a programação da Rede Internacional de Organizações de Bacias (RIOB), reuniu, no Museu do Amanhã, representantes de governos, organismos multilaterais, especialistas e autoridades da área de recursos hídricos de diversos países para trocar experiências e fortalecer estratégias integradas de gestão das águas em nível de bacias hidrográficas. 

Representando o Brasil, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) participou dos debates, reforçando o papel do país na governança da água e na cooperação internacional frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. “A água é um tema transversal, essencial para a vida, para a produção de alimentos, para a geração de energia e para a qualidade de vida das pessoas. Por isso, precisamos tratar as bacias hidrográficas como espaços de planejamento, cooperação e construção de soluções”, afirmou o ministro Waldez Góes em seu discurso. 

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MIDR destacou investimentos em segurança hídrica

Góes aproveitou o momento para destacar, também, os investimentos do Governo Federal em infraestrutura hídrica e revitalização de bacias, no âmbito do Novo PAC e do eixo Água para Todos. “Estamos investindo bilhões de dólares para ampliar o acesso à água, fortalecer a governança e promover a segurança hídrica, especialmente no semiárido brasileiro. Essas ações contribuem para o desenvolvimento regional sustentável e para a adaptação às mudanças do clima”, concluiu. 

Também representando o MIDR, o secretário nacional de Segurança Hídrica , Giuseppe Vieira, participou de um painel voltado à adaptação climática e à governança das águas, apresentando as principais ações do Governo Federal para ampliar a resiliência hídrica do país. “Temos a responsabilidade de formular e implementar políticas públicas que garantam segurança hídrica tanto em regiões de escassez quanto em áreas sujeitas a cheias e inundações. Isso envolve grandes investimentos em infraestrutura, fortalecimento da governança e ações integradas de revitalização de bacias”, ressaltou. 

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Entre os destaques apresentados pelo secretário está o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), a maior intervenção hídrica da América Latina, que beneficia cerca de 12 milhões de pessoas no semiárido nordestino e amplia o acesso à água para consumo humano e atividades produtivas. 

A diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Rêgo, pontuou a importância do momento para a integração das agendas nacionais e globais da água, especialmente em um cenário de intensificação dos eventos extremos. “Estamos vivendo um momento marcante para a gestão de recursos hídricos no Brasil e no mundo. A segurança hídrica passa necessariamente pela integração, pela cooperação internacional e por dados robustos que orientem decisões cada vez mais eficientes, sobretudo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, afirmou. 

Planejamento integrado e desafios globais 

O objetivo do evento neste ano foi promover debates sobre temas como adaptação climática, segurança hídrica, governança, financiamento e uso sustentável dos recursos hídricos.

Diante disso, o presidente honorário do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, reforçou a necessidade de alinhar o planejamento hídrico às políticas de desenvolvimento econômico e social. “A água não respeita fronteiras políticas, mas sim hidrológicas. Os planos de bacia precisam dialogar com o uso do solo, a expansão urbana, a agricultura e a produção de energia. Quando isso não acontece, as crises se tornam inevitáveis”, alertou. 

Segundo Braga, além do planejamento, o financiamento sustentável é um dos grandes desafios para garantir a boa governança da água em escala global. 

Preparação para a Conferência da ONU 

Como parte da preparação para a Conferência da ONU sobre a Água, que será realizada entre 8 e 10 de dezembro de 2026, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o secretário-executivo do MIDR, Valder Ribeiro, participou de uma sessão preparatória com representantes de países como Finlândia, Espanha, Peru, França e Gana. Coorganizada pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Senegal, a conferência tem como objetivo acelerar as ações globais para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6) da Agenda 2030, que prevê a garantia de água potável e saneamento para todos.

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Durante a sessão preparatória, Ribeiro destacou os avanços do Brasil no acesso à água potável, especialmente no Nordeste, e o fortalecimento da cooperação internacional. “Entregamos mais de mil sistemas de dessalinização nos últimos anos, resultado de uma atuação conjunta com diversos parceiros. Também temos avançado na integração regional, com acordos e protocolos que fortalecem a governança hídrica e o enfrentamento das mudanças climáticas”, afirmou. 

Ele citou iniciativas como a cooperação com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), acordos bilaterais e ações voltadas à gestão integrada das bacias hidrográficas brasileiras, que abrangem mais de 200 mil microbacias. 

Transição de presidência da RIOB 

A programação da Cúpula também foi marcada pela transição da presidência da Rede Internacional de Organizações de Bacias (RIOB). Em cerimônia oficial, a embaixadora da França para o Meio Ambiente, Bárbara Pompili, realizou a passagem simbólica da presidência ao Brasil, representado pelo ministro Waldez Góes. A mudança consolida o país à frente da rede e reforça seu protagonismo na agenda internacional da governança da água.

A mudança consolida o Brasil à frente da principal rede internacional dedicada à gestão de bacias hidrográficas e reforça seu protagonismo na agenda global da água. Durante o mandato, o país terá a missão de coordenar a agenda da organização, fortalecer a cooperação entre seus membros e impulsionar o intercâmbio de experiências sobre governança da água.

 


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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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