Cultura que transforma: a história do multiartista JoCa Milucanô e do Ponto de Cultura Sagarana, de Minas Gerais

Foto: Divulgação

publicidade

No Vale do Urucuia, noroeste de Minas Gerais, a cultura brota da terra, do Cerrado, das mãos do povo de seus saberes ancestrais, ofícios e medicina tradicional. Foi nesse cenário que o jovem João Carlos Freitas da Silva, conhecido como JoCa Milucanô, teve seu primeiro encontro com o que viria a transformar sua trajetória.

Ele tinha apenas 12 anos quando chegou ao Ponto de Cultura Sagarana, no distrito de Arinos, em uma visita escolar. O que era para ser apenas mais uma atividade fora da sala de aula se revelou um marco. Entre oficinas, ferramentas e matérias-primas retiradas do Cerrado, JoCa descobriu um universo onde arte, natureza e tradição se entrelaçam.

“Lembro que fiquei encantado com o que o meu mestre de marcenaria fazia, o cuidado e a relação com as coisas do Cerrado, o respeito à natureza”, recorda.

Mais do que observar, ele sentiu que pertencia àquele espaço. A cada peça criada, a cada história compartilhada, crescia a conexão com o território e com os saberes que ali circulavam. O Ponto de Cultura Sagarana, dedicado ao fortalecimento da cultura sertaneja no Vale Rio do Urucuia, tornava-se, pouco a pouco, parte fundamental da sua formação artística e humana.

Hoje, aquele menino encantado pelas oficinas se tornou um dos principais articuladores de cultura e arte do território. Atuando como agente cultural e integrante do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais, JoCa Milucanô construiu uma trajetória múltipla: é poeta, ceramista, produtor cultural, arte-educador e graduado em Dança. Em todas essas frentes, carrega como marca central o compromisso com suas origens.

“Sou cria do Ponto de Cultura Sagarana. Neste lugar existe uma forte conexão intergeracional, onde jovens e adultos mantêm a continuidade das práticas culturais da nossa gente e do nosso território. Isso é muito importante pra mim”, afirma.

Mais do que um espaço de formação, o Ponto de Cultura foi e segue sendo um território de pertencimento. Entre os dias 19 e 24 de maio de 2026, JoCa Milucanô e o Ponto de Cultura Sagarana estarão presentes na 6ª Teia Nacional, o maior encontro da rede Cultura Viva no país, em Aracruz (ES).

Cultura que transforma: a história do multiartista JoCa Milucanô e do Ponto de Cultura Sagarana, de Minas Gerais
Foto: Divulgação Cresertão
Leia Também:  Edital do MDHC seleciona consultoria para levantamento de dados sobre políticas para pessoas com deficiência

Ponto de Cultura Sagarana

Criado em 2011, o coletivo nasceu a partir de iniciativas simples, mas profundamente enraizadas na comunidade: oficinas de artesanato, rodas culturais e encontros comunitários. Com o tempo, essas ações foram ganhando corpo e consistência, transformando o espaço em um ambiente contínuo de criação, aprendizado e convivência.

Ao longo de mais de 15 anos de atuação, o Ponto de Cultura Sagarana já impactou diretamente diversas pessoas, especialmente jovens do distrito de Arinos e de comunidades do entorno, oferecendo alternativas concretas de formação e expressão.

“Aqui a gente descobriu que a cultura pode abrir caminhos. Muitos jovens passaram por nossas oficinas e encontraram novas perspectivas para suas vidas”, conta JoCa.

O que antes era uma iniciativa local foi se consolidando como um verdadeiro ponto de referência cultural no município. Adolescentes, jovens, adultos e idosos passaram a frequentar o espaço não apenas para aprender técnicas, mas para compartilhar saberes, fortalecer vínculos e reafirmar as tradições culturais do Vale do Rio Urucuia.

Para JoCa, essa continuidade é o que sustenta a força do projeto. “O Ponto de Cultura Sagarana segue reunindo pessoas, formando artistas e fortalecendo a cultura local. Mostra que, quando a cultura nasce da comunidade, ela tem potência real para transformar vidas e territórios”.

.
Foto: Divulgação Cresertão

Reconhecimento nacional

Gerido pelo Cresertão, o Ponto de Cultura Sagarana alcançou, em agosto de 2023, um marco importante com a certificação do Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. A Associação do Cresertão, responsável pela iniciativa, atua como Centro de Referência em Tecnologias Sociais do Sertão, também reconhecida nas áreas de memória e inclusão digital.

Para JoCa, o reconhecimento institucional ampliou horizontes sem alterar a essência do trabalho.

“Ser reconhecido como Ponto de Cultura fortaleceu o que a gente já vinha construindo e mostrou que aquilo que nasce dentro da comunidade tem um valor enorme. Com a certificação, também ampliamos nossa interlocução, fortalecemos parcerias e avançamos na articulação interfederativa”, destaca.

Mais do que um selo, o reconhecimento consolidou o Ponto de Cultura como exemplo de como políticas públicas culturais, quando conectadas às realidades locais, podem potencializar iniciativas que já transformam o cotidiano das pessoas.

Leia Também:  MinC e UFAL avançam na implementação do Proler Bibliotecas com abertura de novos processos seletivos para formadores e tutores

Rede Nacional de Cultura Viva

Atualmente, o Brasil conta com mais de 15,5 mil organizações reconhecidas como pontos de cultura, favorecendo o acesso ao fomento cultural.

O Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura é o principal instrumento da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que há mais de duas décadas fortalece iniciativas culturais comunitárias e amplia o acesso a recursos públicos para ações culturais realizadas nos territórios.

Coordenado pelo Ministério da Cultura, o Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura alcançou organizações reconhecidas em todo o país, presentes nos 26 estados e no Distrito Federal. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, foram emitidos mais de 10 mil certificados, um crescimento de 246,5% em relação aos 4.329 certificados concedidos entre 2004 e 2023.

Espalhados por todo o território nacional, os Pontos de Cultura realizam atividades que vão de oficinas artísticas e formação cultural à preservação de festas populares, pesquisas sobre patrimônio cultural e ações de valorização das identidades locais.

.
Foto: MinC

Teia Nacional

Entre os dias 19 a 24 de maio de 2026, será realizada a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, maior encontro da rede Cultura Viva no país. A edição acontece em Aracruz (ES), marcando a retomada do evento após 12 anos e, pela primeira vez, em território indígena. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a Teia reunirá agentes culturais, mestres e mestras das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, a TVE, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Fonte: Ministério da Cultura

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade