Cultura Viva Infância: Pontão Bola de Meia em SP fortalece redes e garante o direito de brincar

Foto: Divulgação Pontão

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O tempo é um dos elementos mais valiosos quando se fala em cultura, memória e transformação social. E foi ao longo de décadas de trabalho contínuo que o Pontão de Cultura Bola de Meia se consolidou como uma das principais referências na promoção da Cultura Viva voltada às infâncias no Brasil.

Com origem em 1989, em São José dos Campos/SP, e reconhecido como Ponto de Cultura desde 2004, o grupo ampliou sua atuação a partir da Política Nacional Cultura Viva, fortalecendo redes e articulando iniciativas em diferentes territórios. Desde 2009, quando passou a atuar como Pontão de Cultura, conecta experiências em estados como Bahia, Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Tocantins, além de São Paulo.

“Não foi algo que surgiu do nada, o Pontão de Cultura é o resultado de um processo longo, coletivo, de construção e de muito trabalho”, afirma Jacqueline Baumgratz, coordenadora de projetos culturais do Pontão.

Ao longo dessa trajetória, o Bola de Meia tem desempenhado papel estratégico na formação de educadores, na circulação de ações culturais em escolas públicas e na articulação nacional de iniciativas voltadas às crianças e adolescentes.

Com presença confirmada na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, de 19 a 24 de maio de 2026, em Aracruz (ES), o Pontão segue atuando na articulação de políticas públicas e na defesa da cultura como direito fundamental desde a infância. Existe um Fórum permanente e nacional chamado Cultura Viva Infância com mais de 300 iniciativas que se preparam enquanto articulação, para levar ao Fórum em Aracruz suas principais reivindicações e sugestões para um mundo com respeito à Natureza e a Justiça Climática.

Cultura e infância como direito

Um dos principais eixos de atuação do Pontão é a Cultura Viva Infância, que reconhece o brincar, a convivência e a expressão cultural como direitos fundamentais. A iniciativa foi decisiva para a consolidação dos chamados “Pontinhos de Cultura” e para a formulação de políticas públicas voltadas às infâncias.

A rede ajudou a mapear e impulsionar milhares de projetos culturais em todo o país. Um dos marcos foi a construção de diretrizes que subsidiaram o primeiro edital nacional, que premiou 292 iniciativas e, em menos de dois anos, já tinham mais de 2 mil projetos selecionados em todo o Brasil voltados para as infâncias e adolescências brasileiras.

“Estamos falando de uma rede que se organiza para garantir o direito à cultura desde a infância, respeitando a diversidade de territórios, classes sociais, etnias, identidades e saberes”, destaca Jacqueline.

Entre as histórias que revelam o impacto do Pontão está a de Mandú Carvalho, pessoa no espectro autista e queer não binária, que atua como artista da cena, performer, produtora cultural, hacktivista e arte-educadora. Graduada em produção cultural e pós-graduanda em Políticas e Gestão Cultural (UFRB/MinC), é ativista do Sistema Nacional de Cultura, atua no no Bola de Meia na esfera nacional como Coordenadora de Mapeamento e Diagnóstico de Cultura Infância (MinC/Brinca Brasil) e na esfera estadual como Coordenadora de Articulação Cultural (CULTSP CULTURA VIVA/Pontos da Rede Piraquara).

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Mandú chegou ao Bola de Meia aos 17 anos, em um momento de grande vulnerabilidade pessoal. “Eu estava passando por um momento muito difícil na minha vida, tinha acabado de perder a minha avó, que eu chamo de mãe. E foi nesse contexto que o Pontão me acolheu e me ofereceu uma oportunidade”, relembra.

O que começou como um estágio se transformou em uma trajetória profissional e de vida. Ao longo dos anos, Mandú atuou na produção de projetos, na formação cultural e na gestão institucional, consolidando-se como agente da Cultura Viva.

“Foi uma experiência que mudou a minha vida. Me deu a oportunidade de me profissionalizar, de continuar meus estudos e de me reconhecer como trabalhadora da cultura”, afirma.

Mais do que formação técnica, a experiência no Pontão ampliou horizontes e fortaleceu vínculos com o território. “O Bola de Meia me fez entender que as minhas potencialidades poderiam servir à minha comunidade. Não era só sobre ter uma profissão, mas sobre construir sentido de existência e transformar o lugar onde eu vivo”, destaca.

Hoje, Mandú também atua na criação de espaços de acolhimento e formação para jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, replicando em sua prática o impacto que vivenciou.

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Foto: Divulgação Pontão

Projeto Brinca Brasil

O Pontão Bola de Meia desenvolve o projeto Brinca Brasil – Cultura Viva Infância, uma das principais ações em curso no país voltadas à temática.

A iniciativa promove campanhas, formações, fóruns regionais e ações de mapeamento em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Paraíba, fortalecendo redes culturais que atuam diretamente com crianças e adolescentes.

Entre as ações estão campanhas sobre Cultura de Paz, Bem-Viver e Direito de Brincar, além da concessão de bolsas para agentes Cultura Viva e o mapeamento de iniciativas por meio da ação “Ligando os Pontinhos”.

“O que os pontos de cultura demonstram é a força da sociedade civil organizada, capaz de oferecer formação, difusão e acesso cultural mesmo onde o Estado ainda não chega”, ressalta Mandú.

Atualmente, o projeto articula centenas de organizações e mantém um fórum permanente com mais de 300 iniciativas em todo o país.

Com atuação direta em dezenas de municípios e articulação nacional, o Pontão Bola de Meia impacta milhares de pessoas, entre crianças, educadores, artistas e mestres das culturas populares.

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Mais do que números, o impacto se expressa na construção de redes, no fortalecimento de vínculos comunitários e na continuidade de trajetórias como a de Mandú, jovens que iniciaram sua caminhada na infância e hoje atuam como agentes culturais.

“Quando a gente fala de Cultura Viva, a gente fala de uma rede que transforma vidas e territórios. Eu sou parte dessa rede e sou prova de que ela funciona”, resume.

Ao conectar territórios, saberes e gerações, o Pontão de Cultura Bola de Meia reafirma o papel da Cultura Viva como política estruturante, capaz de garantir que crianças e adolescentes tenham acesso ao brincar, à criação e à cidadania cultural em todo o Brasil.

Rede Nacional de Cultura Viva

Atualmente, o Brasil conta com mais de 15,5 mil organizações reconhecidas como pontos de cultura, favorecendo o acesso ao fomento cultural.

O Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura é o principal instrumento da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que há mais de duas décadas fortalece iniciativas culturais comunitárias e amplia o acesso a recursos públicos para ações culturais realizadas nos territórios.

Coordenado pelo Ministério da Cultura, o Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura alcançou organizações reconhecidas em todo o país, presentes nos 26 estados e no Distrito Federal. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, foram emitidos mais de 10 mil certificados, um crescimento de 246,5% em relação aos 4.329 certificados concedidos entre 2004 e 2023.

Espalhados por todo o território nacional, os Pontos de Cultura realizam atividades que vão de oficinas artísticas e formação cultural à preservação de festas populares, pesquisas sobre patrimônio cultural e ações de valorização das identidades locais.

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Foto: MinC

Teia Nacional

Entre os dias 19 a 24 de maio de 2026, será realizada a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, maior encontro da rede Cultura Viva no país. A edição acontece em Aracruz (ES), marcando a retomada do evento após 12 anos e, pela primeira vez, em território indígena. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a Teia reunirá agentes culturais, mestres e mestras das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, a TVE, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Fonte: Ministério da Cultura

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