Uma história de relações familiares protagonizada por dois irmãos, moradores de uma comunidade de Rondônia, vem atraindo o interesse do público antes de chegar às telas. Disponível na internet, o teaser – prévia de um filme – do curta-metragem Maior que a Casa Toda obteve mais de 100 mil visualizações em duas semanas. O êxito do vídeo da produção, viabilizada pela Lei Paulo Gustavo (LPG), demonstra o fortalecimento da produção audiovisual no estado da região Norte graças à política de fomento cultural.
Na trama, adolescente danifica sandália que recebeu de presente de suas avós. Com medo das consequências, ele foge de casa, provocando uma busca desesperada.
O embrião do curta foi a história de uma família em que dois irmãos revezavam o uso de um par de chinelos para ir à escola, contada a Neto Cavalcanti, que assina a direção com Fabiano Barros.
“A partir dessa informação, e também das minhas vivências com famílias atípicas, desenvolvi uma narrativa ficcional. Assim nasceram as personagens Dália e Nanã, vividas por Regina Coely e Agrael de Jesus, duas avós que criam seus netos: Dudu e Luquinha, um menino cadeirante”, interpretados por Yan Sembarski e Kel do Vale, explica Fabiano.
Para o diretor, o maior desafio ao escrever o roteiro foi construir personagens com complexidade e humanidade, evitando reduções ou estigmatizações.
“Buscamos trabalhar a sensibilidade a partir do cotidiano, valorizando o afeto, mas também as tensões e nuances dessas relações. A ideia foi fugir de uma abordagem assistencialista e trazer autenticidade para a narrativa”, justifica Fabiano.
Representatividade
Segundo ele, a força da representatividade ajuda a explicar o sucesso do teaser. “Existe um interesse crescente em ver nas telas pessoas e histórias que historicamente foram pouco protagonizadas no audiovisual”, analisa.
O cineasta reconhece que a internet é hoje uma das principais ferramentas de difusão do cinema independente. “Ela permite que obras criadas fora dos grandes centros alcancem públicos diversos, rompendo barreiras geográficas e ampliando o acesso”, frisa.
LPG
Contemplado em edital da Secretaria de Cultura do Estado de Rondônia pela Lei Paulo Gustavo, o filme recebeu R$ 100 mil reais para sua realização.
A secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, Roberta Martins, destaca o alcance da política de fomento.
“O sucesso dessa produção mostra o verdadeiro espírito da Lei Paulo Gustavo. Quando o Ministério da Cultura apoia o audiovisual e os recursos chegam ao Norte do país, nós geramos emprego, renda e abrimos uma janela para que o povo brasileiro se veja nas telas com suas próprias cores e sotaques. É uma forma de aquecer a economia e fortalecer as identidades regionais”, observa.
De acordo com o diretor, a Lei contribuiu não apenas para a realização do projeto, mas também impactou o cinema rondoniense.
“A LPG foi fundamental para que o projeto saísse do papel. Para os realizadores da região Norte, muitas vezes essa é a única possibilidade concreta de um filme ser feito. A política pública garantiu não apenas recursos, mas também a continuidade da produção audiovisual local”, frisa Fabiano.
Acessibilidade
Como contrapartida social, o projeto prevê a implementação de recursos de acessibilidade e a realização de exibições acompanhadas de debates. As ações buscam ampliar o acesso ao filme e fomentar discussões sobre a presença de pessoas com deficiência e idosos no audiovisual.
O teaser de Maior que a Casa Toda pode ser acessado no Instagram (@pique.filmes). Em breve, a produção começará a sua trajetória por festivais nacionais e internacionais e depois poderá ser conferida em plataformas de streaming.
Fonte: Ministério da Cultura



























