Na próxima segunda-feira (12), é celebrado o Dia das Crianças, data dedicada à valorização da infância e à reflexão sobre a saúde, a educação e o bem-estar das crianças.
Ao longo da evolução das comunicações no Brasil, a forma como crianças de diferentes gerações têm acesso à informação e ao entretenimento mudou. Nas décadas de 1940, 1950 e 1960, quando não havia internet, smartphones ou serviços de streaming, o rádio e, depois, a televisão ocupavam um espaço que hoje é compartilhado com inúmeras telas e dispositivos digitais.
A frequência da imaginação
No início da década de 1920, os pequenos brasileiros começaram a contar com uma programação para chamar de sua. Clássicos da literatura infantil ganharam vida e sons por meio do rádio, estimulando a imaginação das crianças diante dos aparelhos.
Os programas de histórias infantis, criados pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, emissora pioneira fundada em 1923 e posteriormente cedida ao Governo Federal, atual Rádio MEC, tinham, em média, 15 minutos de duração e iam ao ar no fim da tarde, antes do jornal. Eram apresentados por vários locutores, entre eles a pioneira Maria Beatriz Roquette-Pinto, filha do fundador da rádio. A programação marcou o início da produção de conteúdos radiofônicos voltados para as crianças.
Na época, os locutores dos programas eram conhecidos como “tios”: contavam histórias e, às vezes, liam no ar as cartas enviadas pela audiência mirim. Se os apresentadores eram os tios, as crianças eram os “sobrinhos radiofônicos”. Por meio das cartas, elas respondiam às perguntas feitas pelos locutores ou contavam o quanto gostavam das transmissões, em uma forma de interação entre o rádio e seu jovem público.
Segundo a locutora e coordenadora da faixa infantojuvenil da Rádio MEC, Adriana Ribeiro, autora de uma tese de doutorado sobre a escuta de rádio por crianças, o rádio proporciona às crianças o mesmo que aos adultos: liberdade para usar os olhos e as mãos e estímulo à imaginação.
“Existe uma percepção de que criança não ouve rádio, mas minhas pesquisas mostraram que o veículo continua presente no cotidiano infantil. Muitas vezes, essa relação acontece por meio da convivência familiar e dos momentos compartilhados de escuta”, afirma.
Diversão na telinha
Com a chegada da televisão ao Brasil, as crianças ganharam uma nova forma de entretenimento: além das vozes que saíam do rádio, histórias e personagens também podiam ser vistos pela telinha. Oficialmente, a televisão chegou ao país em 18 de setembro de 1950, com a inauguração da TV Tupi, em São Paulo.
Nas décadas seguintes, a televisão passou a dedicar parte da programação às crianças. Desenhos animados, séries, programas educativos e atrações de auditório passaram a fazer parte da rotina de milhões de pequenos brasileiros, transformando a telinha em um dos principais meios de entretenimento infantil.
Se, no rádio, a imaginação transformava vozes e sons em imagens, a televisão passou a levar essas imagens para dentro das casas. “Quando eu era criança, costumava assistir a muita televisão depois das brincadeiras na rua. Sempre acompanhava desenhos, muitos deles em preto e branco. Naquela época, a gente precisava esperar o horário dos programas favoritos. Hoje, as crianças podem assistir ao que querem a qualquer momento”, recorda o supervisor de vendas em telecomunicações Raimundo Nonato, de 56 anos.
A televisão continuou evoluindo e acompanhando o crescimento das novas gerações. A chegada das transmissões em cores, a ampliação da oferta de canais e a digitalização do sinal levaram mais qualidade de imagem e som aos lares brasileiros. Mas uma nova transformação estava prestes a mudar a forma como as crianças acessavam a informação e o entretenimento.
A infância na era digital
Décadas depois, a expansão da internet e dos dispositivos conectados transformou novamente a forma como as crianças consomem conteúdo. Celulares, tablets e plataformas digitais passaram a oferecer vídeos, jogos, músicas e conteúdos educativos a poucos toques na tela.
Se antes era preciso esperar o horário dos programas no rádio ou na televisão, a conectividade ampliou as possibilidades de acesso à informação e ao entretenimento. Hoje, uma grande variedade de conteúdos está disponível a qualquer momento para crianças e famílias.
A estudante Maria Helena, de 12 anos, faz parte de uma geração que cresceu conectada. “Eu costumo assistir a vídeos, ouvir música, conversar com meus amigos e pesquisar assuntos da escola pelo celular. Quando quero assistir a alguma coisa, escolho na hora o que vou ver”, conta.
Das histórias narradas no rádio às atrações da televisão e aos conteúdos acessados em diferentes telas, as comunicações acompanharam as transformações da sociedade e marcaram a infância de diversas gerações. Mudaram os aparelhos, os formatos e as formas de acesso, mas a busca por informação, diversão e aprendizado continua fazendo parte do universo das crianças.
Texto: ASCOM | Ministério das Comunicações • Mais informações: [email protected] | (61) 2027.6086 ou (61) 2027.6628
Fonte: Ministério das Comunicações

























