O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) participou, nos dias 14 e 15 de abril, da 5ª edição do Fórum Permanente de Afrodescendentes (FPA) da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. A agenda abre espaço para o diálogo sobre os direitos das pessoas de ascendência africana em todo o mundo e aborda o tema da justiça reparatória.
O tema desta edição é a expansão dos direitos humanos das pessoas afrodescendentes durante a Segunda Década Internacional para Afrodescendentes (2025-2034) – período em que a ONU buscará engajar os países que compõem o Conselho em torno do reconhecimento, justiça e desenvolvimento das pessoas de ascendência africana. O evento reúne lideranças, ativistas e partes interessadas com o propósito de fortalecer a justiça racial no âmbito da iniciativa.
A secretária-executiva do MDHC, Caroline Reis, que integrou a missão internacional, destaca que a ação é de extrema relevância por unir diversos atores em torno da agenda de direitos humanos. “É um momento para refletirmos sobre a concretização dos compromissos assumidos por meio da Declaração e do Programa de Ação de Durban, que completa 25 anos; de enfatizarmos o papel da nossa juventude afrodescendente; de colocar no centro das discussões o tema da justiça reparatória; e de nos mobilizarmos para o avanço da memorialização do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas”, afirma.
Sob a liderança do Ministério da Igualdade Racial (MIR), o MDHC também é representado em Genebra pela chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais da pasta, Luciana Peres; e pela ouvidora nacional de Direitos Humanos, Denise Antônia de Paulo. Além do MDHC e do MIR, o Ministério da Saúde (MS), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) também integram a comitiva brasileira.
Agendas
O MDHC participou da cerimônia de abertura do evento, fez a intervenção pelo Estado brasileiro no debate principal sobre reparações, realizou reuniões bilaterais com países chaves na temática da justiça reparatória, e participou de eventos paralelos e especiais sobre protagonismo feminino negro na economia global e políticas de memória, verdade e reparação.
“O foco da participação do MDHC no 5º FPA em Genebra foi o tema da justiça reparatória e a memorialização do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Nesse tema, tivemos reuniões bilaterais importantes com Gana e Colômbia, países atuantes no tema da justiça reparatória. Trocamos experiências e possibilidades de inserção internacional conjuntas e cooperação bilateral. Além disso, tivemos continuidade do diálogo com Portugal em reunião bilateral para avançar no tema do cumprimento das recomendações internacionais em direitos humanos”, destacou Luciana Peres.
Ao longo da semana, a pasta ainda participou de agendas em outras sessões do fórum e eventos paralelos para pautar a defesa e a promoção dos direitos humanos no âmbito do FPA, além de dialogar com a sociedade civil em reunião organizada pela Missão do Brasil junto à ONU e outro Organismos Internacionais em Genebra.
“O fórum foi marcante porque, além da troca de experiências e conceitos entre os países sobre o tema da justiça reparatória, também tivemos a forte presença e escuta ativa com o movimento negro, mulheres negras e a sociedade civil. Demarcamos também, nas reuniões bilaterais, a política do Disque 100 como canal de denúncia das violações de direitos humanos no país, em especial as violações relacionadas ao racismo religioso e o Programa das Ouvidorias Itinerantes com atuação nos territórios periféricos, cuja maioria da população são afrodescendentes”, contou Denise de Paulo.
Declaração e Programa de Ação de Durban
Em 2001, durante a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada na cidade de Durban, na África do Sul, autoridades, organismos internacionais e membros da sociedade civil deram um importante passo pela justiça racial: o reconhecimento da escravidão e do tráfico transatlântico de africanos como crimes contra a humanidade.
A resolução, desde então, tem inspirado países ao redor do globo na produção de políticas públicas pela equidade racial. No Brasil, a Declaração e o Programa de Ação de Durban cooperou para a criação e aprovação do Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288), em 2010, e a Lei de Cotas (Lei 12.711), de 2012, bem como do avanço das políticas de ação afirmativa.
Criado em 2021, por meio da resolução 75/314 da Assembleia Geral, o Fórum Permanente de Afrodescendentes (FPA) da Organização das Nações Unidas (ONU) configura um importante espaço para a promoção de diálogo e elaboração de iniciativas em favor da segurança, qualidade de vida e meios de subsistência das pessoas de ascendência africana em todo o mundo.
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Texto: R.B.
Edição: F.T.
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