Nesta segunda-feira (18/5), a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, cumpriu agenda no Rio de Janeiro, onde ministrou aula sobre a atualidade do pensamento de Maria da Conceição Tavares, referência para o debate sobre desenvolvimento, Estado, soberania e justiça social no país. A atividade abordou a contribuição da economista para a compreensão do desenvolvimento nacional, do papel do Estado, das desigualdades estruturais e dos desafios históricos enfrentados pelo Brasil e pela América Latina.
Com o tema “Legado e atualidade das ideias de Tavares”, a apresentação relacionou as formulações da economista a desafios contemporâneos do Brasil, especialmente no que diz respeito ao fortalecimento das capacidades do Estado, à reconstrução dos serviços públicos, à redução das desigualdades e à atuação estatal como instrumento estratégico para ampliar direitos e promover desenvolvimento com inclusão.
A aula integra curso da Escola de Governo e Desenvolvimento Maria da Conceição Tavaares e dialoga diretamente com a agenda do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), voltada à reconstrução das capacidades do Estado brasileiro. Desde 2023, o ministério atua em frentes como modernização da gestão pública, transformação digital dos serviços, fortalecimento da força de trabalho federal, valorização dos servidores, recomposição de quadros estratégicos, inovação institucional e melhoria da entrega de políticas públicas à população.
Durante a exposição, Esther Dweck destacou que o fortalecimento do Estado não se opõe à inovação, à eficiência ou à modernização. Ao contrário, a reconstrução das capacidades estatais foi apresentada como condição para que o país consiga formular políticas públicas consistentes, coordenar investimentos, responder a desafios sociais e tecnológicos e assegurar que os serviços cheguem com qualidade à população.
“Quando o Estado perde capacidade de ação, perde-se também capacidade de transformação social”, afirmou a ministra. A fala se conecta à agenda conduzida pelo MGI, que atua na modernização da administração pública, na transformação digital dos serviços, na recomposição da força de trabalho federal, na valorização dos servidores e no fortalecimento dos instrumentos institucionais necessários para que as políticas públicas cheguem com mais qualidade à população. Nesse sentido, a aula aproximou o pensamento de Conceição Tavares das agendas conduzidas pelo MGI, apresentada como parte de um esforço mais amplo de reconstrução do Estado brasileiro.
Um dos eixos da aula foi a defesa de um Estado forte, planejador e capaz de coordenar políticas públicas. Na leitura apresentada pela ministra, o enfrentamento das desigualdades históricas e da posição subordinada do país na economia internacional exige ação pública, capacidade institucional e decisão política.
“O Estado continua sendo central. A indústria é superimportante para reduzir a dependência e ampliar a capacidade produtiva, mas a industrialização, por si só, não resolve”, afirmou Esther Dweck. Segundo a ministra, a industrialização é uma dimensão estratégica para reduzir vulnerabilidades e ampliar a autonomia produtiva do país, mas precisa estar associada a um projeto mais amplo de inclusão, distribuição de renda, fortalecimento dos serviços públicos e ampliação de direitos.
A ministra também abordou a relação entre desenvolvimento econômico e justiça social. A partir das contribuições de Conceição Tavares, Esther Dweck ressaltou que crescimento econômico, por si só, não garante inclusão, redução de desigualdades ou melhoria das condições de vida da população. O desenvolvimento precisa ser compreendido como um processo que envolve distribuição de renda, ampliação de direitos, fortalecimento das políticas sociais e democratização do acesso aos serviços públicos.
“O desafio não é apenas crescer, mas decidir como distribuir os resultados do crescimento”, destacou. Para Esther Dweck, essa é uma das contribuições mais atuais do pensamento de Conceição Tavares: compreender que o debate sobre desenvolvimento não pode ser separado das escolhas públicas que definem quem se beneficia do crescimento, como os ganhos econômicos são distribuídos e quais grupos sociais têm acesso efetivo a direitos, oportunidades e serviços públicos.
A apresentação destacou ainda que as políticas sociais ocupam papel central em um projeto de desenvolvimento inclusivo, mas dependem de um Estado estruturado para sair do papel e chegar à população. Nesse sentido, a ministra apontou que programas de transferência de renda, valorização do salário mínimo e ampliação de serviços públicos exigem capacidade de planejamento, gestão, coordenação e execução.
“Política social também é política econômica”, afirmou a ministra. Na avaliação de Esther Dweck, políticas sociais não devem ser compreendidas apenas como instrumentos de proteção ou compensação, mas também como mecanismos capazes de dinamizar a economia, fortalecer territórios, ampliar a cidadania e criar condições para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.
“Para Maria da Conceição Tavares, o Estado social também é motor do desenvolvimento, porque organiza a economia, reduz as desigualdades e amplia a capacidade de transformação da sociedade”, completou. A frase sintetiza a relação entre a reflexão da economista e a agenda contemporânea de reconstrução do Estado: sem capacidade pública, planejamento e serviços estruturados, políticas sociais perdem alcance, escala e efetividade.
O legado de Maria da Conceição Tavares
Na exposição, Esther Dweck destacou a importância de Maria da Conceição Tavares como economista, professora, formuladora e intelectual pública. Ao longo de sua trajetória, Conceição participou de momentos centrais da história econômica e política do país, com atuação no antigo BNDE, na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), na formação das pós-graduações em economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de ter contribuído para debates ligados à redemocratização, à Constituição de 1988 e à defesa de um projeto nacional de desenvolvimento.
Para a ministra, a apresentação partiu da ideia de que o pensamento de Conceição Tavares permanece atual porque ajuda a compreender desafios que seguem no centro da agenda brasileira: o papel do Estado na organização de um projeto de desenvolvimento nacional. “O Brasil conseguiu manter uma tradição de pensamento autônomo sobre desenvolvimento”, afirmou Esther Dweck. Segundo a ministra, essa tradição é fundamental para que o país formule respostas próprias aos seus desafios históricos.
Outro ponto tratado foi a atualidade das reflexões de Conceição Tavares sobre a inserção do Brasil e da América Latina na economia internacional. “A desigualdade latino-americana não é falha do sistema. Ela foi historicamente produzida por ele”, lembrou a ministra sobre a análise da economista. A partir dessa leitura, Esther Dweck reforçou que enfrentar desigualdades exige mais do que crescimento econômico: exige capacidade pública, planejamento, políticas sociais robustas e um Estado preparado para coordenar ações de longo prazo.
Para Esther Dweck, a atualidade de Conceição Tavares está na capacidade de articular economia, política, história e sociedade. Seu pensamento ajuda a compreender que o desenvolvimento não é apenas uma questão de indicadores econômicos, mas de escolhas públicas, capacidade institucional e compromisso com a construção de um país menos desigual. “Economia que não se preocupa com justiça social condena povos à desigualdade e à miséria”, sintetizou. A frase aponta a compreensão de que crescimento, democracia e inclusão social precisam caminhar juntos em um projeto de desenvolvimento capaz de enfrentar desigualdades históricas.
“A pergunta central não é se o Estado deve agir, mas a favor de quem ele organiza o desenvolvimento”, destacou Esther Dweck. A formulação resume um dos pontos centrais da aula: a defesa de que o Estado é peça decisiva para organizar escolhas públicas, orientar investimentos, reduzir desigualdades e sustentar um modelo de desenvolvimento com inclusão social.
Ao revisitar o legado de Conceição Tavares, a ministra ressaltou que o debate sobre Estado permanece atual porque envolve diretamente a capacidade do país de construir respostas aos seus principais desafios. “Não fazemos nada sem Estado”, concluiu. A frase potencializa a ideia de que a reconstrução das capacidades públicas é condição para que o Brasil avance em desenvolvimento, justiça social, soberania e democracia.
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

























