Formação qualifica atendimento a povos Yanomami, Ye’kwana e Sanumá na UFRR

(Foto: Reprodução/CREDYY)

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A formação “Cultura e Direitos Humanos dos Povos Indígenas Yanomami e Ye’kwana” foi realizada, nesta quarta e quinta-feira (11 e 12), na Universidade Federal de Roraima (UFRR), com profissionais da saúde, equipes administrativas e gestores do Hospital Universitário da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com o objetivo de ampliar a compreensão sobre aspectos históricos, culturais, linguísticos e de organização social dos povos Yanomami, Ye’kwana e Sanumá e de qualificar o atendimento ofertado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa abordou como diferenças culturais e barreiras linguísticas influenciam o acesso, a comunicação e a qualidade da assistência em saúde, contribuindo para práticas alinhadas aos direitos humanos e ao respeito à diversidade. As atividades incluíram exposições temáticas e espaços de diálogo com os participantes, favorecendo a incorporação de referenciais interculturais no cotidiano institucional.

Durante as atividades, foram discutidos elementos da cosmologia Yanomami, Ye’kwana e Sanumá e sua relação com os processos de cuidado, além do papel das equipes na mediação entre saberes tradicionais e protocolos dos serviços públicos. O debate evidenciou a necessidade de fluxos de atendimento que considerem especificidades culturais desde a recepção até o acompanhamento clínico.

A ação integra a atuação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SNDH), em articulação com o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) e com o Centro de Atendimento Integrado a Crianças e Adolescentes Yanomami e Ye’kwana (CAICYY), que atuam na mediação interinstitucional e no fortalecimento de práticas de atendimento intercultural em políticas públicas essenciais.

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Como resultado esperado, a formação contribui para a melhoria da comunicação entre profissionais e usuários indígenas, para a adequação de procedimentos de atendimento e para a redução de situações de incompreensão cultural que impactam o acesso a direitos, especialmente no campo da saúde.

Segundo a coordenadora de apoio do CREDHYY, Maria Patrícia Molina, “a formação promove o reconhecimento das tradições, fortalece o respeito às diferenças e contribui para o enfrentamento de preconceitos. Ela estabelece uma ponte entre os saberes dos povos originários e as regras dos serviços urbanos, trazendo um olhar humanizado para o atendimento”.

Ainda de acordo com a coordenadora, “o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana tem um papel central nessa articulação, ao dialogar com associações e com os próprios atendidos e levar aos equipamentos de saúde, segurança e educação a compreensão das diferenças linguísticas, culturais e tradicionais”.

Para a coordenadora indígena do Hospital Universitário, Marcelle Silveira, a iniciativa fortalece o compromisso institucional com a equidade no atendimento: “Nós do HU agradecemos profundamente o CREDHYY e o CAICYY pelo curso, que contribuiu significativamente para o fortalecimento de competências estruturais no ambiente hospitalar. A formação amplia as habilidades relacionais dos profissionais de saúde, qualificando a escuta e reforçando a necessidade de um atendimento culturalmente seguro, respeitoso e livre de práticas discriminatórias. Foi uma iniciativa fundamental para prevenir violências institucionais e consolidar o compromisso da instituição com a equidade, os direitos humanos e o cuidado intercultural dos povos indígenas no estado de Roraima”.

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A iniciativa está em consonância com o artigo 231 da Constituição Federal, que reconhece a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos povos indígenas, e com a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, que orienta a atenção diferenciada e intercultural no SUS, alinhada aos princípios da universalidade, integralidade e equidade.

Este foi o primeiro módulo da formação, e os módulos dois e três estão previstos para os meses de março e abril, com a ampliação dos conteúdos e o aprofundamento das discussões. Entre os próximos passos, estão previstas a realização das novas etapas formativas em outros equipamentos públicos e o fortalecimento da articulação entre o CREDHYY, o CAICYY, instituições de ensino e serviços essenciais, com vistas à consolidação de práticas institucionais que assegurem o acesso aos direitos humanos dos povos Yanomami e Ye’kwana.

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Texto: S.M.

Edição: G.O.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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