Governo do Brasil pede desculpas em reconhecimento às violações contra Paulo de Tarso Celestino

(Foto: Raul Lansky/MDHC)

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A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, realizou, nesta quinta-feira (2), no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), um pedido de desculpas, em nome do Estado brasileiro, à toda a sociedade, especialmente a amigos e familiares de Paulo de Tarso Celestino. Paulo, ex-aluno da instituição de ensino, desapareceu aos 27 anos, vítima da ditadura militar no Brasil. O universitário foi levado à Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), onde, segundo relatos de sobreviventes, foi torturado por 48 horas antes de ter seu paradeiro ocultado.

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

Além de Janine, participaram do ato a reitora da UnB, Rozana Reigota Naves; o chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade (ADMV), Hamilton Pereira; o colega de militância de Paulo de Tarso Celestino, Jarbas Marques; docentes e integrantes da sociedade civil.

A ministra, durante a fala, ressaltou o compromisso do Governo do Brasil com a memória, a verdade e a justiça. A gestora também afirmou que o fim da ditadura militar não significou o fim dos seus efeitos e que as marcas da violência de Estado, as ausências e as estruturas que permitiram graves violações de direitos humanos, infelizmente, não desapareceram com a redemocratização.

“Esses traumas atravessam gerações e ainda desafiam nosso país em seu processo de reconciliação com a própria história. Entre essas histórias que permanecem abertas, está a de Paulo de Tarso Celestino, um jovem, como tantos outros, que ousou sonhar com um Brasil livre e democrático. Por acreditar nesse ideal, tornou-se alvo da perseguição política. O seu desaparecimento representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar”, disse.

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Já Hamilton Pereira, que conheceu Paulo durante o período da clandestinidade, prestou uma homenagem ao amigo ao declamar o poema “Um Velho Combatente”, de sua autoria. Hamilton, que também assina como Pedro Tierra, utilizou os versos para reconhecer a trajetória de luta e a atuação de Paulo.

“Paulo de Tarso Celestino sintetiza a trajetória de uma geração que não se curvou ao arbítrio. É possível que a sociedade brasileira estranhe que utilizemos a poesia para abordar temas tão duros, como a vida clandestina, a resistência e a brutalidade da repressão. Fico muito comovido e agradecido por contribuir para o resgate e a reconstrução da memória de brasileiros e brasileiras durante a ditadura militar”, admitiu.

Pedido de desculpas

Dirigindo-se a Jarbas Marques e João Paulo Tavares Celestino, sobrinho de Paulo de Tarso Celestino, a ministra Janine Mello reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violências cometidas pelas estruturas que o compunham durante a ditadura militar.

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

“Reconhecemos as violações de direitos humanos ocorridas em centros clandestinos de tortura e extermínio, expressão extrema da violência de Estado. Neste ato, relembramos a importância de pessoas como Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte, responsável por reconhecer e denunciar pessoas que por ali passaram, como Paulo de Tarso”, declarou.

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Janine também expressou o desejo de que o pedido represente não apenas o reconhecimento da responsabilidade estatal, mas também o respeito às vítimas da ditadura militar e aos seus familiares, bem como a reafirmação de um compromisso permanente com a democracia, com os direitos humanos e com a dignidade.

Durante o ato, a representante do MDHC estendeu o pedido de desculpas a toda a sociedade e à comunidade acadêmica pela perseguição e pela violência contra um dos seus estudantes. A repressão dirigida à integrantes da UnB, segundo ela, afrontou as liberdades de pensamento, de ensino, de pesquisa, de expressão e de participação política, fundamentos indispensáveis à democracia.

“Homenageamos aqueles e aquelas que acreditaram que a universidade, o conhecimento e a participação política eram caminhos para transformar o Brasil. Que a trajetória de Paulo de Tarso continue inspirando as novas gerações a defenderem os princípios que tornam possível a democracia. Porque preservar a memória não é apenas olhar para o passado, mas assumir a responsabilidade de construir um futuro em que violações como essas jamais se repitam”, finalizou.

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Texto: R.B.

Edição: G.O.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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