Salgueiro (PE) – O café da manhã é coletivo. O da tarde, também. À noite, antes da oração, os irmãos se reúnem para cuidar da mais velha da família. Em uma rotina marcada por afeto, união e memória, Maria Auxiliadora Marins, de 61 anos, resume o sentimento que atravessa os dias da família no Sítio Uri, em Salgueiro, no sertão pernambucano: “Hoje a gente vive juntinhos graças à transposição do São Francisco”.
Professora aposentada, mas ainda em atividade por amor à educação, como ela mesma faz questão de ressaltar, Maria Auxiliadora é uma dos nove irmãos que vivem na Vila Produtiva Rural (VPR) Uri, comunidade criada para reassentar famílias impactadas pelas obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Antes da mudança, em 2010, a família vivia no chamado “Uri de Baixo”. As casas eram distantes umas das outras e o deslocamento até a cidade de Salgueiro, onde a maioria trabalhava, era mais difícil. Quando receberam a notícia de que precisariam sair da antiga comunidade por causa das obras da transposição, o sentimento inicial foi de resistência.
“No início a gente sofreu muito porque não queria sair de lá”, lembra Maria Auxiliadora. “Foi onde construímos nossa história, junto dos nossos pais”, completou.
Com o tempo, porém, a nova realidade transformou a vida da família. Hoje, as casas ficam a poucos metros umas das outras, permitindo convivência entre irmãos, sobrinhos, netos e bisnetos. “Todos os dias nós estamos juntos. De manhã é o café na casa grande. À tarde, tem o café das quatro, com bolo. À noite, a gente se reúne de novo, conversa, ri, reza o terço. São coisas simples, mas que fazem a gente feliz”, conta.
A união familiar, ensinada pelos pais Vicente Marins e Dona Toinha, segue como principal herança da família. Dos 12 irmãos, nove vivem atualmente na comunidade. “Pai sempre dizia que a gente tinha que seguir a vida com união e paz. E é isso que a gente procura viver, agora com mais facilidade por causa da alocação”, conta Auxiliadora.
A mudança também trouxe melhores condições de mobilidade e oportunidades de produção. A família mantém uma horta comunitária, cultivada de forma orgânica, que serve para o consumo próprio e para geração de renda. “A horta é um momento de lazer que também ajuda financeiramente. Sem contar que, com ela, a gente sabe que está comendo do bom e do melhor. Comida orgânica de verdade”, afirma. No terreno, são cultivados alface, beterraba, melancia, mamão, entre outras frutas e hortaliças.
VPRs
As Vilas Produtivas Rurais fazem parte do Programa de Reassentamento de Populações do PISF, coordenado pelo MIDR, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH). As comunidades foram planejadas para garantir moradia, infraestrutura e condições de desenvolvimento econômico e social às famílias reassentadas pelas obras do projeto.
Atualmente, 18 VPRs estão distribuídas entre Pernambuco, Ceará e Paraíba, beneficiando 848 famílias. As vilas contam com casas, abastecimento de água, energia elétrica, áreas produtivas e equipamentos comunitários, além de assistência técnica e ações voltadas à geração de renda. O objetivo é assegurar que as famílias reassentadas tenham condições de vida iguais ou melhores às anteriores à implementação das obras.
No Uri, essa transformação aparece nos detalhes da rotina: no café compartilhado, nas conversas ao fim do dia e no sentimento de pertencimento reconstruído ao longo dos anos. “Quando chegamos aqui, a gente sofreu. Hoje, temos uma gratidão enorme. Mudou a nossa vida”, resume Maria Auxiliadora.
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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

























