O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) anunciaram, nesta sexta-feira, 26 de junho, no Rio de Janeiro (RJ), o novo edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior – Edição 2026.
O processo estará disponível para submissões no mês de julho. A iniciativa é responsável por ampliar a presença de escritores brasileiros em diferentes idiomas e mercados editoriais. Entre as novidades apresentadas, está a nova plataforma digital que reunirá editoras internacionais interessadas, possibilitando o envio de projetos e da documentação necessária, além do acompanhamento das etapas de seleção e habilitação.
Para celebrar os 35 anos do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, a Fundação Biblioteca Nacional apresenta a nova plataforma digital, que moderniza e integra os procedimentos do Programa. Em um ambiente totalmente digital, editoras internacionais poderão se cadastrar, inscrever projetos, enviar a documentação necessária e acompanhar as etapas de seleção e habilitação.
A solenidade foi transmitida online e pode ser assistida aqui.
O presidente da FBN, Marco Lucchesi, celebrou a longevidade e as iniciativas de modernização do Programa.
“O Programa de Apoio à Tradução é uma janela profunda que a Biblioteca Nacional abre para compreender o lugar do Brasil no mundo enquanto potência cultural e literária, promovendo autores e editoras numa curadoria eminentemente republicana para atender às demandas e ao lugar da literatura brasileira além das fronteiras”, destacou.
Lucchesi também celebrou a parceria com a Sefli e com o MRE, festejou os livros que circulam pelo mundo e ressaltou o trabalho primoroso e importante dos tradutores.
“Temos que parabenizar aqui a ação primorosa de quem faz a tradução das obras. Porque senão ficam sempre invisibilizados. Embora seja verdade que, quanto mais invisível o tradutor, melhor para o texto traduzido”, explicou o presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
O secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, apresentou ao público os números dessa importante política, destacando diferentes idiomas, como línguas asiáticas e africanas. Também ressaltou o aumento da proporção de mulheres, pessoas negras e indígenas entre os autores e autoras apoiados, em relação ao total de bolsas, com destaque para o chinês e línguas locais moçambicanas, como sena, changana e macua.
Ao longo de 35 anos, o Programa já viabilizou quase 1.600 projetos em cerca de 70 países e em mais de 50 idiomas, incluindo inglês, italiano, francês, russo, espanhol, catalão, chinês, polonês, húngaro, ucraniano, eslovaco, estoniano, turco, búlgaro, grego, macedônio, sueco, dinamarquês e croata, entre outros.
Em 2025, a iniciativa recebeu quase 250 inscrições e apoiou 133 projetos de tradução e publicação em 35 países e 27 idiomas.
Arte da tradução
Para Marco Lucchesi, o trabalho dos tradutores é parte essencial da circulação internacional da literatura brasileira.
“É preciso louvar o trabalho dos tradutores, porque cada qual forma uma ponte essencial para o diálogo que se abre em múltiplos quadrantes e horizontes. O tradutor é coautor desse processo, a figura invisível cuja visibilidade se dá pela sutileza a partir da qual se elaboram os textos que, no fundo, realizam o diálogo entre as nações, a diplomacia do livro e o soft power de que a cultura brasileira é protagonista, e a Biblioteca Nacional promove a intensidade, a diversidade e a riqueza cultural de que é feito o nosso país”, declarou o presidente da FBN.
Fabiano Piúba também destacou a tradução como expressão artística e como exercício de criação.
“O ofício, a arte e o ofício do escritor e da escritora se encontram com a arte e o ofício do tradutor também. Nessa metáfora da transposição, da interpretação, mas também da transcriação ou da criação. E aqui me vem o poema do Ferreira Gullar, ‘traduzir uma parte na outra parte é uma questão de vida ou morte. Será arte? Será arte? Será arte?’. Sim, é arte. Traduzir a literatura brasileira também é uma expressão artística. Eu me lembrei aqui do Caetano Veloso, que a folha traga e traduz. Acho que é um exercício de quem faz tanto a criação como a tradução”, frisou o gestor do MinC.
O diplomata e diretor do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do MRE, Marco Nakata, ressaltou o papel da tradução como travessia entre culturas.
“Traduzir é fazer uma travessia, levar algo de um lado da fronteira ao outro sem deixar se perder, mas também sem a prevenção. Porque o que é vivo se transforma no encontro com o outro. É exatamente isso que este programa faz. E é um exemplo que, neste momento, dá tudo isso o seu sentido mais pleno. E 70 anos depois de publicado, em 1976, Grande Sertão: Veredas, um livro que muitos julgaram ser intraduzível, cada uma levou mais de uma década de trabalho e cada uma lutou para recriar o ritmo e os neologismos, preservando a alma do sertão. É a prova de que nenhuma travessia é impossível quando há cuidado, tempo e apoio”, explicou.
O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do MinC, Jéferson Assumção, destacou que o programa é resultado de um trabalho conjunto entre diferentes instituições.
“É um trabalho conjunto entre os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores (MRE), com execução da Fundação Biblioteca Nacional, fundamental para a internacionalização da literatura brasileira. O programa é fundamental para posicionar nossa literatura em novos mercados ao redor do mundo”, ressaltou.
Mostrando, com alegria e orgulho, os diversos livros seus traduzidos em muitas línguas, o escritor Itamar Vieira celebrou a política pública e apontou os caminhos que sua narrativa já fez mundo afora.
“Vejo, a cada dia, mais brasileiros com traduções e com obras muito interessantes. E só podemos celebrar, acho que a gente não pode parar por aqui. A gente sempre tem que manter esse ativismo pela literatura brasileira, para conseguir cada vez mais recursos. Nossa literatura está entre as melhores, certamente, e se a gente encontra essa repercussão hoje lá fora, a gente deve agradecer esses programas que têm contribuído, colaborado”, apontou o escritor.
A agente literária Lúcia Riff também falou sobre a dimensão simbólica do processo de publicação internacional.
“Quando você finalmente vê ali o livro publicado, e às vezes volta a poder ir ao lançamento, aí é mágico. É um processo. É um processo meio poético. Mas ele é plenamente pago em alegria na realização do autor. Você poder ligar para o autor e dizer: estou confirmando sua ida para a Polônia. E é muito lindo”, frisou.
Plataforma
A nova plataforma digital foi apresentada como uma das principais novidades da edição 2026 do edital.
“É uma novidade deste ano. Estamos lançando uma nova plataforma de inscrição para as editoras estrangeiras concorrerem ao programa. Então, para a gente, é uma entrega muito importante, é uma entrega dessa gestão. E vamos conseguir ter todos os metadados dessa plataforma. A editora se inscreve, e isso a gente sabe o quanto vai facilitar a vida do tradutor, dos agentes, enfim, porque tudo vai estar dentro do mesmo sistema, de uma mesma plataforma”, afirmou Verônica Lessa, editora e coordenadora-geral de Cooperação e Difusão da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
Há 35 anos, o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior contribui para ampliar a circulação da literatura brasileira no mundo. Com a nova plataforma, a iniciativa dá um passo importante na modernização desse trabalho, tornando o processo de inscrição mais simples, ágil e transparente para as editoras estrangeiras.
Além de facilitar o acesso ao edital, a ferramenta reúne metadados que fortalecem a gestão das informações e ampliam o alcance internacional dos autores brasileiros.
Uma política de internacionalização da literatura brasileira
Criado para divulgar o patrimônio literário nacional e ampliar a circulação de autores brasileiros no exterior, o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior é uma iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), com o apoio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli/MinC) e do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Instituído em 1991 pela Política de Internacionalização do Livro, Decisão Executiva nº 200, de 16 de setembro de 2011, o Programa oferece apoio financeiro para editoras estrangeiras interessadas em traduzir e publicar obras brasileiras.
Edital
O novo edital 2026 estará no ar no mês de julho, com acesso disponível no site da FBN e do MinC. O processo de seleção começa após a publicação do edital, quando editoras estrangeiras apresentam suas propostas e a documentação exigida.
Os projetos inscritos passam por análise da Comissão de Seleção e, posteriormente, as propostas classificadas seguem para a etapa de habilitação documental. Após a aprovação, as editoras firmam Termo de Compromisso (TC) com a Fundação Biblioteca Nacional e recebem o apoio financeiro em duas parcelas: a primeira após a assinatura do TC e a segunda após a comprovação da publicação e envio da obra traduzida, conforme as regras estabelecidas no edital.
Fonte: Ministério da Cultura


























