Entre os dias 14 e 15 de abril, o interior paulista recebeu uma série de encontros voltados ao reconhecimento e fortalecimento das culturas populares e tradicionais, com a participação do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC). Em Campinas, o debate público sobre a Lei das Mestras e Mestres mobilizou representantes institucionais e agentes culturais. Já em Capivari, o foco esteve na valorização do Batuque de Umbigada, manifestação ancestral marcada pela resistência e transmissão de saberes.
As agendas reafirmaram a importância do diálogo com os territórios e do avanço de políticas públicas que reconheçam mestres, mestras e comunidades como protagonistas da memória viva brasileira.
Campinas debate criação da Lei das Mestras e Mestres
No dia 14, a Câmara Municipal de Campinas sediou o debate público Tecendo a Lei das Mestras e Mestres de Campinas em diálogo com o Brasil, reunindo representantes do poder público, agentes culturais e mestres da tradição popular para discutir a construção coletiva de uma legislação municipal de reconhecimento, valorização e fomento às mestras e mestres da cidade.
Representaram o MinC o diretor de Culturas Populares e Tradicionais, Tião Soares, e o coordenador-geral, Pedro Neto, que vêm percorrendo o país em escuta dos territórios para contribuir com a formulação da política nacional para o setor.
Para Tião Soares, as ações realizadas em Campinas e Capivari demonstram avanços concretos na construção de políticas públicas para o segmento.
“Confirmamos e celebramos a propositiva e articulada atuação da Diretoria de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da Região Metropolitana de Campinas, em parceria com o Pontão Areté: realização de reuniões efetivas, potentes e propositivas com o Executivo municipal de Campinas; audiência pública na Câmara Municipal debatendo a implantação da lei de Mestras e Mestres, com reais possibilidades de encaminhamento conjunto ao Legislativo e ao Executivo; articulação com o Sesc Piracicaba e Ponto de Cultura Garapa para promover articulação sobre Encontro das Culturas Populares da região; e diálogo com o Executivo de Capivari sobre o Batuque de Umbigada, iniciando também as discussões para seu reconhecimento como patrimônio imaterial do Brasil e do Estado de São Paulo. Essas ações reafirmam o compromisso com a salvaguarda, valorização e a necessária Política Nacional às Culturas Tradicionais e Populares”, afirmou.
Também participaram da agenda a vereadora Paolla Miguel, autora da proposta legislativa; a secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli; Caue Moreira, representante do Conselho Municipal de Cultura; e Marcelo das Histórias, coordenador do Pontão de Cultura Areté.
Para Mestre Marquinhos Simplício, a iniciativa representa reparação histórica.
“Com a implementação desta lei, estaremos dando um passo muito importante no reconhecimento, valorização e reparação, porque muitos deram suas vidas para que hoje estejamos aqui dando continuidade ao legado que nos deixam e possamos seguir transmitindo e vivendo com mais dignidade”, destacou.
Marcelo das Histórias ressaltou o impacto social da medida.
“A aprovação da Lei das Mestras e Mestres de Campinas é um passo histórico, porque transforma reconhecimento em política pública concreta. Reconhecer mestras e mestres é permitir que a história da cidade seja contada com mais verdade, mais vozes e mais pertencimento”, disse.
Já Alexandra Caprioli enfatizou o papel do poder público na proteção desses saberes.
“Reconhecer esses mestres por meio de uma lei é assumir a responsabilidade de proteger aquilo que não pode ser substituído. São guardiões de saberes que não estão nos livros, mas nas mãos, na oralidade e no corpo”, afirmou.
Capivari fortalece Batuque de Umbigada
No dia 15 de abril, o Quintal da Dona Marta, em Capivari (SP), recebeu o Encontro pelo Reconhecimento e Fortalecimento do Batuque de Umbigada, expressão cultural tradicional do interior paulista presente especialmente em municípios como Capivari, Piracicaba e Tietê.
O encontro reuniu comunidade, agentes culturais e representantes públicos em um momento de escuta, troca e articulação para ampliar caminhos de valorização e reconhecimento dessa tradição.
Mestra Marta, referência da cultura afro-brasileira e liderança histórica do Batuque de Umbigada em Capivari, destacou a importância da preservação da manifestação cultural.
“Justamente por ser tão único em sua forma, a preservação do Batuque de Umbigada se faz necessária por meio dessa articulação entre MinC, Cultura Viva e comunidade batuqueira. O batuque é vivência, ancestralidade e resistência. Não pode ser tratado como mercadoria ou espetáculo vazio”, afirmou.
A agenda reforçou o papel central das mestras e mestres como guardiões da memória viva, responsáveis pela transmissão de conhecimentos e pela continuidade de práticas culturais fundamentais para a identidade brasileira.
Compromisso com a cultura viva
As duas agendas reafirmam o compromisso do Ministério da Cultura com a valorização das culturas populares e tradicionais, com a participação social e com a construção de políticas públicas que reconheçam, em vida, as mestras e mestres responsáveis pela preservação da memória e diversidade cultural do país.
Fonte: Ministério da Cultura
























