MinC lança rede nacional para fortalecer dados e pesquisas da economia criativa

Foto: Fundação Itaú

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O Ministério da Cultura (MinC) deu um passo estratégico para o fortalecimento da economia criativa no Brasil com a realização do I Encontro Brasileiro de Observatórios de Economia Criativa, promovido nesta segunda-feira (18), no Itaú Cultural, em São Paulo.

O encontro marcou o lançamento oficial da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa e da versão em português do Framework for Cultural Statistics 2025, da Unesco, traduzido no Brasil como Marco de Estatísticas Culturais 2025. A iniciativa posiciona o país como o primeiro da América Latina a publicar a tradução do documento e ampliar o acesso ao novo referencial internacional para mensuração da cultura e da economia criativa.

O evento reuniu representantes do poder público, universidades, organismos internacionais, centros de pesquisa e instituições culturais para debater o papel dos dados, da inteligência territorial e da articulação em rede na formulação de políticas públicas para o setor cultural.

A secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, destacou a importância da construção de uma infraestrutura nacional de inteligência cultural, capaz de integrar produção de conhecimento, monitoramento e participação social. Segundo ela, o encontro representa um marco para a consolidação da economia criativa como política de desenvolvimento no país.

“Este é um momento histórico. Costumo dizer que precisamos de letramento sobre economia criativa. Precisamos explicar o que é economia criativa diante de tantos ruídos, enganos e dificuldades nessa construção conceitual. Essa é uma tarefa dos observatórios no Brasil”, afirmou.

A secretária também ressaltou que o fortalecimento dos observatórios é fundamental para a construção de políticas públicas baseadas em evidências. “A nossa tarefa, ao criar uma rede e desejar ser um hub nacional de inteligência cultural, é realmente produzir uma gestão por evidências. Não é possível construir políticas públicas eficazes sem dados confiáveis, pesquisas consistentes e informações validadas sobre a realidade dos territórios, dos trabalhadores da cultura e dos setores criativos”, disse.

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Cláudia Leitão enfatizou ainda a necessidade de inserir o Brasil no debate internacional sem perder de vista a diversidade cultural brasileira. “Toda política cultural é uma política de desenvolvimento. O Brasil precisa se inserir no mundo global sem perder suas identidades, suas expressões e características culturais. Temos aqui expressões culturais invisibilizadas, economias invisíveis que também precisam ser medidas”, completou.

A mesa de abertura contou ainda com a participação de representantes da Fundação Itaú, Unesco, Centro Internacional Celso Furtado, Instituto Federal de Brasília (IFB), Firjan e Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).

Dados e cooperação internacional

A apresentação do Marco de Estatísticas Culturais 2025, conduzida pelo pesquisador Manuel Alcaíno, especialista regional em estatísticas e monitoramento da Unesco para América Latina e Caribe, aprofundou o debate sobre as novas diretrizes globais para mensuração do impacto econômico da cultura. A proposta reforça a necessidade de produção de dados qualificados para orientar investimentos, reduzir desigualdades regionais e ampliar a efetividade das políticas públicas culturais.

Segundo Manuel Alcaíno, o novo marco busca harmonizar conceitos e terminologias para refletir a complexidade dos ecossistemas culturais e criativos contemporâneos. “A proposta da Unesco trabalha com 14 domínios relacionados à cultura e à economia criativa, além de domínios transversais, numa tentativa de assimilar a complexidade do mundo cultural contemporâneo”, explicou.

Representando a Unesco no Brasil, Isabel de Paula destacou os avanços brasileiros na consolidação da cultura como política de Estado. “Não há desenvolvimento sem a garantia dos direitos culturais, e a economia movida pelas artes e pelas expressões culturais é fundamental para alcançar esse desenvolvimento”, afirmou.

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Ela também ressaltou a importância da produção de dados alinhados internacionalmente. “Dados confiáveis são essenciais para formular políticas eficazes e ampliar o acesso à cultura”, disse.

Fomento à pesquisa

Outro destaque do encontro foi o anúncio da parceria entre o MinC, por meio da Secretaria de Economia Criativa, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o fomento à pesquisa em economia criativa no Brasil. A iniciativa prevê investimento de R$ 2 milhões em pesquisas voltadas ao fortalecimento do setor no país.

Representando o CNPq, Luciana Gomes destacou a relevância da produção de conhecimento para a consolidação das políticas culturais. “O CNPq entende a importância da geração de conhecimento e do fomento a evidências para contribuir na consolidação de uma política pública para a cultura”, afirmou.

Rede nacional e desenvolvimento

Com a criação da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa, o MinC avança na consolidação de uma política nacional baseada em evidências, cooperação institucional e inteligência cultural. A proposta é integrar universidades, governos e sociedade civil em uma estrutura permanente de monitoramento e produção de conhecimento, fortalecendo a cultura como vetor estratégico do desenvolvimento brasileiro.

Ao longo do dia, o encontro promoveu debates sobre cooperação institucional, cidades criativas, governança territorial e participação social, reunindo especialistas de instituições públicas, universidades, observatórios regionais e organizações da sociedade civil.

O encerramento contou com a apresentação do Observatório Celso Furtado de Economia Criativa (OBEC) e do portal Brasil Criativo, reforçando o compromisso com a produção de conhecimento e o desenvolvimento socioeconômico a partir da cultura e da criatividade.

Fonte: Ministério da Cultura

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